
Desde que Os Incríveis 2 chegou aos cinemas em 2018, os fãs da franquia da Pixar esperam por novidades sobre um terceiro filme. A espera já passa de sete anos, e boa parte do público sempre teve o mesmo pedido em mente: ver Violeta adolescente, Flecha mais velho e o pequeno Zezé crescido, já que tanto tempo se passou entre um filme e outro na vida real.
Esse desejo parece ainda mais lógico quando se lembra que Os Incríveis 3 só deve chegar aos cinemas em 16 de junho de 2028, mais de uma década depois da sequência anterior. Para muitos, um salto temporal dentro da história seria a solução perfeita para acompanhar o crescimento dos personagens.
Brad Bird, criador da franquia, discorda completamente dessa ideia. Em entrevista concedida ao The Direct, o roteirista e produtor executivo de Os Incríveis 3 explicou por que envelhecer Flecha, Violeta e Zezé destruiria justamente o que torna esses personagens especiais.
Segundo Bird, cada membro da família Pêra representa uma fase distinta da vida, e é isso que dá sentido aos poderes de cada um. Zezé, o caçula, funciona como símbolo do próprio mistério da infância: assim como ninguém sabe o que uma criança vai se tornar, ninguém sabe quais das dezenas de poderes do bebê vão se manifestar em cada momento.
O mesmo raciocínio vale para os demais. Flecha, com sua velocidade e energia sem fim, remete à agitação típica das crianças de 10 anos. Violeta, com invisibilidade e escudos de força, traduz a insegurança e o desejo de passar despercebida que marca a adolescência. Já a elasticidade de Helena e a força de Beto simbolizam, respectivamente, a mãe puxada em mil direções e o pai que precisa ser o pilar da casa.
Para Bird, tirar essa camada simbólica dos personagens em nome de deixá-los mais velhos seria um desperdício. O cineasta reconhece que existe um pedido recorrente dos fãs indo nessa direção, mas rejeita a lógica por trás dele: envelhecer os heróis não vai deixá-los mais descolados, mais legais ou mais parecidos com os adultos que assistem ao filme.
Vale lembrar que, apesar dos 14 anos entre o lançamento de Os Incríveis (2004) e Os Incríveis 2 (2018), a história do segundo filme começa segundos depois do fim do primeiro, ainda durante o confronto com o Escavador. Não seria surpresa se Os Incríveis 3 repetisse a fórmula e desse sequência direta ao momento em que Violeta abandona um encontro no cinema com Tony Rydinger para entrar numa perseguição em alta velocidade ao lado da família.
Sohn assume a direção, e Bird foca em outro projeto autoral
A entrevista também reforça uma mudança já conhecida dos fãs mais atentos. Quem dirige Os Incríveis 3 não é mais Brad Bird, responsável pela direção e pelo roteiro dos dois primeiros filmes. A cadeira agora pertence a Peter Sohn, o mesmo nome por trás de Elementos. Bird segue no projeto como roteirista e produtor executivo, mas cedeu o comando porque está ocupado com outra produção que carrega havia décadas.
Trata-se de Ray Gunn, um suspense policial de ficção científica com estética retrô que estreia direto na Netflix em 18 de dezembro. A data coincide com a estreia nos Estados Unidos de Vingadores: Doutor Destino e Duna: Parte 3, embora Ray Gunn siga como exclusividade do streaming, sem passagem pelos cinemas.
A ideia original de Ray Gunn nasceu ainda nos anos 1990, quando Bird trabalhava no que depois se tornaria O Gigante de Ferro, seu primeiro longa como diretor, lançado em 1999. O projeto ficou engavetado por décadas até ser retomado agora pela Skydance Animation.
O elenco de vozes de Ray Gunn reúne nomes conhecidos de Hollywood:
- Sam Rockwell (Homem de Ferro 2), como o detetive particular Ryamond Gunn
- Scarlett Johansson (Viúva Negra), como a estrela pop Venus Nova
- Tom Waits
- Patton Oswalt
- Kathryn Hunter
- John Ratzenberger
- Jamie Costa
A trilha sonora fica por conta de Michael Giacchino, compositor de Batman. Na história, Ryamond Gunn é contratado por Venus Nova para investigar um escândalo que ameaça a carreira e a vida da cantora.
Enquanto Ray Gunn se aproxima da estreia, Os Incríveis 3 segue em desenvolvimento na Pixar, com uma prévia recente trazendo um pôster com referências a Zootopia. Os fãs da família Pêra, ao que tudo indica, vão precisar de mais paciência, e aceitar que Flecha, Violeta e Zezé continuarão exatamente como eram.