
Crescer cercado de seguranças não é exatamente uma infância normal. Mas quando esses seguranças são assassinos contratados disfarçados de babás, a história ganha uma dimensão completamente diferente. É essa a premissa de Dear Killer Nannies: Criado por Assassinos, nova série do Disney+ que chega com uma proposta incomum para o gênero: mostrar o submundo do crime pelos olhos de uma criança.
A série acompanha a infância de Juan Pablo Escobar, filho de Pablo Escobar, um dos criminosos mais temidos da história. Mas o foco não está nas operações do cartel nem nas disputas de poder. Está nos momentos cotidianos de um menino que brincava, comia e crescia sem saber, ou talvez sabendo, que cada homem ao seu redor era um matador profissional.
A vida real por trás da ficção
Dear Killer Nannies é baseada nas memórias e experiências pessoais do próprio Juan Pablo.
Ao longo dos anos, ele falou abertamente sobre o passado com um objetivo claro: não glorificar o pai, mas mostrar a verdade por trás daquela vida. Nas próprias palavras dele, não havia nada de glamouroso, legal ou invejável em ser filho de um criminoso.
Três atores interpretam Juan Pablo em diferentes fases da vida: Janer Villareal, Miguel Tamayo e Miguel Ángel García.
Através deles, a série acompanha a transformação de uma criança que vai, aos poucos, compreendendo o mundo ao seu redor.
Sebastián Marroquín: uma nova identidade, uma nova vida

Após a morte de Pablo Escobar, em dezembro de 1993, Juan Pablo tinha apenas 16 anos e o sobrenome mais perigoso do mundo. Junto com a mãe, María Victoria Henao, e a irmã, Manuela, ele deixou a Colômbia em busca de um recomeço.
A família tentou asilo em vários países antes de finalmente se estabelecer em Buenos Aires, na Argentina, onde adotaram novas identidades. Juan Pablo passou a se chamar Sebastián Marroquín.
Reconstruir a vida não foi simples. Encontrar trabalho com aquela história era um obstáculo que se repetia. Quando as pessoas descobriam quem ele era, as portas fechavam. Ainda assim, ele persistiu, estudou arquitetura e conseguiu construir uma carreira como arquiteto, autor e palestrante.
Com o tempo, Sebastián decidiu que fugir da própria história não era uma opção. Em 2009, viajou até o Panamá para se encontrar pessoalmente com os filhos de Rodrigo Lara Bonilla, ministro da Justiça colombiano assassinado a mando de Pablo Escobar em 1984.
O reencontro foi documentado no filme Pecados de mi Padre (indisponível no Brasil), lançado naquele mesmo ano. Foi um passo público e doloroso em direção à responsabilidade por um passado que não foi ele quem escolheu, mas que carrega até hoje.
Sebastián também escreveu o livro Pablo Escobar: Meu Pai, publicado em 2014, no qual narra sua versão da história com uma clareza que desconforta: o pai que ele conheceu era amoroso em casa e devastador para o mundo lá fora. Essa dualidade é o centro de tudo que ele construiu como voz pública desde então.
Não é Narcos

Quem chega em Dear Killer Nannies: Criado por Assassinos esperando uma experiência parecida com Narcos, da Netflix, vai precisar ajustar as expectativas. A série não tem interesse em retratar tiroteios, negociações de cartel ou a ascensão e queda de um império do tráfico.
O ponto de vista aqui é outro. Tudo é filtrado pelo olhar de uma criança que não escolheu o mundo em que nasceu e que foi, aos poucos, entendendo o peso daquele sobrenome. É uma história de formação, não de ação. E essa escolha é, justamente, o que torna a série diferente de tudo que já foi feito sobre Pablo Escobar.
Dear Killer Nannies: Criado por Assassinos foi cocriada pelo próprio Sebastián Marroquín ao lado de Sebastián Ortega. A proposta é contar essa história de forma honesta, sem os exageros que o tema costuma atrair.
A série está disponível no Disney+.