O que acontece com a comida que sobra na Disney World? Sistema evita lixo e alimenta famílias

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Comida-Disney-World O que acontece com a comida que sobra na Disney World? Sistema evita lixo e alimenta famílias

Quem passa um dia no Walt Disney World provavelmente pensa em atrações, filas, personagens e restaurantes. O que quase ninguém vê é uma operação paralela que começa quando uma refeição não chega à mesa ou quando restos de alimentos precisam ser descartados.

Em um complexo com hotéis, parques temáticos, restaurantes, lanchonetes, cozinhas de produção e inúmeros pontos de venda de alimentos, qualquer pequena sobra pode se transformar em uma quantidade enorme no fim do dia. Por isso, reduzir o desperdício depende de muito mais do que simplesmente separar o lixo depois que os visitantes vão embora.

A estratégia começa antes mesmo de a comida ser preparada. As equipes calculam a quantidade esperada de refeições, aproveitam determinados ingredientes cultivados dentro da própria propriedade e separam aquilo que ainda pode ser consumido daquilo que já virou resíduo.

Quando sobra comida preparada em condições adequadas para consumo, ela pode seguir um destino bem diferente do aterro sanitário. Parte é encaminhada para organizações que atendem famílias da Flórida Central. O restante dos resíduos orgânicos pode entrar em processos como compostagem.

Comida preparada e não servida vai para doação

Um dos pilares desse sistema existe desde 1991. O Disney Harvest é uma parceria entre o Walt Disney World e o Second Harvest Food Bank of Central Florida para recolher alimentos excedentes e encaminhá-los a instituições da região.

O programa recolhe alimentos em mais de 400 locais do complexo e trabalha com nove organizações sem fins lucrativos da Flórida Central. Em 2021, o Walt Disney World doou aproximadamente 249 mil kg de alimentos preparados excedentes por meio do Disney Harvest.

Nos anos seguintes, o trabalho continuou em grande escala. Em 2024, o programa forneceu alimentos equivalentes a mais de 600 mil refeições para pessoas atendidas pelas organizações participantes.

A diretora de Relações Externas do Walt Disney World, Tajiana Ancora-Brown, explicou em uma publicação da Disney Experiences por que esse trabalho recebe atenção especial.

“O acesso a alimentos seguros, saudáveis e acessíveis é uma necessidade crítica enfrentada pela comunidade da Flórida Central.”

Além da distribuição de alimentos, a Disney destinou US$ 450 mil em subsídios durante 2024 e 2025 para organizações que trabalham no combate à fome e à insegurança alimentar.

A lógica do Disney Harvest parece simples, mas depende de controles rigorosos. O alimento precisa estar em condições apropriadas para consumo e não pode ser confundido com restos deixados nos pratos. Trata-se principalmente de comida preparada que não chegou a ser servida.

O chef Michael Gonsalves, do Walt Disney World Resorts, explicou a filosofia por trás do sistema em entrevista ao World of Walt.

“Nos Parques Disney, estamos comprometidos em reduzir o desperdício de alimentos, com o objetivo de não enviar resíduos para aterros sanitários. Elevar o nível da qualidade e da inovação dos alimentos é uma coisa, mas o mais importante é considerar nossa pegada de carbono e seus efeitos no mundo.”

O Disney Harvest cria, portanto, uma segunda etapa para alimentos que poderiam acabar descartados. Em vez de seguirem diretamente para o lixo, produtos preparados e ainda seguros para consumo são separados e redistribuídos.

E o que acontece com a comida que não pode ser doada?

Nem todo alimento pode voltar para a cadeia de consumo humano. Cascas, restos da preparação das refeições e comida descartada pelos visitantes precisam seguir outro caminho.

No Walt Disney World, resíduos alimentares apropriados para esse processo são encaminhados para uma instalação comercial de compostagem fora da propriedade. Ali, a matéria orgânica é transformada em composto que pode ser utilizado como fertilizante na agricultura e em áreas verdes.

Os números ajudam a mostrar a escala dessa operação. Em 2021, cerca de 6,8 milhões de kg de resíduos alimentares do Walt Disney World foram destinados à compostagem.

No ano seguinte, o volume praticamente dobrou. Em 2022, aproximadamente 13,6 milhões de kg de resíduos alimentares foram compostados.

O material produzido pode voltar para a própria cadeia agrícola. O composto rico em nutrientes é utilizado como fertilizante em propriedades rurais, incluindo áreas ligadas ao Walt Disney World e fazendas externas.

Há ainda um trabalho anterior ao descarte. A Disney afirma que suas equipes planejam os cardápios com base na previsão do número de refeições que deverão ser servidas naquele dia. Quanto mais precisa for essa estimativa, menor é a quantidade de ingredientes e pratos preparados sem necessidade.

Alguns restaurantes também aproveitam ingredientes produzidos dentro da própria propriedade. No pavilhão The Land, no EPCOT, vegetais cultivados no local podem chegar às refeições servidas aos visitantes.

O tratamento dos resíduos não depende apenas dos funcionários. A Disney também utiliza personagens e atividades voltadas às crianças para incentivar a separação correta de restos de alimentos em recipientes específicos.

Parte dos resíduos que atende aos critérios necessários pode ser utilizada na alimentação de animais de fazenda. Outros restos seguem para compostagem comercial.

Essa preocupação com o descarte aparece até em decisões bem mais simples dentro dos parques. Um exemplo é a ausência de venda de chicletes nos parques da Disney, medida que ajuda a evitar um tipo de resíduo particularmente difícil de remover de pisos, bancos e outras superfícies.

A Disney quer chegar a 90% de desvio dos aterros

A expressão “zero waste to landfill”, usada pela Disney em suas metas ambientais, merece uma explicação importante.

Ela não significa literalmente que nenhum resíduo será produzido. Pelos critérios estabelecidos pela companhia, alcançar esse objetivo corresponde a conseguir desviar pelo menos 90% dos resíduos operacionais dos aterros sanitários em seus parques, resorts e operações próprias.

A Disney estabeleceu 2030 como referência para atingir essa meta. O trabalho envolve diversas frentes, entre elas redução do desperdício, reciclagem, doação de alimentos e reaproveitamento de resíduos orgânicos.

A evolução pode ser observada nos números divulgados pela companhia. Em 2015, aproximadamente 49% dos resíduos das operações abrangidas pela meta eram desviados dos aterros. Em 2025, o índice chegou a cerca de 60%. Isso significa que a Disney avançou, mas ainda precisa aumentar consideravelmente esse percentual para alcançar os 90% definidos para 2030.

No caso específico dos alimentos, evitar o desperdício começa antes da lixeira. Planejar melhor a quantidade preparada ocupa uma posição central porque impede que alimentos se transformem em resíduos desde o início.

Quando existe excedente próprio para consumo, entra em ação o Disney Harvest. Quando o alimento já não pode mais ser servido, entram alternativas como alimentação animal e compostagem.

A iniciativa também faz parte de um esforço maior nos Estados Unidos. Em 2015, a Agência de Proteção Ambiental norte-americana, a EPA, estabeleceu uma meta nacional de reduzir pela metade a perda e o desperdício de alimentos até 2030.

No Walt Disney World, isso resulta em uma operação que continua mesmo depois que restaurantes fecham as portas e os visitantes deixam os parques. Uma refeição preparada e não servida pode acabar na mesa de uma família da Flórida Central, enquanto toneladas de restos orgânicos que não podem ser consumidos ganham outra finalidade antes de chegar a um aterro sanitário.

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