
O Disney+ está se preparando para ficar bem diferente do serviço que os brasileiros conheceram quando a plataforma chegou ao país, em 2020. Aos poucos, o aplicativo deixou de ser apenas um catálogo de filmes e séries e passou a incorporar esportes, canais ao vivo, benefícios para assinantes e novas formas de descobrir conteúdo.
Agora, duas mudanças ainda maiores estão no caminho. Uma delas pode abrir as portas do Disney+ para quem não paga assinatura. A outra aproxima o streaming do formato popularizado por TikTok, Instagram Reels e YouTube Shorts.
As informações foram confirmadas por Juliana Oliveira, vice-presidente de Direct to Consumer do Disney+ Brasil na The Walt Disney Company, em entrevista ao Omelete.
A executiva confirmou que a Disney trabalha com uma opção gratuita de acesso ao Disney+ e prepara a chegada do Verts à América Latina. Por enquanto, porém, nenhuma das duas novidades tem data anunciada.
Disney+ prepara acesso gratuito no Brasil
A possibilidade de usar o Disney+ sem pagar já vinha sendo discutida nos Estados Unidos. A proposta mencionada envolve uma modalidade sustentada por publicidade e com uma seleção menor de conteúdos do que aquela oferecida aos assinantes.
Durante a entrevista, Juliana Oliveira foi questionada diretamente sobre a possibilidade de esse modelo também chegar ao Brasil. A resposta confirmou que os planos não estão restritos ao mercado norte-americano.
“Sim. Essa é a estratégia também, é uma estratégia global.”
A executiva explicou que ainda não sabe quando a plataforma com conteúdos gratuitos será disponibilizada. Portanto, embora a iniciativa esteja nos planos da Disney, a empresa ainda não informou quando ela começará a funcionar no Brasil nem quais títulos ficarão disponíveis gratuitamente.
Também não foram detalhados o número de anúncios, as limitações de reprodução, a qualidade máxima de vídeo, os dispositivos compatíveis ou a necessidade de criar uma conta Disney para ter acesso.
A novidade seria uma mudança importante na estrutura atual da plataforma. Hoje, o serviço possui três assinaturas no país: Padrão com anúncios, Padrão e Premium. Depois do reajuste mais recente do Disney+ no Brasil, os valores mensais passaram para R$ 29,90, R$ 49,90 e R$ 69,90, respectivamente.
O plano gratuito abriria uma quarta porta de entrada, desta vez sem cobrança mensal, embora com uma oferta reduzida em relação aos pacotes pagos.
A discussão acontece em um momento em que a Disney tenta ampliar o tempo que as pessoas passam dentro de seus próprios aplicativos. Em sua apresentação de resultados do terceiro trimestre fiscal de 2026, o CEO Josh D’Amaro afirmou que o Disney+ será o centro digital da estratégia da companhia e que a empresa pretende ampliar gradualmente os recursos disponíveis no serviço.
Verts também vai chegar à América Latina

A segunda confirmação é mais específica em relação à região.
O Verts, feed de vídeos verticais que já mostramos aqui no Guia Disney+ Brasil, começou a ser disponibilizado nos Estados Unidos em março de 2026.
Dentro do aplicativo para celulares, o recurso funciona de forma parecida com as redes sociais de vídeos curtos. O usuário toca no ícone do Verts e passa a deslizar por cenas e trechos de filmes e séries disponíveis no catálogo.
Ao encontrar algo interessante, é possível adicionar o título à lista ou iniciar a reprodução completa diretamente pelo Disney+. A própria Disney descreveu o lançamento norte-americano como a primeira etapa do desenvolvimento desse formato.
Desde então, o projeto ganhou uma nova frente. Em agosto, Disney e TikTok anunciaram um acordo que permitirá que criadores participantes produzam vídeos utilizando cenas, personagens e materiais de propriedades de Disney, Pixar, Marvel, Star Wars, FX e outras marcas.
Parte desses vídeos poderá aparecer tanto no TikTok quanto dentro do próprio Verts. O programa começa pelos Estados Unidos, com outros mercados previstos posteriormente.
Na entrevista ao Omelete, Juliana Oliveira confirmou que essa expansão inclui a América Latina.
“No futuro a gente também vai ter Verts.”
Ela acrescentou que ainda não pode informar quando o recurso será liberado na região, mas afirmou que ele está a caminho da América Latina.
Isso significa que o Brasil deverá receber não apenas os pequenos trechos oficiais de filmes e séries que fazem parte da primeira versão do Verts, mas também a expansão baseada em conteúdos produzidos por criadores participantes do acordo com o TikTok.
A Disney já havia reforçado essa direção durante a D23 de 2026. Executivos da companhia apresentaram os vídeos verticais como uma das ferramentas usadas para aproximar o Disney+ dos hábitos de consumo de públicos que passam boa parte do tempo no celular.
Disney+ está tentando ir além da assinatura tradicional
As duas iniciativas fazem parte de uma transformação mais ampla do Disney+.
Nos últimos meses, a empresa acrescentou canais ao vivo, ampliou a integração de esportes e passou a investir no Disney+ Benefícios, programa que oferece vantagens fora do streaming.
No Brasil, assinantes já receberam ofertas ligadas a Spotify, Cinemark, Renner, Mercado Livre e desconto mensal no McDonald’s, entre outras ações.
Segundo Juliana Oliveira, a empresa acompanha tanto a aquisição de novos clientes quanto a retenção de quem já paga pelo serviço. A executiva explicou que a Disney também analisa preço, formas de pagamento, conteúdo e recursos do aplicativo ao definir sua estratégia para o mercado brasileiro.
O acesso gratuito e o Verts atacam justamente outra parte dessa equação: pessoas que talvez não estejam dispostas a contratar mais uma assinatura, mas que podem entrar no ecossistema Disney por meio de vídeos curtos ou de uma seleção gratuita financiada por anúncios.
Por enquanto, a Disney não revelou quando essas novidades serão liberadas. O que está oficialmente confirmado é que o Verts está previsto para a América Latina e que a modalidade com conteúdos gratuitos faz parte da estratégia internacional da companhia, incluindo o Brasil.