Disney+ cresce no Ibope e deixa HBO Max para trás no Brasil

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O mercado de streaming no Brasil continua longe de ser uma disputa simples entre catálogos famosos. Na prática, o tempo do público se divide entre TV aberta, TV paga, YouTube, TikTok, Netflix, Prime Video, Globoplay e outras plataformas que brigam por minutos de atenção todos os dias.

Dentro desse cenário, pequenos avanços podem dizer bastante. Quando um serviço que vinha aparecendo nas últimas posições começa a subir de forma consistente, o dado merece atenção, principalmente em um setor no qual retenção, frequência de uso e força de catálogo pesam tanto quanto número de assinantes.

Foi o que aconteceu com o Disney+ em maio de 2026. Segundo os dados mais recentes do Ibope, o streaming da Disney registrou 0,6% de share de audiência em todos os dispositivos, seu melhor índice no ano até aqui, e abriu vantagem sobre a HBO Max, que fechou o mês com 0,3%.

A medição considera o consumo domiciliar de vídeo em TVs, celulares, tablets e computadores, dentro da solução Cross Platform View, do Ibope. A amostra reúne domicílios em 15 regiões metropolitanas, incluindo Grande São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Belém e Manaus.

Disney+ cresce e deixa HBO Max para trás

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Em maio, o Disney+ ficou com 0,6% de participação no consumo total de vídeo medido pelo Ibope. O número ainda é baixo diante dos líderes do mercado, mas representa um avanço importante para a plataforma, que vinha acumulando meses nas últimas posições.

A HBO Max, por outro lado, caiu para 0,3% e ficou isolada na lanterna entre os principais serviços listados. A distância entre as duas plataformas dobrou, mesmo com a Warner Bros. Discovery tentando reposicionar a marca nos últimos anos.

A plataforma voltou a se chamar HBO Max em julho de 2025, depois de um período como Max. A mudança buscou recolocar a força da marca HBO no centro da comunicação do serviço, após a empresa perceber que os usuários estavam consumindo mais produções premium e menos conteúdos ligados ao catálogo de realities e lifestyle da Discovery.

No recorte de maio de 2026, a hierarquia entre as plataformas ficou assim:

YouTube: 21,5%
Netflix: 5,4%
TikTok: 5,3%
Globoplay: 1,7%
Prime Video: 1,2%
Disney+: 0,6%
HBO Max: 0,3%
Outras plataformas: 0,8%

O dado mostra que o Disney+ ainda está distante de Netflix, Prime Video e Globoplay, mas a tendência recente é favorável. Em janeiro, os números da Kantar Ibope apontavam o Disney+ com 0,3% do consumo total de vídeo, atrás da HBO Max, que aparecia com 0,5%.

Ou seja, em poucos meses, as posições se inverteram.

YouTube e Netflix seguem muito à frente

Apesar da melhora do Disney+, o domínio do YouTube continua sendo o ponto mais forte do levantamento. A plataforma fechou maio com 21,5%, bem acima de qualquer serviço de streaming por assinatura.

A Netflix veio em seguida entre os serviços pagos, com 5,4%, quase empatada com o TikTok, que registrou 5,3%. O Prime Video ficou com 1,2%, enquanto o Globoplay caiu para 1,7%, seu menor índice no ano, depois de ter alcançado 2,2% entre fevereiro e março.

Esse recorte ajuda a entender por que a briga por audiência não se resume à quantidade de assinantes. Plataformas gratuitas ou híbridas, como YouTube e TikTok, ocupam um espaço enorme no consumo diário de vídeo, enquanto os streamings pagos disputam uma fatia bem menor do tempo total do público.

No fim de 2025, o vídeo online já representava 37,2% do consumo em domicílios no Brasil, contra 62,8% da TV linear. Naquele momento, o YouTube tinha 21,6%, a Netflix aparecia com 5,6% e o TikTok com 5%.

Em maio de 2026, o vídeo online ficou em 36,8%, enquanto a TV linear registrou 63,2%.

TV paga alcança melhor patamar do ano

A TV linear teve pequena queda em relação ao mês anterior, mas ainda manteve ampla liderança no consumo total de vídeo. A TV aberta respondeu por 55,3%, enquanto a TV paga chegou a 7,9%, seu maior patamar em 2026.

Esse dado chama atenção porque a TV paga vinha sofrendo forte pressão nos últimos anos com o avanço dos serviços de streaming. Mesmo assim, em maio, ela foi decisiva para segurar a participação da TV linear no levantamento.

A metodologia do Ibope também ajuda a explicar a amplitude do estudo. O Cross Platform View combina dados de TV linear e vídeo online, com uso de tecnologias como o peoplemeter DIB 6 e o Focal Meter, equipamento capaz de medir consumo de vídeo nas telas conectadas à internet doméstica, sem considerar banda larga móvel.

Na prática, isso torna o levantamento mais abrangente do que uma simples lista de assinantes. Ele mede o tempo real de consumo de vídeo no ambiente domiciliar, o que dá uma visão mais próxima do comportamento do público.

Disney+ tenta transformar catálogo em frequência de uso

Para o Disney+, o avanço no Ibope vem em um momento no qual a empresa vem tratando streaming como uma peça cada vez mais central do negócio. Em comunicado oficial no balanço financeiro do início do ano, a Disney destacou que suas plataformas de streaming tiveram bons resultados recentes e citou a força de seus conteúdos de cinema e televisão como parte importante da estratégia.

A empresa também informou que sete dos dez programas mais assistidos nos Estados Unidos em 2025, segundo a Nielsen, estiveram no Disney+ ou no Hulu. Além disso, Bluey foi a série mais transmitida no país pelo segundo ano seguido, com 45 bilhões de minutos assistidos.

No Brasil, o desafio é diferente. O Disney+ precisa converter marcas fortes, como Disney, Pixar, Marvel, Star Wars, National Geographic, Hulu e produções asiáticas, em uso frequente. O número de maio não coloca a plataforma perto dos líderes, mas mostra que ela conseguiu sair da posição mais desconfortável do ranking.

A melhora também acontece em um período no qual a indústria passou a olhar menos para assinantes e mais para rentabilidade, engajamento e tempo de uso. A própria Disney anunciou que deixaria de divulgar números individuais de assinantes de Disney+, Hulu e ESPN+ em seus relatórios trimestrais, ao seguir uma mudança parecida com a feita pela Netflix.

No fim das contas, o índice de maio mostra um Disney+ ainda pequeno no share total de vídeo, mas em recuperação. Para uma plataforma que passou meses atrás da HBO Max, chegar a 0,6% e abrir vantagem sobre a rival é um sinal de que a disputa pelas últimas posições do ranking mudou de direção.

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