
O universo de Alien nunca precisou de muito esforço para causar desconforto. Basta um corredor escuro, um ruído fora de hora e a sensação de que algo está vivo onde não deveria. Mesmo assim, Alien: Earth conseguiu levar esse terror para um território diferente ao trocar o isolamento espacial por um planeta inteiro em risco.
A primeira temporada da série do Disney+ colocou a Terra no centro do pesadelo. A história se passa dois anos antes do filme original de 1979 e acompanha as consequências da queda de uma nave de pesquisa intergaláctica carregada de espécies extraterrestres perigosas.
Mas, pelo visto, aquilo foi só o começo.
Timothy Olyphant, intérprete do sintético Kirsh, indicou que a segunda temporada de Alien: Earth vai seguir por um caminho ainda mais bizarro. Em entrevista à Empire Magazine, o ator disse que já leu os seis primeiros episódios do novo ano e adiantou que a série criada por Noah Hawley vai abraçar ainda mais sua estranheza.
“Aqui está o que posso dizer: a coisa vai ficar estranha. Eu li os seis primeiros episódios e eles são muito, muito, muito bons. É Noah Hawley no seu melhor. Personagens surpreendentes, um mundo rico. Sinto que a série amadureceu e virou uma história realmente dinâmica, relevante, urgente, engraçada e perturbadora.”
A nova fase de Alien: Earth amplia o caos da primeira temporada
A primeira temporada de Alien: Earth já havia mostrado que a série não queria se limitar ao Xenomorfo clássico. A trama apresentou novas criaturas, incluindo o T. Ocellus, aquele monstro em formato de olho capaz de se instalar na órbita ocular de outro ser e assumir o controle.
Esse detalhe, sozinho, já abre um caminho assustador para os novos episódios.
Ao fim da temporada inicial, várias dessas espécies ficaram fora de controle. Isso significa que a série pode explorar não apenas o horror físico dos monstros, mas também o medo de não saber quem, ou o quê, ainda está no comando.
O T. Ocellus, em especial, deve ganhar ainda mais espaço. A criatura foi uma das adições mais perturbadoras da série e tem potencial para colocar humanos, sintéticos e híbridos em situações de pura paranoia.
Wendy agora controla Xenomorfos, mas isso pode não durar

Outro ponto que deve ganhar força na segunda temporada é a relação de Wendy, vivida por Sydney Chandler, com os Xenomorfos.
Na primeira temporada, a personagem descobriu uma forma de entender a linguagem das criaturas. Mais do que isso, passou a comandar dois Xenomorfos, uma escolha ousada dentro da mitologia da franquia.
A situação coloca Wendy em uma posição inédita. Ela não é apenas uma sobrevivente tentando escapar de um monstro. Ela se torna alguém capaz de se comunicar com uma das espécies mais letais do cinema.
Ainda assim, a franquia Alien sempre tratou o controle como uma ilusão perigosa. Por isso, a grande dúvida para os novos episódios é se esses Xenomorfos continuarão obedecendo ou se a relação entre eles e Wendy vai tomar um rumo mais sombrio.
A série também deve continuar expandindo o ciclo de vida das criaturas. A primeira temporada trouxe elementos novos, incluindo uma fase semelhante a um girino de Xenomorfo, algo que mostrou a disposição de Noah Hawley em mexer na biologia desses seres sem abandonar o terror original.
A inteligência artificial deve ficar no centro da nova temporada

Além dos alienígenas, Alien: Earth também se destacou por colocar a inteligência artificial no coração da história.
A série apresentou androides, sintéticos e híbridos, cada grupo com regras próprias e dilemas diferentes. Os híbridos, em especial, estão entre os elementos mais incômodos da trama, já que carregam memórias e consciências de crianças em corpos adultos artificiais.
Essa ideia trouxe um conflito moral forte para a primeira temporada. Afinal, o que significa continuar vivo quando a mente de uma criança é transferida para um corpo construído em laboratório?
Olyphant também comentou esse lado da série ao falar sobre Kirsh e sobre o tipo de reflexão que a inteligência artificial pode trazer para a trama.
“Pessoas, e neste caso coisas, expressam emoções e sentimentos para conseguir o que querem. Quer dizer, todos nós já lemos essas histórias de IA, quando as pessoas forçam a inteligência artificial a olhar para si mesma e tentar entender se tem consciência. Fica bem estranho.”
O ator completou dizendo que sempre entendeu sua função como a de trazer humanidade ao papel. Para ele, sem isso, talvez nem fosse necessário ter um ator ali.
Essa fala pode indicar que a segunda temporada vai se aprofundar ainda mais nas fronteiras entre programação, desejo, memória e consciência.
Noah Hawley deve levar Alien: Earth para um caminho mais autoral
A fala de Timothy Olyphant chama atenção também por citar diretamente Noah Hawley, criador de Alien: Earth e responsável por séries como Fargo e Legion.
Hawley costuma trabalhar com humor sombrio, situações absurdas e personagens que parecem estar sempre perto de perder o controle da própria realidade. Em Alien: Earth, esse estilo apareceu no choque entre humanos ambiciosos, máquinas autoconscientes e criaturas que não seguem qualquer lógica moral humana.
A primeira temporada terminou com Wendy e os outros híbridos prendendo os adultos na instalação da Prodigy, chamada Terra do Nunca. Entre os detidos estão Kirsh, Morrow, vivido por Babou Ceesay, e Boy Kavalier, interpretado por Samuel Blenkin.
Esse cenário deixa a série pronta para uma virada curiosa. Os adultos, que antes conduziam experimentos e tomavam decisões sobre a vida dos híbridos, agora estão atrás das grades. Enquanto isso, Wendy tem dois Xenomorfos ao seu lado e uma ligação cada vez mais incomum com as criaturas.
Se os seis primeiros episódios lidos por Olyphant já apontam para uma temporada mais estranha, Alien: Earth parece pronta para ir além do terror de sobrevivência. A série deve continuar perguntando quem realmente representa a maior ameaça naquele mundo: os monstros trazidos do espaço, as máquinas criadas por humanos ou os próprios humanos que acharam uma boa ideia brincar com todos eles.
Alien: Earth está disponível no Disney+.