
A segunda temporada de Demolidor: Renascido está no meio de sua exibição da segunda temporada no Disney+. Matthew Murdock e o prefeito Wilson Fisk estão em uma guerra aberta pela alma de Nova York, e os episódios que chegam a cada semana só aumentam a tensão. Com a terceira temporada já em produção e o universo Marvel se preparando para Homem-Aranha: Um Novo Dia em julho e Vingadores: Doutor Destino em dezembro de 2026, a pergunta que paira no ar é inevitável: até onde a Marvel pretende levar Demolidor?
A resposta, pelo menos para quem está no comando criativo da série, é clara. E tem endereço fixo: Nova York.
Dario Scardapane, criador e showrunner de Demolidor: Renascido e veterano de O Justiceiro, não esconde o que pensa sobre jogar Murdock em batalhas cósmicas e universos paralelos. Ele não quer. E vai além: não está nem considerando.
“Eu quero eles na cidade onde cresceram”
Em entrevista ao CBR, Scardapane foi direto ao responder se já pensou em um Demolidor multiversal.
“Não,” disse o showrunner, antes de explicar o raciocínio por trás da recusa: “Eu gosto de honrar o personagem diretamente. Tenho muito interesse, como escritor, em mistérios, ficção policial, noir, histórias de detetive, histórias de crime. E Demolidor como personagem é uma daquelas grandes intersecções entre o que me sinto muito confortável fazendo como escritor e o que esse personagem representa, na minha opinião, como um personagem noir.”
Para Scardapane, a força de Demolidor está justamente no concreto, no asfalto, nas ruas de Hell’s Kitchen. “Não quero necessariamente vê-los em outro planeta. Sempre quero vê-los em Nova York. Quero vê-los na cidade onde cresceram.”
É uma posição que faz sentido dentro do que a série construiu. Demolidor: Renascido funciona porque seus personagens estão enraizados em uma realidade palpável. Tire isso e algo se perde no caminho.
Os atores não estão de acordo

O tema do multiverso, no entanto, divide os dois protagonistas da série.
Vincent D’Onofrio, o Kingpin é o mais entusiasmado com a ideia. Ele disse que “adoraria muito” explorar algo assim, deixando claro que o interesse está em interpretar uma versão alternativa do personagem, um variante do Fisk desta Terra, e não simplesmente o mesmo Rei do Crime sendo arrastado por um portal.
Charlie Cox, por outro lado, ficou bem mais próximo da visão de Scardapane. “Se você acertar a mão, pode ser emocionante e interessante”, reconheceu o ator, mas logo voltou ao ponto central:
“Só que eu não gostaria que a gente perdesse as apostas do que temos no show. Parte do motivo pelo qual nossa série funciona é porque esses personagens funcionam melhor quando estão com os pés no chão. No momento em que você introduz a ideia de onipotência, ou de não poder morrer, ou de multiverso, você começa a perder um pouco as apostas.”
É um argumento que ressoa com qualquer fã que acompanhou de perto as críticas às franquias que escalam demais e acabam perdendo o que tornava seus personagens especiais.
Se o multiverso está fora de cogitação, Scardapane tem outra ideia que claramente o anima. Ele toparia explorar Murdock e Fisk em um formato de prelúdio, situado décadas no passado.
“Como esses personagens estão para sempre entrelaçados, seria interessante vê-los em diferentes tipos de… Eu entreteria uma versão de Murdock e Fisk ambientada no Lower East Side, no final dos anos 60, início dos anos 70. Ele seria um investigador em ascensão, e o Kingpin estaria apenas começando a comandar uma gangue. Isso seria divertido.”
As temporadas 1 e 2 de Demolidor: Renascido estão disponíveis no Disney+.