Os Testamentos: o que o criador já revelou sobre a temporada 2

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Desde a primeira cena de The Handmaid’s Tale, uma promessa não dita pairava sobre tudo: June Osborne vai encontrar a filha. Seis temporadas depois, Elisabeth Moss encerrou a série principal com essa missão ainda em aberto, e foi aí que Os Testamentos: Das Filhas de Gilead entrou em cena para continuar essa história.

A série derivada, baseada no romance de Margaret Atwood, chegou ao final de sua primeira temporada com Agnes, a Hannah rebatizada por Gilead, finalmente descobrindo quem é sua mãe de verdade. Um momento que os fãs esperavam há anos, entregue de forma cuidadosa, com camadas que prometem se desdobrar ainda mais na segunda temporada.

Mas a grande questão que ficou no ar após o episódio final é: quando June e Hannah se reencontram de verdade?

A resposta veio diretamente do criador da franquia, em entrevista ao The Hollywood Reporter. Bruce Miller confirmou o que os fãs queriam ouvir, e ainda foi além, descrevendo uma visão de longo prazo para a saga de Gilead que vai muito além de um único abraço entre mãe e filha.

“Estou planejando reunir June e Hannah/Agnes ao final”

Essa foi a frase que Miller usou para confirmar o que a audiência esperava. Não é uma promessa vaga: o criador deixou claro que tem uma visão estruturada de três ou quatro temporadas, e que esse reencontro é o ponto de chegada.

Mas ele também foi categórico: a reunião não precisa ser o fim de tudo. Pode ser, na verdade, um começo.

“Não é só June e Hannah. Também tem Luke, tem Nichole, a segunda filha de June. E tem Moira, que ajudou a criar Hannah. Agnes tem toda uma comunidade, uma família inteira fora de Gilead”, explicou Miller. “Tem muita coisa a contar sobre como tudo isso acontece e como Hannah se integra a esse mundo.”

Para quem ficou frustrado com o final sem o reencontro tão aguardado, Miller deu uma resposta direta: “Esse é o ponto. Você quer vê-las juntas. É isso que faz você assistir ao próximo episódio.”

Agnes sabe, mas não é simples

No episódio “Tesoura de Poda”, Agnes, vivida por Chase Infiniti, descobre que June Osborne é sua mãe biológica. O problema é que, dentro de Gilead, June é vista como terrorista, inimiga do Estado, uma figura que os Prunes, as jovens em treinamento na escola de Tia Lydia (Ann Dowd), aprenderam a temer.

Para Agnes, essa descoberta é dupla. Primeiro, a memória: ela começa a perceber que se lembra mais da mãe do que imaginava. Depois, vem o entendimento do que essa mulher representa.

“Ela aprende coisas do arquivo de June. Ela começa a entender a natureza da mãe. E vê uma foto dela pela primeira vez. Acho que ela nunca tinha visto o rosto da mãe”, disse Miller. “Tudo isso é de partir o coração, mas também maravilhoso, se você sabe que elas foram separadas.”

A segunda temporada vai explorar esse despertar, com Agnes e suas amigas sendo cada vez mais convocadas para a resistência, seguindo os passos que June abriu antes delas.

June como “soberana de todo o universo”

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Elisabeth Moss continua central na história, mas sua presença em Os Testamentos funciona de forma diferente do que em The Handmaid’s Tale. Ela está fora de Gilead, operando como força invisível por trás dos movimentos de resistência.

“Ela é quase a soberana de todo o universo”, disse Miller sobre a personagem. “Ela é a alavanca que move essa história específica.”

Quanto à presença de Moss na segunda temporada, o criador falou sobre os desafios práticos. “Eu a teria lá o tempo todo se pudesse. Ela é uma mulher muito ocupada, e há muita praticidade em termos de agenda. Mas ela é uma parte enorme da série e do livro.”

Tia Lydia e Agnes: uma aliança que vai crescer

Um dos momentos mais interessantes do finale foi a troca silenciosa entre Agnes e Tia Lydia ao final do episódio. Uma aliança não declarada, mas perceptível.

Para Miller, esse é um relacionamento que vai ganhar voz na segunda temporada.

“Lydia está deixando de ver Agnes como criança. Está começando a vê-la como uma mulher com agência”, explicou. “June ainda vê Agnes como uma criança, porque é a filha dela. Mas Lydia, como educadora que é, consegue acompanhar essa transição de uma forma que June ainda não consegue.”

O beijo de Agnes e Becka

O final também trouxe um momento que já virou tema de discussão entre os fãs: o beijo entre Agnes e sua melhor amiga Becka (Mattea Conforti), numa cena dirigida por Mike Barker e construída pelas próprias atrizes.

Miller preferiu não fechar uma interpretação única para o momento. “Não sei que vai mudar o relacionamento delas. É mais um reconhecimento e uma honestidade entre duas amigas sobre onde estão. Acho que foi Agnes sendo gentil com a amiga triste.”

Mas ele destacou algo importante sobre Becka para a temporada seguinte: por ser queer dentro de Gilead, ela inevitavelmente vai perceber que não há lugar para ela naquele mundo, e isso pode aproximá-la da causa de June.

“Ela não pode existir aqui. Mas todas as pessoas que ela ama estão aqui. Toda a vida dela está aqui. Eu não consigo imaginar se alguém a arrancasse dali. Ela estaria salva, mas seria muito infeliz.”

A cena final e o poder das jovens

O encerramento do episódio mostrou Agnes, Daisy (Lucy Halliday) e Shu (Rowan Blanchard) caminhando com uma expressão que lembrava June em seus melhores momentos de determinação. Para Miller, foi uma entrega emocionante de algo que ele defende desde o início da série: não há nada mais poderoso do que uma menina de 14 anos.

“Essas mulheres, Chase, Rowan e Lucy, trabalharam juntas por tanto tempo que é a forma como se olham. Elas conseguem atuar de forma muito silenciosa, mas complexa”, disse. “Quando você chega a esse momento, eu só quero garantir que funcione de forma simples. Elas não parecem que vão ser derrubadas.”

Chase Infiniti e Lucy Halliday chegaram a declarar em entrevistas que, no começo, não sabiam exatamente do que se tratava a série, mas que chegaram ao final entendendo: é sobre sororidade. E sobre como a amizade pode derrubar governos.

Personagens de The Handmaid’s Tale podem voltar

A presença de Rita (Amanda Brugel) em episódios anteriores da temporada foi bem recebida, e Miller deixou a porta aberta para mais retornos.

No final, há um detalhe escondido na cena de June que diz muito: “Se você olhar com cuidado, tem um par de botinhas pequenas perto da porta. As botas de Nichole.” Para Miller, esse tipo de detalhe mostra como June e as pessoas ao redor dela foram construindo uma vida, mesmo com tudo que viveram.

Os Testamentos: Das Filhas de Gilead tem a primeira temporada completa disponível no Disney+, com segunda temporada confirmada.

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