
Andrew Garfield deixou de ser o principal Homem-Aranha dos cinemas há mais de uma década, mas o personagem continua aparecendo com frequência em suas entrevistas. A ligação aumentou ainda mais depois de seu retorno como Peter Parker em Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, ao lado de Tobey Maguire e Tom Holland.
Desde então, o ator já falou sobre a possibilidade de vestir novamente o uniforme e até revelou qual dos outros Homens-Aranha é o seu favorito. Desta vez, porém, Garfield voltou a uma discussão que começou muito antes de seu encontro com os outros dois Peter Parkers.
Em conversa com a Entertainment Weekly, publicada na noite de segunda-feira (31) nos Estados Unidos, o ator foi questionado sobre uma ideia que defendeu publicamente em 2013: a possibilidade de existir um Homem-Aranha gay nos cinemas. Treze anos depois, sua opinião permanece a mesma.
Garfield resumiu sua posição com uma frase simples: “Eu ainda acredito que qualquer pessoa pode estar naquele traje.”
Para o ator, uma das razões para o Homem-Aranha ter alcançado públicos tão diferentes está justamente na possibilidade de qualquer pessoa se imaginar sob a máscara. Garfield argumentou que, ao olhar para o herói completamente uniformizado, não é possível determinar cor da pele, gênero ou sexualidade de quem está por baixo.
Ele considera essa identificação uma parte essencial do personagem e defende que diferentes pessoas possam se enxergar como o Homem-Aranha.
A ideia de Garfield vem de 2013

A declaração não surgiu agora. Durante a divulgação de O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, Garfield já havia abordado o assunto em outra entrevista à Entertainment Weekly.
Ao lembrar daquela conversa, ele definiu sua manifestação na época como “um exercício de rebeldia pelo qual eu sentia paixão” e disse que continua pensando da mesma forma.
Em 2013, Garfield contou que havia conversado sobre o assunto com Matt Tolmach, produtor dos filmes do herói. Uma das ideias mencionadas pelo ator era mudar Mary Jane Watson para um personagem masculino e explorar a sexualidade de Peter Parker por outro caminho.
Garfield chegou a citar Michael B. Jordan como um ator que imaginava nesse tipo de história. Naquele momento, Jordan ainda não havia interpretado Erik Killmonger em Pantera Negra, papel que assumiria anos depois no Universo Cinematográfico da Marvel.
A discussão também mudou bastante desde aquela entrevista. Em 2022, os quadrinhos da Marvel apresentaram Web-Weaver, personagem chamado Cooper Coen que se tornou a primeira versão gay do Homem-Aranha apresentada pela editora. Criado pelo roteirista Steve Foxe e pelo artista Kris Anka, ele apareceu em Edge of Spider-Verse #5.
Isso, no entanto, é diferente de transformar Peter Parker em um personagem gay. O multiverso da Marvel permite que inúmeras versões dos heróis existam ao mesmo tempo, com identidades, histórias e características próprias.
Garfield não está revelando planos da Sony ou da Marvel

A distinção é especialmente importante porque a nova declaração pode facilmente ser interpretada fora de contexto.
Andrew Garfield não afirmou que sua versão de Peter Parker será gay, tampouco disse ter conhecimento de algum projeto da Sony Pictures ou da Marvel Studios com essa proposta. Até o momento, não existe anúncio de um filme que vá alterar a sexualidade de Peter Parker ou apresentar uma nova versão LGBTQIA+ do personagem.
O comentário representa apenas a opinião pessoal do ator sobre quem pode assumir a identidade do Homem-Aranha no futuro.
A discussão surge em um momento no qual a franquia já olha para o que poderá acontecer depois da atual fase de Tom Holland. O ator continua como Peter Parker após Homem-Aranha: Um Novo Dia, título oficial usado pela Sony Pictures no Brasil para Spider-Man: Brand New Day.
Holland também já falou publicamente sobre o dia em que outro ator assumirá o personagem e disse ter uma visão clara de como gostaria de “passar o bastão”. Isso não quer dizer que essa troca esteja próxima e muito menos que a declaração tenha qualquer relação com as ideias defendidas por Garfield.
Para Garfield, a questão é mais ampla. Sua defesa continua sendo a mesma de 2013: o traje e a máscara do Homem-Aranha permitem que pessoas muito diferentes se imaginem naquele papel. E, treze anos depois de ter levado essa ideia até um produtor da franquia, ele continua achando que não deveria existir uma limitação sobre quem pode estar por baixo da máscara.