
Há mais de 30 anos, um cowboy de plástico e um astronauta de brinquedo dividiram a mesma caixa de brinquedos e mudaram a história do cinema de animação. Desde então, Toy Story cresceu, envelheceu junto com seu público e se recusou a ficar parado na prateleira.
Com Toy Story 5 prestes a chegar às telas, a Pixar já olha para além do horizonte. E o que se vê ali é bem diferente do que os fãs talvez esperassem.
Andrew Stanton, vice-presidente criativo da Pixar e diretor de Toy Story 5, foi quem abriu o jogo. Em entrevista à Entertainment Weekly, ele falou sobre o futuro da franquia com uma confiança que vai além de meros planos de estúdio.
Stanton acredita que Toy Story 6 e Toy Story 7 têm tudo para existir. E que podem ser muito diferentes de tudo que veio antes.
A grande mudança? Bonnie pode ficar de fora.
Uma nova criança no quarto dos brinquedos

Depois de Andy nas três primeiras histórias e Bonnie em Toy Story 4 e no próximo filme, Stanton jogou no ar uma ideia que muda o eixo da franquia: apresentar uma nova criança ao universo dos brinquedos.
“É por isso que sinto que a história pode continuar”, disse ele, destacando que, com alguns meses de brainstorming sobre os aspectos mais cotidianos da vida de um brinquedo, o estúdio teria material suficiente para duas novas histórias.
A lógica faz sentido. Cada criança traz consigo uma personalidade diferente, uma forma única de brincar e uma relação particular com os brinquedos ao redor.
Apresentar um ou mais novos donos ao grupo clássico formado por Woody, Buzz, Jessie e os demais abriria espaço para histórias renovadas, sem a necessidade de recriar o que já funcionou.
O peso de tantas aventuras

Tem algo curioso acontecendo na franquia: os brinquedos envelhecem. Não da mesma forma que as crianças, mas acumulam experiências, crises existenciais e um repertório emocional que vai crescendo a cada filme.
O marketing de Toy Story 5 já brincou com isso ao mostrar Woody lidando com uma calvície discreta no chapéu. É um detalhe pequeno, mas diz muito sobre a direção que a Pixar quer seguir.
Com praticamente duas décadas de aventuras às costas, Woody e seus amigos carregam um peso que poucos personagens animados acumularam.
Toy Story 6 e Toy Story 7 poderiam explorar justamente isso: como um grupo de brinquedos lida com o desgaste, com novas gerações de crianças cada vez mais conectadas à tecnologia e cada vez menos ligadas a um faroeste de plástico.
Toy Story 5, aliás, já parte dessa premissa. O filme mostra a tecnologia digital tomando espaço cada vez maior na vida da jovem Bonnie, o que coloca Woody, Buzz e companhia diante de uma ameaça diferente de tudo que já enfrentaram: a irrelevância.
Um sucesso que a Pixar não vai ignorar

Do ponto de vista financeiro, a continuidade da franquia é quase inevitável. Toy Story já ultrapassou 3 bilhões de dólares arrecadados globalmente, e os dois últimos filmes figuraram entre as maiores bilheterias da Pixar.
Toy Story 5, estrelado novamente por Tom Hanks e Tim Allen, foi recebido com entusiasmo nas primeiras exibições. Quem viu descreveu o filme como “mais um longa emocionante dentro da franquia”, à altura do padrão estabelecido pelos quatro filmes anteriores.
O filme chega aos cinemas em 19 de junho de 2026, com direção de Andrew Stanton e roteiro assinado por ele e Kenna Harris. Apesar de liderar o projeto, Stanton indicou que Toy Story 5 pode ser seu último trabalho na cadeira de diretor pela Pixar.
Se isso se confirmar, a franquia seguirá em frente com uma nova voz criativa, novos brinquedos e, quem sabe, uma nova criança para chamar de sua.