
Depois de anos acompanhando June em The Handmaid’s Tale, qualquer continuação ambientada em Gilead carrega uma expectativa pesada. O público não olha apenas para os novos personagens, mas também para tudo o que veio antes.
É justamente por isso que a presença de Elisabeth Moss em Os Testamentos: Das Filhas de Gilead chama tanta atenção. Além de aparecer novamente como June na primeira temporada, a atriz também atua como produtora executiva da série derivada.
Mas, para Moss, a chegada de Chase Infiniti, Lucy Halliday, Mattea Conforti e Rowan Blanchard não deveria ser tratada como uma simples sucessão. Ela não queria que as atrizes repetissem o caminho aberto por June.
Durante um painel do Vulture Fest no Tribeca Festival, realizado no sábado, 13 de junho, Elisabeth Moss explicou que nunca se viu no papel de alguém que precisava ensinar o novo elenco a carregar esse universo nas costas, segundo a People.
Elisabeth Moss não queria “passar a tocha”
Ao falar sobre sua relação com as jovens atrizes de Os Testamentos: Das Filhas de Gilead, Moss disse que muitas pessoas perguntam o que ela teria ensinado ao novo elenco da franquia.
A resposta, porém, foi bem diferente do que alguns fãs poderiam imaginar.
“É engraçado, porque existe uma sensação de passar a tocha para a próxima geração. Me perguntam bastante: ‘O que você ensinou a essas meninas? O que você passou adiante?’ E eu sempre digo que, para mim, eu não queria passar a tocha. Eu queria que elas acendessem uma nova. Não era sobre isso.”
A atriz, hoje com 43 anos, destacou que as novas protagonistas já chegaram ao set sabendo exatamente o que estavam fazendo. Para ela, trabalhar com esse elenco não foi tão diferente de atuar ao lado de nomes veteranos, como Ann Dowd.
“Elas são profissionais. Elas sabem o que estão fazendo ali. Não foi diferente de trabalhar com Ann Dowd. Eu não senti que precisava ensinar nada a elas.”
A fala ajuda a entender como Os Testamentos: Das Filhas de Gilead tenta se posicionar. A série parte do mesmo universo de The Handmaid’s Tale, mas não quer apenas repetir o olhar de June sobre Gilead.
Uma continuação com outro ponto de vista
Moss também explicou que havia o cuidado de não interferir demais no que o novo elenco poderia trazer para a série. Para ela, parte da força da produção estava justamente na possibilidade de mostrar algo diferente.
“De certa forma, você também não quer mexer no frescor daquilo. Acho que uma das coisas que nos deixaram animados foi a ideia de querer algo um pouco novo. Sem ofensa a mim mesma, mas nós assistimos a The Handmaid’s Tale por um tempo, foi ótimo, e talvez esteja na hora de fazer algo um pouco novo.”
A atriz contou que, nos bastidores, as conversas com o elenco eram mais voltadas ao ofício da atuação do que a qualquer tipo de “aula” sobre como viver personagens de Gilead.
“Nós só tivemos conversas de atores, conversas profundas de atores.”
Baseada no livro lançado por Margaret Atwood em 2019, Os Testamentos: Das Filhas de Gilead acompanha uma nova geração dentro desse universo. Essa mudança de perspectiva foi um dos motivos que fizeram Moss acreditar que a história ainda valia ser contada.
Segundo ela, The Handmaid’s Tale já havia explorado aquele mundo por um ângulo muito específico. A nova série surge com outra pergunta no centro, especialmente ao olhar para personagens mais jovens.
“A gente meio que bateu nessa tecla por um ângulo só, e isso seguiu o caminho que seguiu. Foi ótimo, foi terrível, houve coisas que exploramos. Então, como continuar sacudindo a árvore? Como continuar perguntando: por que estamos fazendo isso de novo? Por que estamos aqui? Por que continuamos cometendo os mesmos erros?”
A visão adolescente muda o tom de Os Testamentos
Para Elisabeth Moss, o ponto de vista adolescente de Os Testamentos: Das Filhas de Gilead traz uma energia que a equipe buscava depois de uma década mergulhada em The Handmaid’s Tale.
Ela afirmou que essa abordagem é “mais esperançosa”, algo que os envolvidos na série também queriam encontrar depois de tanto tempo acompanhando a dureza da trajetória de June.
Moss ainda fez questão de deixar claro que continua profundamente envolvida com esse universo. Durante o painel, ela se definiu como a maior fã do mundo criado por Margaret Atwood na televisão.
“Eu sou, de fato, a maior fã do mundo de The Handmaid’s Tale. Sou mesmo. Eu vou defender isso.”
Para a atriz, voltar a Gilead de alguma forma ainda tem força, especialmente porque há muitos personagens e histórias que podem ser explorados por outros caminhos.
“Para mim, só a ideia de ver qualquer um desses personagens continuar, de saber mais sobre qualquer pessoa, de ver esse mundo seguir de alguma forma, é muito empolgante.”
A primeira temporada completa de Os Testamentos: Das Filhas de Gilead está disponível no Disney+. A série já está renovada para a segunda temporada.