
Durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre fiscal de 2026, Bob Iger adotou um tom direto ao falar sobre o futuro da Disney. Prestes a deixar o comando da empresa após quase 20 anos somando dois períodos como CEO, ele evitou olhar para trás e aproveitou o momento para deixar um recado claro a quem assumir seu lugar.
Sem citar nomes, Iger afirmou que manter tudo como está seria um erro, especialmente em um setor que passa por mudanças constantes. Segundo ele, a companhia vive hoje uma situação bem diferente daquela encontrada há três anos, quando reassumiu o cargo após a saída de Bob Chapek.
“Preservar o status quo seria um erro”, diz Bob Iger
Ao comentar o processo de transição, Iger foi objetivo ao explicar sua visão sobre liderança e adaptação.
“A boa notícia é que a empresa está em uma condição muito melhor hoje do que estava há três anos. Fizemos muitas correções e também criamos oportunidades. Em um mundo que muda o tempo todo, tentar preservar o status quo, de alguma forma, é um erro, e tenho certeza de que meu sucessor não fará isso.”
A fala veio em meio a reportagens que apontam Josh D’Amaro, atual chefe dos parques da Disney, como principal nome interno para assumir o cargo. Dana Walden, copresidente da divisão de entretenimento, também aparece como uma possibilidade, e o conselho da empresa deve discutir o assunto nos próximos dias.
Reorganização do streaming é citada como exemplo
Mais adiante na conversa com investidores, Iger destacou uma decisão tomada três anos atrás como símbolo do ajuste feito pela companhia: a criação de uma nova unidade de entretenimento, sob o comando de Dana Walden e Alan Bergman.
Segundo ele, estúdios de cinema e TV eram os maiores responsáveis pelos gastos com conteúdo para streaming e precisavam sentir de forma mais direta o efeito dessas decisões nos resultados financeiros.
“Essas áreas gastavam mais dinheiro produzindo conteúdo para o streaming, e eu sentia que quem investia mais precisava ter uma responsabilidade maior sobre como esse gasto afetava o resultado final.”
Iger lembrou que, naquela época, o streaming gerava prejuízos bilionários. Hoje, o cenário é outro.
“Há três anos, esse negócio perdia bilhões. Neste trimestre, conseguimos gerar mais de US$ 1 bilhão ao longo do último ano e seguimos em um caminho muito melhor. Essa reorganização funcionou.”
Apesar das perguntas sobre sua saída, Iger deixou claro que não pretende transformar o momento em uma despedida cheia de simbolismos. Ele afirmou que evitou ser “nostálgico” e que não quer gastar energia excessiva discutindo cenários de transição antes da hora.
De forma mais ampla, o executivo avaliou que sua equipe precisou lidar com muitos ajustes estruturais ao longo dos últimos três anos, desde reorganizações internas até mudanças na estratégia de streaming, que hoje ocupa papel central dentro da empresa.
Resultados positivos e um contratempo recente
A Disney divulgou números sólidos no primeiro trimestre fiscal, reforçando a melhora no desempenho operacional. Ainda assim, o relatório também revelou um impacto negativo de US$ 110 milhões, resultado de uma disputa pública com o YouTube TV no ano passado, que afetou acordos de distribuição.
Mesmo com esse contratempo, o tom geral da apresentação foi de confiança no caminho adotado, especialmente no que diz respeito ao streaming e à necessidade constante de ajustes para acompanhar a evolução do mercado de entretenimento.
Fonte: The Walt Disney Company