A história real de Thayendanegea, o líder moicano que aparece em Outlander

Ian-e-Rachel-em-Outlander A história real de Thayendanegea, o líder moicano que aparece em Outlander

A oitava e última temporada de Outlander tem se apoiado fortemente em eventos e figuras históricas reais da Revolução Americana. Já vimos personagens como Benjamin Cleveland, o Coronel Francis Marion e o Major Patrick Ferguson sendo incorporados à trama dos Fraser. No sexto episódio, “Bem-aventurados os Misericordiosos”, é a vez de Thayendanegea (Meegwun Fairbrother) entrar em cena, acompanhado de sua esposa Catharine (Océane Kitura Bohémier-Tootoo).

Os dois aparecem quando Ian e Rachel chegam a Nova York em busca de respostas sobre o destino de uma aldeia mohawk destruída pelo Exército Continental, a mesma aldeia onde vivia Wahionhaweh, a primeira esposa de Ian.

Thayendanegea era também conhecido pelo nome anglicizado de Joseph Brant, e sua história é real.

Thayendanegea nasceu em março de 1743 na região conhecida como Ohio Country, às margens do Rio Cuyahoga, durante a temporada de caça mohawk. Sua mãe, Margaret, era neta de um proeminente chefe moicano. Após a morte precoce do pai biológico, ela se casou com Nickus Brant, um mohawk de descendência parcialmente holandesa que vivia ao estilo europeu. A família se estabeleceu em Canajoharie, perto de Little Falls, Nova York, e Thayendanegea cresceu num ambiente multilíngue, convivendo com colonos alemães, escoceses e irlandeses, o que lhe deu fluência nos costumes europeus sem que perdesse sua identidade mohawk.

Em 1761, foi enviado à Moor’s Indian Charity School, em Connecticut, uma instituição voltada para a conversão de jovens indígenas ao cristianismo. Lá, estudou por dois anos e aprendeu a ler, escrever e falar inglês.

Mais tarde, participou de ações militares durante a Guerra dos Sete Anos e trabalhou como intérprete no Departamento Indígena Britânico, além de ajudar missionários a traduzir textos religiosos para o idioma mohawk.

Por que ele também se chamava Joseph Brant?

Thayendanegea-Outlander A história real de Thayendanegea, o líder moicano que aparece em Outlander

O nome inglês veio do sobrenome do padrasto e do nome cristão que adotou ainda jovem. Em mohawk, Thayendanegea significa algo próximo de “duas apostas unidas para dar força”. Sua entrada nos círculos britânicos foi facilitada pela irmã mais velha, Molly Brant, esposa em união estável de Sir William Johnson, Superintendente Britânico de Assuntos Indígenas da Colônia de Nova York.

Ao longo da vida, Thayendanegea navegou entre dois mundos, moldado por dois nomes e duas culturas. A Revolução Americana dividiu ainda mais essa existência já complexa.

Sobre sua vida pessoal, foi casado três vezes. A primeira esposa, Margaret, filha de um chefe oneida, morreu de tuberculose por volta de 1771. Ele então se casou com a irmã dela, Susannah, que também morreu de tuberculose poucos meses depois. O terceiro casamento, com Catharine, uma respeitada mãe de clã dos moicanos, durou até o fim de sua vida. Thayendanegea teve ao todo nove filhos.

O papel de Thayendanegea na Revolução Americana

Thayendanegea A história real de Thayendanegea, o líder moicano que aparece em Outlander

Em 1775, Thayendanegea viajou a Londres e se reuniu com o Rei George III no Palácio de St. James para negociar o apoio mohawk à Grã-Bretanha na guerra que se aproximava. De volta à América, formou uma unidade irregular de guerreiros mohawk e lealistas conhecida como os Voluntários de Brant, que combateram ao lado das forças britânicas após receberem garantias de proteção aos direitos territoriais dos iroqueses.

Suas tropas participaram de ações significativas, incluindo a emboscada de uma coluna continental na Batalha de Oriskany em 1777 e uma série de ataques a povoados americanos no Vale do Mohawk em 1778. Esses ataques lhe renderam o apelido de “Monstro Brant”, embora ele frequentemente fosse responsabilizado por atrocidades cometidas por outras forças britânicas e indígenas.

Suas atividades no interior levaram o General George Washington a ordenar ao General John Sullivan uma campanha retaliatória no território iroquês, com o objetivo de destruir suas aldeias. É exatamente esse contexto histórico que Outlander referencia nesta temporada, quando Ian parte em busca de notícias sobre a aldeia onde viviam sua ex-esposa e seu filho. Os Voluntários de Brant foram derrotados na Batalha de Newtown em 1779, e ele recuou para Fort Niagara.

O que aconteceu depois da guerra

O Tratado de Paris, assinado em 1783 e que encerrou oficialmente a Revolução Americana, foi negociado sem a participação de nenhum representante indígena. O documento não fez qualquer menção aos aliados indígenas da Grã-Bretanha e cedeu aos Estados Unidos todos os territórios britânicos ao sul do Canadá e a leste do Mississippi, incluindo terras tradicionais dos mohawk e de outras nações iroquesas.

A Grã-Bretanha concedeu aos mohawk uma área às margens do Rio Grand, no Canadá, que ficou conhecida como Brant’s Town e é hoje a cidade de Brantford, em Ontario. Os britânicos, no entanto, recusaram-se a apoiar os esforços de Thayendanegea para formar uma confederação indígena independente na região de Ohio.

Em seus últimos anos, continuou transitando entre os Estados Unidos e o Canadá. Em 1793, realizou uma missão de paz junto aos índios Miami em nome do próprio George Washington. Morreu em novembro de 1807, em sua casa em Burlington, Ontario.

Uma curiosidade final: seu retrato apareceu em uma nota bancária americana na década de 1820, algo incomum para um homem que havia lutado pelo lado britânico. Outlander lança um novo episódio todo sábado no Disney+.

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