
O mercado de streaming está cada vez mais disputado. Com tantas plataformas disponíveis, conquistar novos assinantes já não é tão simples quanto nos primeiros anos de expansão dos serviços digitais. Manter quem já paga pela assinatura também virou uma preocupação constante das empresas.
Mesmo nesse cenário, a Disney conseguiu ampliar sua presença em uma das regiões mais importantes para seus negócios internacionais. E os resultados mostram que o Disney+ ainda tem espaço para crescer, apesar da concorrência e das mudanças nos hábitos de consumo.
Nesta segunda-feira, 12 de outubro, Eun-Ky Park, responsável pelas operações da Disney na Alemanha, Áustria e Suíça, revelou um dado até então pouco divulgado sobre o desempenho da plataforma.
Em entrevista ao portal alemão DWDL, a executiva confirmou que a base de assinantes do Disney+ na região EMEA cresceu 30% desde o início de 2025.
A sigla EMEA reúne os mercados da Europa, Oriente Médio e África. O percentual representa o crescimento acumulado nesse território, e não o aumento mundial de assinantes do serviço.
A Disney não informou o número absoluto de clientes que conquistou no período, mas Park reconheceu que manter esse ritmo será um desafio.
Disney+ aposta em quatro áreas para atrair mais assinantes
Ao comentar as perspectivas do Disney+, Eun-Ky Park admitiu que o crescimento futuro tende a ser mais difícil. Ainda assim, acredita que existe bastante espaço para conquistar novos públicos.
Segundo ela, a empresa identificou quatro categorias de conteúdo que serão fundamentais para a próxima fase de expansão.
A primeira é o entretenimento geral, representado principalmente pelo Hulu. A intenção é reforçar a oferta de séries, dramas, comédias e outras produções voltadas a públicos que procuram algo além das franquias tradicionais da Disney.
A segunda envolve os lançamentos cinematográficos. Park destacou a vantagem de contar com filmes produzidos pelos próprios estúdios da companhia, que posteriormente chegam ao catálogo do Disney+.
Essa estrutura permite que a plataforma receba regularmente produções da Marvel, Pixar, Walt Disney Animation Studios, Lucasfilm e outros estúdios, sem depender exclusivamente da compra de direitos de terceiros.
O terceiro segmento é o esporte ao vivo, que vem ganhando espaço no Disney+ europeu. A executiva citou a Liga dos Campeões Feminina da UEFA, a transmissão de um evento especial com Max Verstappen e a chegada de novas competições.
Entre elas estão a quinta temporada da Icon League, uma competição de futebol com formato alternativo, e a Fórmula E, cuja nova temporada começa em 18 de dezembro.
Esses exemplos dizem respeito à programação europeia e não representam anúncios de novas transmissões para o Disney+ brasileiro.
Por fim, o quarto eixo envolve as produções locais, desenvolvidas especificamente para os diferentes mercados atendidos pela plataforma.
Essa última categoria está recebendo atenção especial. Como informamos anteriormente, a Disney anunciou planos de triplicar os investimentos em produções locais e confirmou a contratação de Philip Pratt, ex-Amazon, para reforçar sua equipe na Alemanha, Áustria e Suíça.
Disney também quer usar a televisão aberta para conquistar público
Um dos pontos mais curiosos da estratégia apresentada por Park é que a Disney não pretende depender apenas do streaming para ampliar sua presença.
Na Alemanha, o tradicional Disney Channel passará por uma transformação e será relançado como Disney TV em 1º de dezembro de 2026.
A nova emissora gratuita terá uma programação mais abrangente, incluindo séries e filmes voltados ao público adulto, além das atrações infantis e familiares.
Produções da Marvel, Hulu, FX e 20th Century Studios também farão parte da grade. A ideia é oferecer uma alternativa gratuita, com programação selecionada, que funcione como uma porta de entrada para o universo do Disney+.
Park reconheceu que a televisão tradicional enfrenta uma redução de audiência, mas argumentou que ela ainda permite alcançar espectadores que não necessariamente procuram conteúdo em serviços pagos.
A estratégia também envolve parcerias comerciais e acordos com outras empresas para aumentar a exposição das marcas da Disney.
Esse movimento acompanha uma aproximação que já ocorre entre o Disney+ e emissoras tradicionais da Europa, incluindo contratos que levam programas nacionais para dentro do catálogo do streaming.
Ao combinar produções internacionais, esportes, filmes de cinema, conteúdo regional e televisão aberta, a Disney tenta criar diferentes caminhos para alcançar novos espectadores.
O crescimento de 30% desde o início de 2025 mostra que essa região continua oferecendo oportunidades para o Disney+. A questão agora é até onde a empresa conseguirá avançar em um mercado no qual, como reconheceu a própria executiva, conquistar novos assinantes está ficando cada vez mais difícil.