
Poucos filmes da Pixar deixam aquela sensação de que o público voltaria com prazer ao mesmo universo, mesmo sem uma continuação planejada. Ratatouille é um desses casos.
Lançado em 2007, o filme transformou uma premissa improvável em uma das histórias mais queridas do estúdio: um rato apaixonado por gastronomia que sonha em cozinhar em Paris. Quase duas décadas depois, Remy ainda aparece em memes, atrações de parques, produtos oficiais e lembranças afetivas de quem cresceu com a animação.
Por isso, não surpreende que a pergunta sobre Ratatouille 2 volte de tempos em tempos. Afinal, a própria Pixar tem revisitado várias de suas marcas mais fortes, de Toy Story a Os Incríveis, além de continuações como Procurando Dory e a futura sequência de Viva: A Vida é uma Festa.
Mas, no caso de Remy, o caminho parece bem mais fechado. Brad Bird, diretor de Ratatouille, deixou claro que não tem interesse em continuar a história, mesmo com a Pixar já tendo sondado essa possibilidade ao longo dos anos.
Brad Bird não quer fazer Ratatouille 2
Em entrevista ao Collider, Brad Bird foi direto ao responder se gostaria de tirar Ratatouille 2 do papel.
“Não, eu não quero”, disse o diretor.
Segundo ele, executivos da Pixar já tentaram testar sua reação sobre uma possível continuação. A abordagem, porém, nunca passou de comentários em tom de brincadeira, ainda que com uma intenção clara por trás.
“Eles já fizeram pequenas sondagens para ver como eu reagiria. Soltam uma piada, mas a piada vem com um pouco de seriedade, tipo: ‘Você faria?’ E eu respondo: ‘Não, nós já contamos essa história’.”
Para Bird, o fato de um filme ter se conectado com o público não significa que ele precise ganhar uma sequência. O diretor explicou que essa cobrança também surgiu em relação a O Gigante de Ferro, outra animação bastante admirada de sua carreira.
“Sempre que você faz algo que se conecta com as pessoas, elas automaticamente pensam: ‘Que tal outro?’ Já falaram isso sobre O Gigante de Ferro, o que é engraçado para mim, porque o filme não foi nada bem no lançamento original. Ele foi alcançando seu espaço com o tempo, mas o que você faria depois? Ele sairia andando por aí, ainda sem ser descoberto? Em outras palavras, para mim, aquela história está contada.”
A visão de Bird é simples: algumas histórias funcionam justamente porque chegam a um ponto final. No caso de Ratatouille, ele parece enxergar o arco de Remy, Linguini, Colette e Anton Ego como algo fechado, sem necessidade de um novo capítulo apenas por nostalgia ou pressão comercial.
Patton Oswalt toparia voltar como Remy
A fala de Brad Bird veio pouco depois de Patton Oswalt, voz original de Remy, reacender a esperança dos fãs. Em participação no podcast Obsessed, do The Daily Beast, o ator disse que adoraria voltar ao papel, mas com uma condição importante: Bird precisaria estar envolvido.
“Obviamente, eu adoraria se existisse uma continuação de Ratatouille. Então, se ele tiver uma ideia, é essa que eu quero fazer.”
Oswalt também deixou claro que não quer ver uma sequência criada apenas a partir de uma reunião de ideias forçadas. Para ele, a continuação só faria sentido se surgisse de um conceito forte o bastante para justificar a volta.
“Eu não quero ser o cara dizendo: ‘E se Remy fizesse isso?’ Quero que seja uma daquelas ideias das quais você não consegue escapar. Não quero que venha de nós dizendo: ‘Certo, vamos pegar os blocos de notas e montar uma continuação’. Muitos filmes são feitos assim, e sempre fica com cara de algo pouco natural.”
Mesmo com o entusiasmo do ator, a posição de Brad Bird torna a chance de Ratatouille 2 bastante improvável no momento. A Pixar até poderia seguir sem ele, como já aconteceu em outras franquias, mas o próprio Oswalt parece considerar a presença do diretor algo essencial.
Ratatouille segue como um dos grandes sucessos da Pixar

Ratatouille chegou aos cinemas em 2007 e foi um grande sucesso para a Pixar. A animação acompanha Remy, um rato com olfato refinado e paixão pela culinária, que encontra uma chance inesperada de cozinhar em um restaurante de Paris ao se aliar ao jovem Linguini.
O filme arrecadou US$ 623 milhões nas bilheterias mundiais e terminou como a sexta maior bilheteria de 2007. Também recebeu indicações ao Oscar nas categorias de trilha sonora original, edição de som, mixagem de som e roteiro original.
Mesmo sem continuação, Ratatouille continuou presente na cultura pop. A produção ganhou força entre novas gerações, inspirou experiências em parques da Disney e se manteve como uma das animações mais lembradas do estúdio fora das grandes franquias.
A recusa de Brad Bird chama atenção justamente em um momento em que a Pixar tem apostado com frequência em retornos a universos já amados pelo público. Toy Story 5 já chegou aos cinemas, Os Incríveis 3 está em desenvolvimento e Viva: A Vida é uma Festa 2 também está no caminho.
Diretor trabalha em Os Incríveis 3 e prepara novo filme na Netflix
Embora não queira voltar ao mundo de Ratatouille, Brad Bird não se afastou da Pixar. O diretor está desenvolvendo Os Incríveis 3, nova sequência da família de super-heróis que ele criou para o estúdio.
Seu projeto mais recente, porém, foi feito fora da Pixar. Bird trabalha em Ray Gunn, uma animação noir produzida pela Skydance Animation, com lançamento previsto pela Netflix ainda este ano.
Em entrevista ao IndieWire, o cineasta explicou que decidiu não apresentar o projeto à Pixar porque queria atingir um público um pouco diferente.
“O público da Pixar é amplo, e eu adoro isso. Também adoro trabalhar com a Pixar. Eu queria fazer algo com um sabor um pouco diferente, e foi por isso que não apresentei esse filme lá. Porque eles têm o caminho deles, e eu consigo trabalhar nesse caminho, mas não vejo esse filme seguindo por ele. Queria mirar em um público um pouco mais velho. Não muito mais velho, adolescentes já está ótimo. Mas fazer algo um pouco mais adulto e maior.”
Com isso, Ratatouille 2 segue como uma daquelas continuações que muitos fãs gostariam de ver, mas que seu principal criador prefere deixar no campo da imaginação. Para Brad Bird, Remy já teve sua grande história.