O Diabo Veste Prada 2 transformou Miranda Priestly em outra pessoa

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Quando O Diabo Veste Prada chegou aos cinemas em 2006, Miranda Priestly entrou para o panteão dos grandes personagens do cinema de hollywood. Fria, calculista, aterrorizante na sua calma. Meryl Streep criou algo raro: uma vilã sem um único grito, sem exageros, sem acessórios dramáticos. Só o olhar, a voz e aquele sorriso cortante que valia mais que qualquer bronca.

Dezoito anos depois, a sequência finalmente chegou. E junto com ela, uma pergunta que muitos fãs estão fazendo: o que aconteceu com Miranda?

No primeiro filme, Miranda era inacessível. Distante. Uma força da natureza que os outros orbitavam sem jamais conseguir entender. Havia ali algo de Darth Vader: quanto menos você sabia sobre ela, mais ela aterrorizava.

O Diabo Veste Prada 2 decide jogar tudo isso fora.

A trama começa com Andy (Anne Hathaway) de volta à Runway como editora de reportagens, anos depois de ter saído do emprego de assistente. Miranda, que agora enfrenta um mercado editorial em colapso, reage à presença de Andy com frieza inicial, como era de se esperar. Mas aí o filme começa a mudar de marcha.

A sequência parece determinada a desconstruir cada elemento que tornava o original tão eficiente. A Miranda que víamos de longe agora está na nossa sala de estar. Há uma cena no chalé de verão dela nos Hamptons que tem mais energia de filme da Nancy Meyers do que de continuação de um dos thrillers de moda mais celebrados da história do cinema.

Meryl Streep fez exatamente esse tipo de papel em Simplesmente Complicado (2009). Miranda Priestly, não.

Ficou exagerado?

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O primeiro filme tinha um momento de vulnerabilidade. Só um. Miranda, sem maquiagem, conta para Andy os detalhes do seu divórcio iminente. É uma cena poderosa justamente porque é única, porque é rara. Aquele lampejo de fragilidade tornava o personagem mais tridimensional sem destruir o que a fazia fascinante.

A sequência pega esse único momento e o estica por duas horas.

Miranda agora reage às suas desventuras com uma empatia quase fofa. Há uma cena em que ela tenta pendurar o próprio casaco, sem jogar nas mãos de um assistente, tratada como comédia. Há outra em que ela é forçada a voar na classe econômica até a Semana de Moda de Milão e acaba no assento do meio. O que deveria ser uma cena de peixe fora d’água vira algo diferente: uma mulher que parece confusa e assustada com a própria vida.

Aqui vale uma pergunta óbvia que o roteiro parece ter ignorado: Miranda mora em uma mansão em Manhattan. Ela não poderia simplesmente pagar pelo upgrade?

O que foi retirado da personagem não é só a frieza. É a inteligência estratégica que a definia.

A sombra de Anna Wintour sobre o roteiro

Não é possível falar de Miranda Priestly sem falar de Anna Wintour, a editora-chefe da Vogue americana que inspirou o romance de Lauren Weisberger, base do primeiro filme.

Em um reportagem da Vogue, Wintour revelou que Streep lhe enviou o roteiro da sequência para opinião. A resposta foi: “Anna, acho que vai ficar bem.”

A frase diz muito. O primeiro filme não era exatamente lisonjeiro para Wintour. Era um retrato ácido, construído com pena envenenada, baseado nas memórias de uma ex-assistente. Como forma de resposta, Wintour abriu as portas da Vogue para o documentário A Edição de Setembro, de 2009, como se quisesse provar que não era o monstro descrito na ficção.

Com o tempo, Wintour não só abraçou o filme como se tornou parte essencial dele. Hoje, sua associação com Miranda Priestly é um ativo de imagem. E o resultado prático disso aparece claramente na sequência: é praticamente impossível retratar Miranda de forma mais dura quando a mulher que a inspirou se tornou guardiã informal da franquia.

O filme reconhece isso, à sua maneira. Há uma cena em que Andy vai parar em uma festa ao lado de Tina Brown, lendária editora britânica, e de Jia Tolentino, escritora da New Yorker. Alguém nessa produção claramente conhece o universo das revistas de perto.

Papel de vilã foi transferido para Emily Blunt

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Se Miranda perdeu o veneno, alguém precisava assumir o papel da antagonista. A escolha foi Emily (Emily Blunt).

A personagem que no primeiro filme era uma assistente neurótica e dedicada agora trabalha na Dior e tramou um plano para comprar a Runway com o dinheiro do namorado bilionário de tecnologia e se instalar como editora-chefe.

A jogada espelha rumores que circularam por anos em torno de figuras do mundo real, e o filme parece ciente disso. Mas há algo de irônico no fato de O Diabo Veste Prada 2 precisar criar uma nova vilã porque a original foi domesticada demais para cumprir o papel.

O detalhe que sela o destino de Emily na trama? Ela planeja colocar a si mesma na capa da Runway. Uma editora-chefe que faz de si mesma o rosto da própria revista. O filme trata isso como sinal definitivo de que ela não merece o que quer.

Curiosamente, Anna Wintour fez exatamente isso há pouco tempo.

A Miranda de 2006 era aterrorizante porque você nunca sabia o que ela pensava, o que sentia, o que planejava. No segundo filme, você sabe de tudo. Você está na casa de verão dela, no assento de avião ao lado dela, nos momentos de insegurança dela. O resultado é uma personagem diminuída.

O Diabo Veste Prada 2 parece ter sido feito para agradar os fãs que queriam ver Miranda mais humana, mais próxima, mais redimida. E nessa tentativa, o filme entregou algo que os fãs mais devotos provavelmente não esperavam: uma versão da personagem que não assusta ninguém.

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