
A disputa entre as plataformas de streaming não depende apenas dos grandes filmes de Hollywood. Séries produzidas em outros países também ganharam espaço nessa competição, especialmente quando conseguem conquistar o público local e, de quebra, atrair espectadores em outras partes do mundo.
O Disney+ já trabalha com produções originais na Europa, Ásia e América Latina, mas seus planos agora são bem mais ambiciosos. A empresa quer ampliar consideravelmente os recursos destinados a conteúdos desenvolvidos fora dos Estados Unidos.
A nova estratégia foi detalhada nesta segunda-feira, 12 de outubro, por Eun-Ky Park, responsável pelas operações da Disney na Alemanha, Áustria e Suíça. Em entrevista ao portal alemão DWDL, a executiva confirmou que a companhia pretende triplicar os investimentos em produções locais.
E para colocar esses planos em prática, a Disney foi buscar um profissional que passou mais de uma década na concorrência, incluindo sua participação no desenvolvimento de um dos maiores sucessos internacionais do Prime Video.
Disney contrata executivo da Amazon responsável por Maxton Hall

Philip Pratt, que trabalhou por mais de 11 anos na Amazon MGM Studios, assumirá em fevereiro de 2027 o cargo de vice-presidente de produções originais do Disney+ na Alemanha, Áustria e Suíça.
Na Amazon, Pratt supervisionou produções alemãs do Prime Video, incluindo a série Maxton Hall: O Mundo Entre Nós, que conquistou espectadores em diversos países.
Sua experiência também inclui a versão alemã do programa de comédia LOL: Last One Laughing, além de filmes, thrillers e realities desenvolvidos para o serviço de streaming da Amazon.
A contratação foi anunciada pessoalmente por Eun-Ky Park, que deixou claro o tamanho dos planos da Disney.
“Queremos triplicar nossos investimentos em produções locais. Não estamos falando de um aumento de 10% ou 20%. Queremos triplicar. E, para alcançar essas ambições, precisamos de apoio.”
Pratt responderá diretamente a Angela Jain, responsável pelo conteúdo da Disney na região que reúne Europa, Oriente Médio e África.
Ao comentar a mudança, o executivo afirmou que pretende transformar o Disney+ em um espaço no qual produtores e profissionais do audiovisual possam desenvolver projetos originais para públicos de diferentes países.
A contratação também preenche uma posição que estava vaga desde abril, quando Benjamina Mirnik-Voges deixou a empresa.
O que vai mudar nas produções internacionais do Disney+?
A expansão não se limita aos três países que ficarão sob a responsabilidade de Pratt.
Segundo a estratégia apresentada pela Disney, a companhia pretende aumentar substancialmente o volume de produções originais internacionais nos próximos três anos. A meta global é triplicar a quantidade de séries desse tipo.
Na Alemanha, o Disney+ já possui títulos como Sam: Um Saxão, Intérprete do Silêncio e Call My Agent Berlim.
Em março, a plataforma apresentou cinco novos projetos alemães, incluindo o drama de época Vienna Game, o suspense policial Monster e a adaptação dos romances Westwell.
A lista de projetos internacionais também inclui produções em desenvolvimento na Polônia, Reino Unido, Itália e Suíça.
De acordo com Eun-Ky Park, a Disney está interessada em diferentes gêneros, tanto ficção quanto documentários e realities. A principal exigência é que esses conteúdos tenham condições de disputar a atenção dos assinantes em um catálogo que também reúne Marvel, Star Wars, Pixar e grandes séries norte-americanas.
A executiva explicou ainda que a expansão faz parte de uma estratégia mundial da Disney, e não de uma resposta às discussões sobre possíveis obrigações legais de investimento no audiovisual alemão.
Para o Brasil, o anúncio reforça uma direção que a Disney já havia sinalizado anteriormente.
Em maio, durante a Rio2C, Eric Schrier, presidente de produções originais internacionais da companhia, revelou a meta de lançar uma produção brasileira por mês no Disney+.
Na ocasião, Schrier explicou que o Brasil representa aproximadamente 30% do mercado latino-americano da Disney e está entre os países escolhidos para receber maior atenção.
Mais recentemente, o diretor financeiro Hugh Johnston também explicou por que a Disney quer ampliar seus investimentos em séries locais. Segundo ele, esse tipo de conteúdo ajuda a manter os assinantes interessados entre as grandes estreias de Hollywood e pode reduzir os cancelamentos.
Apesar da confirmação da meta de triplicar os investimentos, a Disney ainda não divulgou valores específicos para essa expansão nem quanto será destinado a cada país.
Também não foi anunciado se a nova meta internacional alterará os planos já apresentados para as produções brasileiras.