Tia Lydia mudou? Ann Dowd explica transformação em Os Testamentos: Das Filhas de Gilead

Tia-Lydia-Os-Testamentos-1 Tia Lydia mudou? Ann Dowd explica transformação em Os Testamentos: Das Filhas de Gilead

Poucos personagens na história recente da televisão carregam tanto peso moral quanto Tia Lydia. Em The Handmaid’s Tale (ou O Conto da Aia), ela era o símbolo mais perturbador do regime de Gilead: uma mulher que escolheu o lado do opressor, vigiou, puniu e humilhou outras mulheres, e ainda assim acreditava estar fazendo o bem. Quando a série chegou ao fim, ela pareceu finalmente virar as costas para Gilead. Foi um momento libertador para o público.

Mas Os Testamentos: Das Filhas de Gilead trouxe Lydia de volta, e não exatamente do jeito que os fãs esperavam.

Quatro anos se passaram desde a Guerra de Massachusetts, o conflito que libertou Boston das garras de Gilead. June Osborne (Elisabeth Moss) ainda carrega as cicatrizes desse tempo. Os Comandantes seguem na caça ao movimento Mayday.

E Tia Lydia? Ela está de volta ao regime, goza de boa reputação, tem uma estátua erguida em seu nome e comanda uma escola batizada em sua homenagem.

Como é possível? E, mais importante: ela mudou de verdade, ou está apenas jogando o jogo de sobrevivência de sempre?

Ann Dowd, a atriz por trás de Lydia, deu uma entrevista ao CBR e foi direta ao ponto.

Quando questionada sobre como Tia Lydia lida com o fato de ser celebrada como heroína por um regime que torturou e escravizou mulheres, Dowd não hesitou:

“Ela tenta não focar nisso. Ela vai direto ao trabalho. O que é importante para ela? A Academia é importante, administrá-la para que as meninas aprendam, dia após dia, como ser as melhores esposas possíveis para seus maridos. As melhores mães, donas de casa, anfitriãs. Tudo é sobre o lar. O comandante está no comando. O marido está no comando. Não há leitura, não há escrita. Elas não sabem o contrário. Elas não conhecem nada diferente.”

É uma fala que, à primeira vista, soaria como retrocesso total. Lydia parece ter abandonado qualquer questionamento e voltado ao papel de guardiã fiel do patriarcado de Gilead. Mas Dowd deixa claro que a história é mais sutil do que isso.

Segundo a atriz, a Lydia de Os Testamentos é “mais suave” e “mais gentil” do que a versão implacável que o público conheceu em The Handmaid’s Tale. “Ela é uma pessoa diferente”, admitiu Dowd. “Quem ela quer ser em Os Testamentos: Das Filhas de Gilead? Acho que esse é o foco dela.”

O episódio 6 muda tudo

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“O Estádio”, o sexto episódio da série, entregou o que prometia. Seguindo a estrutura do livro de Margaret Atwood, a série alterna entre três narrações: a de Agnes (Chase Infiniti), a de Daisy (Lucy Halliday) e a da própria Tia Lydia. É a partir desse episódio que o público finalmente tem acesso à perspectiva mais íntima de Lydia sobre tudo o que ela construiu e destruiu.

O episódio mostra como Lydia, nos primeiros dias de Gilead, usou sua astúcia para superar o Comandante Judd (Charlie Carrick) e garantir que o regime tivesse as Tias para manter as mulheres sob controle. Sem ela, essa estrutura de vigilância feminina sobre outras mulheres simplesmente não existiria. É uma revelação pesada.

Em um monólogo interior que resume o dilema da personagem, Lydia pergunta a si mesma: “Fui uma fênix renascendo das cinzas? Ou era uma barata?”

A cena encapsula a contradição central da personagem: ela pode ter feito o que fez para sobreviver, para proteger algumas meninas à sua maneira, para acumular poder e um dia usá-lo contra o sistema. Ou pode ter simplesmente escolhido o caminho mais fácil e se convencionado de que era o certo.

O fato de ela manter um diário secreto com os crimes dos Comandantes, quebrando uma das regras mais rígidas de Gilead, sugere que algo mudou de verdade. Se é redenção genuína ou mais um movimento calculado de autopreservação, a série ainda não entrega a resposta.

Novos episódios de Os Testamentos: Das Filhas de Gilead estreiam toda quarta-feira no Disney+.

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