Após deixar a Lucasfilm, Kathleen Kennedy quer usar Inteligência Artificial em filmes Star Wars

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Após confirmar oficialmente sua saída da presidência da Lucasfilm, cargo que ocupou por quase 14 anos, Kathleen Kennedy começou a detalhar como imagina seu futuro dentro da indústria cinematográfica. Em entrevista publicada logo após o anúncio, a produtora deixou claro que não pretende se afastar de Star Wars e que já está olhando para novas formas de criar filmes nos próximos anos.

Entre balanços de carreira, reflexões sobre Star Wars e planos futuros, um ponto chamou atenção de imediato.

Kennedy revelou em uma longa entrevista ao Deadline interesse direto em utilizar Inteligência Artificial na produção de filmes, incluindo projetos da própria saga criada por George Lucas.

Inteligência Artificial como nova ferramenta criativa

Questionada diretamente sobre o uso de IA, Kathleen Kennedy deixou claro que vê a tecnologia como um novo instrumento criativo, desde que utilizada de forma responsável.

“Sim. Estou interessada em explorar o uso dessas ferramentas de maneira responsável, resolvendo as complicações em torno da proteção dos direitos dos artistas. Isso é vitalmente importante”, afirmou.

Ao mesmo tempo, Kennedy demonstrou entusiasmo com as possibilidades visuais que a tecnologia pode abrir no cinema.
“Não existe nada mais empolgante do que ter novas ferramentas capazes de expandir o que você pode fazer ao criar uma linguagem visual para histórias”, explicou.

Para ela, o momento atual lembra outros períodos de virada tecnológica que ajudaram a redefinir o cinema de grande escala.

Comparação com Jurassic Park

Na entrevista, Kennedy comparou o potencial da Inteligência Artificial ao impacto que os efeitos digitais tiveram no início dos anos 1990.

“É um pouco comparável ao que vivemos em Jurassic Park, quando houve uma colisão de inovações em som, imagem, edição e efeitos digitais que George já vinha desenvolvendo”, disse.

Ela relembrou inclusive o que considera o primeiro efeito em computação gráfica da história do cinema.
“Muita gente não lembra, mas a primeira cena em CG foi em Young Sherlock Holmes, quando a figura do vitral ganha vida. Aquilo foi absolutamente eletrizante”.

Segundo Kennedy, a partir daquele momento, foram anos de pesquisa e desenvolvimento até que Jurassic Park se tornasse possível.

Para ela, a IA pode provocar um salto semelhante, especialmente em histórias que exigem construção de mundos complexos.

“Não estou dizendo que isso vai impactar todo tipo de história, mas para grandes filmes que precisam criar imagens que as pessoas nunca viram antes, acredito muito que essa tecnologia pode fazer isso”, afirmou.

De executiva a produtora em tempo integral

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A decisão de deixar a presidência da Lucasfilm não foi repentina. Kennedy explicou que planejou a transição ao longo de dois anos, preparando Dave Filoni e Lynwen Brennan para assumir o comando do estúdio.

“Estou muito pronta para sair e voltar a fazer filmes. Quero fazer mais filmes e ter a chance de trabalhar com um grupo mais eclético de projetos, como fazia antes”, disse.

Ela também revelou o desejo de voltar a colaborar com o marido, Frank Marshall, com quem divide uma longa trajetória no cinema.

“Meu amor é fazer filmes. Eu simplesmente amo criar coisas”, resumiu.

Star Wars continua nos planos

Apesar de deixar o cargo executivo, Kathleen Kennedy não pretende se afastar de Star Wars. Pelo contrário. Ela afirmou que continuará produzindo filmes da saga, inclusive projetos ambientados em diferentes momentos da cronologia.

“Vou continuar fazendo muitos filmes de Star Wars, tanto os que estão mais próximos quanto os que ainda estão bem no futuro”, afirmou.

Ela também deixou claro que pretende apoiar a nova liderança sem impor decisões.
“Estou genuinamente tentando dar suporte ao novo time e encorajá-los a tomar as decisões que precisam tomar”, explicou.

Ao refletir sobre sua passagem pela Lucasfilm, Kennedy reconheceu os desafios de trabalhar com uma base de fãs tão apaixonada e exigente, mas reforçou que sempre buscou preservar os valores centrais da saga.

“Tudo o que tentei fazer foi manter a essência do que George criou, essa ideia de esperança, diversão e entretenimento”, afirmou.
“Eu não mudaria nada do que fizemos ao longo desses anos.”

Agora, livre das responsabilidades administrativas e interessada em novas tecnologias como a Inteligência Artificial, Kathleen Kennedy se prepara para uma fase diferente da carreira. Uma fase em que, segundo ela mesma, o foco volta a ser totalmente a criação.

E, ao que tudo indica, Star Wars continuará fazendo parte desse futuro.

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