
A Disney atravessa mais uma fase de ajustes internos, e os cortes anunciados recentemente podem não ser um episódio isolado.
Depois de dispensar cerca de 1.000 funcionários no mês passado, a empresa voltou a tratar do tema em uma teleconferência com analistas de Wall Street. O recado dos executivos foi cuidadoso, mas claro: a companhia segue avaliando caminhos para reduzir custos, reorganizar equipes e direcionar mais recursos para áreas consideradas prioritárias.
No centro dessa discussão estão tecnologia, inteligência artificial e uma busca mais ampla por eficiência operacional. A mudança chega em um momento delicado para trabalhadores do entretenimento, com estúdios, plataformas de streaming e empresas de tecnologia revisando estruturas, investimentos e modelos de produção.
Durante a apresentação de resultados trimestrais, o CEO Josh D’Amaro e o CFO Hugh Johnston responderam perguntas sobre economia, quadro de funcionários e o papel da IA no futuro da Disney.
D’Amaro concentrou boa parte de suas falas em como a tecnologia pode ajudar no processo criativo e na experiência dos visitantes nos parques. Já Johnston ficou responsável por dar o panorama mais direto sobre a força de trabalho.
Um analista mencionou os cortes de abril em uma pergunta lida por Ben Swinburne, chefe de relações com investidores da Disney. A dúvida era sobre o tamanho da oportunidade quando a empresa olha novamente para suas operações e onde haveria mais espaço para melhora.
Johnston respondeu: “Esses são sempre exercícios difíceis para a organização, mas posso garantir que esta equipe de gestão está extremamente focada nisso.”
Disney quer realocar gastos para conteúdo e tecnologia
Segundo Johnston, a Disney está tentando deslocar despesas para áreas como conteúdo e tecnologia, vistas internamente como motores de crescimento. Ele afirmou que as demissões recentes refletem uma mudança pensada para tornar a empresa mais ágil, mais apoiada por tecnologia e mais preparada para resistir a pressões do mercado.
O executivo não apresentou estimativas sobre quantos funcionários poderiam ser afetados no futuro, nem apontou divisões específicas que passariam por novos cortes. Ainda assim, descreveu a busca por eficiência como um processo contínuo dentro da companhia.
Johnston disse que a Disney quer “construir uma cultura de eficiência” e financiar novas oportunidades a partir da base de despesas já existente. Em sua fala, ele afirmou que a empresa está revisando estruturas, habilidades e talentos de acordo com o que o negócio precisa para os próximos passos.
O CFO acrescentou: “Estamos simplificando onde podemos, enquanto investimos onde mais importa, e estamos usando tecnologia para mudar de forma fundamental como o trabalho é feito.”
Ele também disse que a companhia continuará procurando oportunidades para realocar capital financeiro e humano para áreas que, na visão da administração, possam gerar os maiores retornos aos acionistas.
Inteligência artificial
A pressão por eficiência na Disney não acontece de forma isolada. A inteligência artificial tem levado empresas de vários setores a repensar operações, produtividade e necessidades de pessoal, como apontou o Wall Street Journal.
No entretenimento, esse cenário se soma a outros fatores. A consolidação entre empresas, a queda na produção baseada nos Estados Unidos e a redução da audiência da TV linear, modelo tradicional de canais com programação fixa, criaram um ambiente mais difícil para profissionais da área.
Antes de D’Amaro, Bob Iger comandou uma ampla rodada de cortes na Disney, com milhares de funcionários demitidos. A reorganização acompanhou um movimento visto em várias empresas de mídia e tecnologia nos últimos anos.
Hollywood também observa de perto o ritmo de cortes no setor tecnológico. Meta Platforms, Snap, Coinbase e PayPal anunciaram reduções de dois dígitos em seus quadros. No caso da Meta, após a decisão de demitir 10% de sua força de trabalho no mês passado, a CFO Susan Li afirmou a investidores: “Nós realmente não sabemos qual será o tamanho ideal da empresa no futuro.”
Parques da Disney estão entre as áreas analisadas
Ao falar sobre produtividade, Johnston disse que a revisão da Disney está concentrada em várias frentes. Uma delas envolve os parques temáticos, negócio central para a companhia.
O executivo citou uma iniciativa para implementar previsões mais precisas de demanda por mão de obra nos parques. Na prática, esse tipo de ferramenta pode ajudar a empresa a calcular melhor quantos funcionários são necessários em determinados horários, datas ou períodos de maior movimento.
Segundo Johnston, essa frente pode beneficiar visitantes, funcionários e a gestão de custos. Ele afirmou: “Acreditamos que isso tem potencial para criar uma experiência melhor para os visitantes, uma experiência melhor de trabalho e também uma gestão de custos melhor para a empresa.”
Além dos parques, Johnston mencionou oportunidades nas operações corporativas da Disney. Para ele, assim como ocorre em muitas empresas, há vários caminhos para aumentar a eficiência e reduzir despesas em toda a estrutura.
O tom adotado pelos executivos não confirmou uma nova rodada de demissões, mas também não fechou a porta para novos cortes. A mensagem central foi a de que a Disney pretende continuar analisando sua estrutura interna, com foco em tecnologia, realocação de recursos e produtividade.