
Poucos personagens atravessaram gerações com tanta simpatia quanto o Gasparzinho. O fantasminha branco, bonachão e eternamente em busca de amizade estreou nas telas em 1945 e nunca saiu completamente do imaginário popular. Agora, décadas depois, ele está prestes a ganhar uma nova vida, desta vez, nas telas do Disney+.
A notícia foi revelada pelo Deadline: o streaming disputou os direitos do projeto em uma guerra de cinco concorrentes e saiu vitorioso. É o tipo de movimentação que mostra o quanto o personagem ainda tem força no mercado.
O mais curioso é a combinação de nomes envolvida. Steven Spielberg, que produziu o longa Gasparzinho, o Fantasminha Camarada de 1995 com Christina Ricci, volta ao universo do fantasminha como produtor executivo.
Ao lado dele estão Rob Letterman e Hilary Winston, a dupla responsável por Goosebumps no Disney+. São profissionais com histórico comprovado em histórias sobrenaturais para o público jovem, e não apenas jovem.
Um Gasparzinho mais sombrio
A série será live-action e vai usar efeitos de CGI, assim como o filme dos anos 90. Mas o tom, segundo as primeiras informações, será diferente do que muita gente espera.
O projeto é descrito como uma atualização moderna da história clássica, com uma pegada mais sombria. O ponto de comparação citado pelo Deadline é Wandinha, a série da Netflix que reimaginou a Família Addams com humor ácido e uma atmosfera bem mais escura do que a versão original.
Se a comparação se confirmar na prática, o Gasparzinho que chegaremos a ver pode surpreender quem cresceu com o simpático fantasminha da animação.
Letterman vai escrever e dirigir. Winston divide a autoria com ele. Os dois também atuam como produtores executivos, ao lado de Spielberg.
Uma parceria incomum entre estúdios
Outro ponto que chama atenção é a estrutura de produção. A série será uma coprodução entre a DreamWorks Animation TV e a UCP, divisão do Universal Studio Group, o que torna esse projeto algo bem fora do padrão do Disney+.
O streaming raramente trabalha com propriedades intelectuais que não pertencem ao ecossistema Disney. Gasparzinho é uma exceção notável: será a primeira produção do Universal Studio Group a chegar ao Disney+.
Para o Universal Studio Group, o interesse vai além do projeto em si. Ter produções em todos os grandes streamers é uma meta declarada do estúdio.
Spielberg fecha um círculo
Para Spielberg, este projeto tem um significado especial. Em 1995, sua produtora Amblin Entertainment colocou o Gasparzinho nas telas ao lado de Christina Ricci e Bill Pullman, com Malachi Pearson emprestando a voz ao fantasminha. O filme foi um sucesso de público e ficou marcado na memória de uma geração inteira.
Três décadas depois, voltar ao personagem em um formato que claramente quer dialogar com os novos tempos é uma aposta que carrega tanto nostalgia quanto ambição.
A série ainda está nos estágios iniciais de desenvolvimento, e não há detalhes sobre elenco ou previsão de estreia. Mas o projeto já tem tração suficiente para ter vencido uma disputa acirrada, e nomes de peso suficientes para ser levado a sério.