
Josh D’Amaro assumiu o comando da Disney em março e já deixou claro que tem planos ambiciosos para o futuro digital da empresa. Em pouco tempo à frente da companhia, ele colocou na mesa uma ideia que pode mudar a forma como milhões de fãs interagem com a marca no dia a dia.
A proposta, ainda em estágio inicial, é transformar o Disney+ em muito mais do que uma plataforma de streaming. A visão que circula internamente é a de um “super app” capaz de reunir, em um único lugar, experiências hoje espalhadas por diferentes aplicativos.
Parques temáticos, cruzeiros, compras, jogos e conteúdo em vídeo poderiam coexistir dentro de um mesmo ambiente digital. É uma aposta grande, e ainda sem data, nome ou formato definido.
A ideia que está circulando nos bastidores da Disney
De acordo com reportagem do Bloomberg, executivos da The Walt Disney Company discutiram internamente a possibilidade de unificar os vários aplicativos móveis da empresa em uma experiência só. O conceito conectaria o Disney+ a plataformas como o app do Disneyland Resort e o Disney Cruise Line Navigator, o aplicativo usado por quem viaja nos cruzeiros da empresa.
O projeto ainda não saiu do papel. Nenhuma etapa formal de desenvolvimento foi iniciada, e a ideia por enquanto aparece apenas em apresentações internas. Mas o fato de estar sendo discutido no alto escalão já diz bastante sobre a direção que D’Amaro quer seguir.
A Disney já estudou algo parecido no passado. Bob Iger, antecessor de D’Amaro, chegou a explorar versões do conceito, inclusive com um teste em menor escala no Reino Unido. A empresa também já considerou criar um modelo de assinatura amplo, nos moldes do Amazon Prime.
Essas iniciativas, porém, nunca avançaram como esperado, travadas por obstáculos técnicos e logísticos que se mostraram mais complexos do que o previsto.
Parte desses desafios ainda está presente. A Disney segue trabalhando para integrar nos Estados Unidos o Hulu ao Disney+ de forma mais profunda, e esse processo tem esbarrado em diferenças de infraestrutura tecnológica e direitos de conteúdo entre as duas plataformas, embora isso já tenha sido concluído fora dos EUA.
O que D’Amaro já disse publicamente

Em sua primeira apresentação a acionistas como CEO, D’Amaro descreveu o Disney+ como o futuro centro digital da companhia. A fala foi interpretada como um sinal de que ele quer expandir o papel do streaming muito além do catálogo de filmes e séries.
A empresa também tem investigado o potencial da inteligência artificial e de conteúdos gerados por usuários. Nessa frente, porém, houve um revés em março: a OpenAI encerrou o acesso ao seu gerador de vídeos Sora, o que derrubou um acordo de US$ 1 bilhão que permitiria aos assinantes do Disney+ criar conteúdo usando cerca de 200 personagens da empresa.
Por enquanto, o “super app” segue como uma ideia em construção. Mas com D’Amaro no comando e a Disney claramente de olho em novas formas de se conectar com o público, dificilmente esse debate vai ficar parado por muito tempo.