
Treze anos de audições, uma pilha de “nãos” e a sensação crescente de que talvez a hora nunca viesse. Foi nesse momento, quase de desistência, que o ex-punk Paul Anthony Kelly recebeu o chamado que mudou tudo: ele seria John F. Kennedy Jr. na série História de Amor: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette, disponível no Disney+.
A produção acompanha o romance entre JFK Jr. e Carolyn Bessette, vivida por Sarah Pidgeon, e rapidamente se tornou um dos títulos mais comentados da temporada. E não é difícil entender o motivo.
Kelly, canadense de origem, falou sobre a experiência em entrevista à Variety, no quadro Actors on Actors produzido em parceria com a CNN. Ao lado do ator Patrick Ball, de The Pitt, ele detalhou o processo intenso de se transformar em um dos homens mais icônicos da história americana.
Três semanas para virar Kennedy
O desafio não era pequeno. Kelly tinha apenas três semanas entre a contratação e o início das filmagens para incorporar um personagem que o público americano, e boa parte do mundo, conhece de cor.
A equipe de Ryan Murphy entrou em campo com força total. Um coach de dialeto foi contratado logo de cara, já que o sotaque canadense de Kelly é bem distante do padrão da família Kennedy. Treinador físico também entrou na lista, afinal JFK Jr. era conhecido por um estilo de vida bastante ativo: corria, andava de bicicleta, patinava, levantava peso.
Mas o detalhe que mais chamou atenção foi outro: Kennedy era canhoto. E Kelly passou seis meses inteiros fazendo tudo com a mão esquerda.
“Fiz tudo com a mão esquerda. Cozinhei, comi, cumprimentei pessoas, joguei futebol americano,” contou o ator. A escrita até hoje não ficou lá essas coisas, mas o gesto já estava naturalizado.
Para capturar a voz e o ritmo de fala de Kennedy, Kelly recorreu a uma fonte específica: a narração que JFK Jr. fez do livro Profiles in Courage, escrito por seu pai. O ator ouvia o áudio na esteira de manhã, no banho, entre tomadas. Todos os dias.
“Eu queria que ele fosse um cara comum,” disse Kelly. “Muito do que a série trata é sobre a fama e sobre um cara que quer acreditar que é uma pessoa normal.”
A química que todo mundo sentiu

Parte do sucesso da série está na relação entre Kelly e Sarah Pidgeon. Segundo o ator, a conexão foi imediata desde o primeiro encontro.
“Desde o momento em que nos conhecemos, havia uma química instantânea. A gente entendia o que precisava ser feito, se apoiávamos um ao outro, e entrava em cena todos os dias ou se apaixonando ou se desamando,” descreveu Kelly. “Depois de cada tomada, era um high five.”
O elenco todo, segundo ele, formou um grupo coeso. Há até um grupo no WhatsApp que segue ativo.
A febre nos bastidores e nas redes
Quando imagens do teste de figurino foram divulgadas antes da estreia, houve reações bem acaloradas online. Mas Kelly encarou isso como um sinal positivo.
“Aquilo mostrou o quanto as pessoas se importam com esses dois indivíduos. Nos forçou a caprichar ainda mais,” disse ele.
Patrick Ball, que assiste à série como fã, resumiu bem o fenômeno: “Todo cara andando pelo Brooklyn acha que é JFK Jr. agora.”
História de Amor: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette está disponível no Disney+.