Disney demite centenas de funcionários e Pixar sofre seu maior corte em dois anos

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A Disney iniciou uma nova rodada de demissões nesta terça-feira (21), apenas algumas semanas depois de realizar outros cortes importantes em diferentes áreas da companhia. Desta vez, a Pixar aparece entre as divisões mais afetadas.

A situação chama atenção pelo momento vivido pelo estúdio. Enquanto Toy Story 5 se aproxima da marca de US$ 1 bilhão nas bilheterias mundiais, dezenas de profissionais estão deixando a empresa responsável por algumas das maiores franquias da animação.

Os cortes, porém, não estão restritos à Pixar. Funcionários de diferentes áreas da Disney foram dispensados, entre elas operações corporativas, ESPN, Disney Entertainment Television e Disney Studios.

De acordo com o TheWrap, várias centenas de funcionários foram afetados em toda a companhia, enquanto aproximadamente 150 postos de trabalho foram eliminados somente na Pixar. Dentro da divisão de estúdios, a empresa de animação teria sido a mais atingida.

Um porta-voz da Disney explicou que as mudanças fazem parte de uma revisão constante da forma como a companhia distribui seus recursos.

“Essas mudanças fazem parte da nossa avaliação contínua sobre como administramos recursos e reinvestimos em toda a empresa, à medida que nosso setor continua evoluindo.”

Pixar enfrenta maior rodada de demissões desde 2024

Os aproximadamente 150 cortes representam a maior redução de pessoal na Pixar desde o verão norte-americano de 2024.

Naquela ocasião, o estúdio também passou por uma ampla reestruturação. Um dos fatores apontados foi a mudança de estratégia do Disney+, que passou a exigir menos produções animadas exclusivas da Pixar para alimentar o catálogo do streaming.

Curiosamente, o novo cenário acontece durante uma fase comercialmente muito positiva para uma das principais franquias do estúdio.

Toy Story 5 já ultrapassou US$ 957 milhões em bilheteria mundial e está muito perto de entrar para o grupo de produções que superaram US$ 1 bilhão nos cinemas.

Dois anos antes, Divertida Mente 2 também havia alcançado números extraordinários. O longa lançado em 2024 arrecadou aproximadamente US$ 1,69 bilhão mundialmente e se tornou o filme de maior bilheteria da história da Pixar.

O sucesso dessas franquias, no entanto, convive com resultados bem diferentes entre as produções originais recentes do estúdio.

Cara de Um, Focinho de Outro, lançado em 2026, arrecadou aproximadamente US$ 389,5 milhões em todo o mundo, diante de um orçamento de produção estimado em US$ 150 milhões. Segundo a reportagem, pessoas próximas à situação apontam o desempenho comercial do filme como um dos fatores considerados na nova redução de custos.

Apesar da boa recepção entre público e crítica, a receita teria ficado um pouco abaixo do necessário para que a produção atingisse o ponto de equilíbrio dentro dos padrões financeiros normalmente utilizados em Hollywood.

Antes dele, a Pixar enfrentou dificuldades ainda maiores com Elio. O longa de 2025 teve um orçamento final estimado em cerca de US$ 200 milhões e arrecadou aproximadamente US$ 154 milhões nos cinemas.

Disney busca reduzir custos de suas produções

As demissões fazem parte de um movimento mais amplo dentro da Disney sob a administração de Josh D’Amaro.

Em abril, outra rodada de cortes eliminou cerca de mil postos de trabalho em diferentes divisões. Entre as áreas atingidas estavam departamentos ligados à Marvel Studios, publicidade, marketing e distribuição de entretenimento doméstico.

Em um memorando enviado anteriormente aos funcionários, D’Amaro explicou a estratégia adotada pela companhia:

“Nos últimos meses, analisamos maneiras de simplificar nossas operações em diferentes partes da empresa para garantir que continuemos oferecendo a criatividade e a inovação que nossos fãs valorizam e esperam da Disney.”

O executivo acrescentou que as rápidas mudanças enfrentadas pelo setor exigem uma revisão constante da estrutura da companhia e de suas necessidades futuras.

“Como resultado, eliminaremos funções em algumas áreas da empresa e já começamos a notificar os funcionários afetados.”

No caso específico da Pixar, uma das questões centrais parece ser o custo das produções originais.

A avaliação é de que o estúdio precisa produzir filmes, principalmente novas propriedades intelectuais, com orçamentos mais competitivos. A diferença entre os resultados de franquias estabelecidas e títulos inéditos tornou esse desafio ainda mais evidente.

Entre os profissionais que deixaram a Pixar está Rej Bourdages, veterano da indústria com passagens por DreamWorks, Aardman e Walt Disney Animation Studios. Ele trabalhava no estúdio havia quase 15 anos e acumulava uma carreira que remonta a Uma Cilada para Roger Rabbit.

Mesmo com a redução no quadro de funcionários, a Pixar mantém vários projetos importantes no calendário.

Em 2027, o estúdio planeja lançar Gatto, novo filme dirigido por Enrico Casarosa, de Luca. Para 2028, estão previstos outro projeto original e Os Incríveis 3, com direção de Peter Sohn e roteiro de Brad Bird.

A combinação entre esses projetos mostra a estratégia que a Pixar terá de administrar nos próximos anos: continuar explorando personagens e franquias que já demonstraram enorme força comercial enquanto tenta encontrar uma forma financeiramente mais sustentável de colocar novas histórias nos cinemas.

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