Outlander: Blood of My Blood: Henry volta a 1924 e Julia fica presa em 1715 no episódio “Dia da Lembrança”

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1000212534 Outlander: Blood of My Blood: Henry volta a 1924 e Julia fica presa em 1715 no episódio “Dia da Lembrança”

A primeira temporada de Outlander: Blood of My Blood terminou com os dois casais centrais finalmente perto da vida que tanto buscaram. Henry e Julia haviam se reencontrado e chegado a Craigh na Dun com William, enquanto Brian e Ellen conseguiram fugir depois da morte de Malcolm Grant. Por alguns instantes, parecia que tanta perseguição poderia dar lugar a outra fase da história. A série não demora a acabar com essa sensação.

“Dia da Lembrança”, primeiro episódio da segunda temporada, já está disponível no Disney+ e mostra que as cruzes em chamas vistas no final anterior eram apenas o começo. A Revolta Jacobita de 1715 entra de vez na história, enquanto Henry e Julia descobrem da pior maneira que chegar às pedras não significava necessariamente voltar para casa.

O resultado é um episódio bastante pesado, principalmente na parte dedicada a Henry. Ao mesmo tempo, a série cria algumas das conexões mais diretas até agora com Outlander, graças ao retorno de dois personagens que os fãs da produção original certamente reconheceram.

Atenção: a partir daqui, o texto contém spoilers completos do episódio “Dia da Lembrança”.

Quem precisar relembrar exatamente onde a história havia parado pode conferir nosso final explicado da primeira temporada de Outlander: Blood of My Blood.

Henry chega a 1924 enquanto Julia fica presa em 1715

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O episódio começa com Henry em um lugar completamente diferente daquele onde o deixamos. Ele desperta amarrado e desorientado no Asilo de Inverness.

O médico responsável, Dr. Perryman, tenta descobrir sua identidade. Henry está ferido, tem uma lesão na cabeça e um ferimento no ombro. Quando pergunta por Julia e William, recebe a primeira notícia ruim: ninguém estava com ele quando foi encontrado nas charnecas.

Há ainda algo pior. Henry está em 1924.

A série então volta a Craigh na Dun para preencher o espaço deixado pelo final da primeira temporada. Henry, Julia e o bebê William tentam atravessar juntos, mas nada acontece. Eles tocam a pedra e continuam exatamente no mesmo lugar.

Sem entender por que a passagem falhou, os dois percebem a aproximação de Arch Bug e outros homens dos Grant.

Henry improvisa uma solução para proteger Julia. Ele finge ser o sequestrador dela e encosta uma faca em seu pescoço, na tentativa de sustentar a história que vinha usando enquanto estava entre os Grant. A encenação não funciona como esperado e Arch parte para cima dele.

Durante a luta, Henry é atingido no ombro por um punhal. Cambaleando junto às pedras, ele começa a ouvir o som característico associado às viagens no tempo, toca Craigh na Dun e simplesmente desaparece diante de Julia.

Desta vez, apenas Henry atravessa. Julia e William continuam em 1715.

Existe um pequeno detalhe visual importante nessa sequência. Antes do ataque, é possível notar uma pedra preciosa no punhal usado contra Henry. A série não para para explicar o que aconteceu, mas a presença da gema ajuda a entender por que a passagem funciona naquele momento, depois de a tentativa dos três ter fracassado.

Henry, porém, não tem condições de juntar essas peças.

No asilo, ele tenta contar ao médico que esteve em 1715, que sua mulher continua lá e que precisa voltar imediatamente. Para Perryman, tudo parece consequência dos traumas da Primeira Guerra Mundial. Henry realmente combateu no conflito, e o médico interpreta os relatos sobre escoceses, batalhas e pessoas de outro século como uma reconstrução delirante dessas experiências.

A situação piora porque Henry já está confuso pela pancada na cabeça. Aos poucos, ele próprio começa a duvidar do que viveu.

Enquanto isso, Julia é levada de volta ao Castelo Leathers por Arch Bug, que acredita ter acabado de libertá-la do homem que a havia sequestrado.

Ela não pode contar a verdade. Precisa voltar a interpretar o papel de esposa de Simon Fraser, Lord Lovat, e sustentar a mentira de que Henry era apenas o homem que a havia levado embora.

Lovat fica satisfeito ao recuperar Julia e, principalmente, William. Ele continua acreditando que o bebê é seu filho e que a criança está ligada à profecia que tanto o interessa.

A cena deixa clara a posição delicada de Julia. Ela mal teve tempo para entender que o marido desapareceu por uma pedra e já precisa controlar cada palavra diante de Lovat.

Só quando fica sozinha com Davina é que desaba.

Julia conta que Henry estava vivo, explica que os dois chegaram até Craigh na Dun e finalmente revela toda a verdade: ela e Henry vieram de outra época.

Davina inicialmente tenta enquadrar a história nas crenças que conhece. Pensa em fadas, depois em bruxaria. Julia explica que nasceu séculos depois e menciona novamente o rei George V, algo que Davina já havia ouvido dela.

Então vem uma das cenas mais dolorosas do episódio. Julia explica que existe outra filha esperando por ela no futuro. Claire está perto de completar seis anos e não faz ideia de onde os pais foram parar.

A única esperança de Julia é que Henry tenha conseguido chegar até Claire. O público sabe que isso não aconteceu.

Essa diferença entre o que Julia deseja e o que acabamos de ver torna a sequência ainda pior. Enquanto ela encontra algum conforto imaginando pai e filha juntos, Henry está preso a poucos quilômetros de Claire, sem qualquer possibilidade de procurá-la.

E logo ele começa até mesmo a esquecê-la.

O tratamento de Henry apaga Claire de suas lembranças

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Dr. Perryman decide tratar aquilo que considera a origem dos problemas de Henry.

Ele é submetido repetidamente a sessões de choque elétrico. Durante o procedimento, o médico tenta direcioná-lo para suas lembranças da Primeira Guerra e convencê-lo de que tudo relacionado ao século XVIII é uma criação de sua mente.

Os flashbacks misturam Passchendaele, Julia, Claire e acontecimentos recentes da Escócia. Em determinado momento, vemos uma lembrança ligada ao Dia da Lembrança que dá nome ao episódio. Henry vestia novamente seu uniforme, e Julia percebia como aquilo o fazia retornar mentalmente à guerra.

O que o trazia de volta ao presente eram ela e Claire.

Agora, no asilo, o processo acontece no sentido contrário.

Conforme as sessões continuam, Claire começa a desaparecer das lembranças de Henry. Imagens da filha se confundem e somem até que sua memória passa a reconstruir a família apenas com ele e Julia.

Isso também resolve, pelo menos parcialmente, uma questão que poderia surgir rapidamente: Henry está em 1924 e Claire também. Por que ele simplesmente não vai atrás da filha?

Ele não pode sair do asilo e, pior, já não consegue se lembrar de que tem uma filha.

Ainda restam fragmentos.

Henry sabe que 20 de outubro significa alguma coisa. Também fica obcecado pela letra C, mas não consegue identificar Claire. Ele guarda pedaços desconectados de informações sobre Leathers, Bug, a profecia e um rei.

A série transforma sua memória em um quebra-cabeça no qual ele já não sabe quais peças são verdadeiras.

Uma lembrança de Julia resiste melhor. Henry recorda uma carta que nunca enviou à mãe do soldado Charlton, morto em Passchendaele, e também um momento dos dois com a câmera de Julia. Mesmo quando o resto se desfaz, o sentimento que tem pela esposa continua ali.

Há, porém, um problema histórico nessa parte do episódio.

O procedimento mostrado se parece claramente com a eletroconvulsoterapia. Só que o primeiro uso terapêutico de convulsões induzidas eletricamente em seres humanos ocorreu em 1938, em Roma. “Dia da Lembrança” se passa em 1924, 14 anos antes. Há registros bem anteriores de experiências e tratamentos envolvendo eletricidade, mas a técnica apresentada na série pertence a um período posterior.

Não é um detalhe pequeno, principalmente porque as sessões ocupam bastante tempo do episódio.

Brian e Ellen também precisam se separar

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A outra metade da história começa com Brian e Ellen escondidos enquanto as cruzes em chamas convocam os homens para a Revolta Jacobita.

Os dois sabem que a fuga não poderá continuar indefinidamente.

Brian jurou fidelidade ao pai como seu laird. Ignorar o chamado às armas poderia transformá-lo em desertor e condená-lo a uma vida inteira fugindo. Ellen também entende que os homens de seu próprio clã continuarão procurando por ela.

Antes de tomarem caminhos diferentes, os dois falam sobre o futuro que ainda querem construir. Brian imagina terras, uma casa e filhos. Ele chega a dizer que, caso morra na guerra, gostaria de ter deixado com Ellen uma parte dele.

Pouco depois, os dois fazem amor.

A frase de Brian sobre uma possível gravidez certamente não está ali por acaso, especialmente para quem já conhece a história da família Fraser em Outlander.

Murtagh interrompe o curto período de tranquilidade ao perceber homens MacKenzie se aproximando com cavalos e cães.

Ellen toma a decisão. Brian deve partir com Murtagh e voltar para Leathers. Ela ficará e permitirá que os MacKenzie a encontrem, pois acredita que seus próprios homens não irão feri-la.

Brian não gosta da ideia, mas aceita. Antes de partir, reafirma que Ellen será sua esposa.

A separação dos dois é voluntária, mas praticamente sem alternativa. O chamado às armas coloca Brian diante de consequências extremas caso simplesmente decida ignorá-lo.

Brian então retorna ao pai.

Lovat está entrando no conflito e manda o filho começar a recrutar homens. Brian deixa claro que obedecerá apenas porque fez um juramento como membro do clã, e não por afeição ou respeito pelo pai.

Julia assiste à discussão e percebe uma oportunidade.

Com muito cuidado, ela alimenta o orgulho de Lovat. Sugere que Brian talvez não seja a pessoa certa para convencer outros homens a seguir os Fraser e insinua que o próprio Lovat deveria acompanhá-lo para mostrar como essa tarefa deve ser feita.

O objetivo é bastante claro: Julia quer Lovat longe de Leathers.

Depois de voltar para o lugar do qual passou boa parte da primeira temporada tentando escapar, ela já começa a organizar uma nova saída. Davina é agora uma aliada ainda mais importante, pois sabe toda a verdade.

As duas passam a pensar em Maisri. Julia quer descobrir se a vidente sabe alguma coisa sobre Craigh na Dun e sobre a maneira correta de atravessar as pedras. Davina acredita que ela pode ajudar, mas será necessário trazê-la sem que Lovat descubra.

No Castelo Leoch, a situação também está longe de resolvida.

Colum e Dougal recebem Malcolm “Mac” Grant, tio do Malcolm morto no final da primeira temporada. Ele responsabiliza Ellen pelo que aconteceu com o sobrinho, enquanto Ned Gowan tenta construir uma versão mais conveniente dos fatos, segundo a qual Malcolm poderia ter morrido acidentalmente depois de beber.

Mac não compra a história.

Colum e Dougal então lembram que a morte de Malcolm também colocou o próprio Mac em posição de assumir a liderança dos Grant. A desconfiança está instalada, embora os dois lados precisem conter a hostilidade por causa da guerra.

Maura, agora casada com Dougal, também sofre com a morte do irmão.

A relação dos dois continua tomando um rumo curioso. Nenhum queria aquele casamento, mas Dougal demonstra cuidado ao encontrar Maura abalada. Ele se senta ao lado dela e segura sua mão, um gesto pequeno que dá continuidade à aproximação iniciada no casamento improvisado da primeira temporada.

Já Ellen recebe um tratamento muito diferente quando chega.

Colum a confronta por ter abandonado o casamento com Malcolm e, furioso, dá um tapa na irmã. Ellen tenta fazê-lo perceber que voltou voluntariamente e que tem algo importante a dizer, mas ele não quer ouvi-la.

Ela termina presa na capela de Leoch.

A escolha de separar Brian e Ellen outra vez é um dos pontos mais discutíveis do retorno. A primeira temporada já passou muito tempo impedindo os casais de ficarem juntos, e “Dia da Lembrança” recoloca os quatro protagonistas em caminhos separados praticamente de imediato.

Ao mesmo tempo, há uma diferença importante. Agora não existe mais apenas uma disputa entre famílias. A Revolta Jacobita começou e qualquer decisão tomada por Brian, Ellen, Julia ou Henry passa a acontecer dentro de um conflito muito maior.

Reverend Wakefield e Mrs. Graham mudam a situação de Henry

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Quando tudo parece perdido para Henry, Blood of My Blood faz sua conexão mais importante do episódio com a série original.

Um capelão visita o asilo.

Henry tenta usar a conversa para preservar o pouco que ainda consegue lembrar. Pede que ele anote Julia, Leathers, Bug, a profecia, o rei, a letra C e a data de 20 de outubro. Também menciona S.W.A.K., a sigla que ele e Julia usavam em suas cartas durante a Primeira Guerra.

Então o capelão diz seu nome: Reverend Wakefield.

É o mesmo personagem ligado à vida de Claire, Frank e Roger em Outlander, agora décadas mais jovem.

Wakefield leva para casa a história daquele homem encontrado perto de Craigh na Dun. Ao comentar o caso durante uma refeição, sua governanta imediatamente reage de maneira diferente.

Ela é Mrs. Graham.

A personagem também vem diretamente de Outlander. Ela conhece as histórias locais sobre desaparecimentos, fadas e o círculo de pedras, e não trata tudo isso simplesmente como delírio.

A aparição funciona especialmente bem porque não é apenas uma participação feita para os fãs reconhecerem. Os dois surgem justamente no ponto em que Henry precisa de alguém capaz de considerar a possibilidade de que ele esteja dizendo a verdade.

Mrs. Graham vai pessoalmente ao asilo.

Henry está muito pior. Admite que começa a perder as lembranças de Julia e já não tem certeza se algumas delas foram reais. Só existe uma coisa da qual ainda parece convencido: ele não acredita que poderia ter inventado o amor que sente por ela.

Mrs. Graham responde que acredita nele.

Ela acredita que Henry atravessou o tempo.

É a primeira pessoa em 1924 que não tenta convencê-lo de que a Escócia de 1715 só existe dentro de sua cabeça.

Henry imediatamente pergunta se ela pode ajudá-lo.

E é aí que o episódio termina.

Depois de uma hora em que quase todas as portas se fecham, esse encontro muda completamente a posição de Henry para o próximo capítulo. Julia também termina “Dia da Lembrança” com uma possível saída, já que pretende encontrar Maisri e descobrir mais sobre as pedras.

Os dois estão novamente separados por mais de 200 anos, mas agora procuram exatamente a mesma coisa: entender como Craigh na Dun funciona para encontrar um caminho de volta um para o outro.

A segunda temporada terá 10 episódios, com novos capítulos aos sábados no Disney+. Já havíamos detalhado como a nova separação de Henry e Julia seria central no início desta temporada, mas “Dia da Lembrança” mostra que o problema ficou ainda maior: Henry voltou à época certa, está perto da filha que procurava e, mesmo assim, já não consegue se lembrar dela.

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