Hexed: o menino bruxo virou menina e muita gente ainda não aceitou

Hexed-1 Hexed: o menino bruxo virou menina e muita gente ainda não aceitou

Quando a Disney anunciou Hexed em agosto de 2025, durante o evento Destination D23 em Orlando, a reação foi de empolgação. As primeiras imagens divulgadas mostravam um mundo de fantasia 2D vibrante, com uma estética que lembrava uma obra de Marc Chagall. Para quem acompanha animação, aquilo parecia algo realmente diferente do que o estúdio vinha fazendo nos últimos anos.

Meses depois, na CinemaCon 2026 em Las Vegas, a Disney revelou os primeiros visuais reais dos personagens, junto com o elenco de dublagem. E aí a conversa mudou totalmente.

Não é raro que um projeto mude bastante entre o anúncio e o produto final. Basta olhar para os designs originais de alguns dos maiores clássicos do estúdio para perceber que transformações profundas fazem parte do processo criativo.

Mas Hexed está chamando atenção justamente por tudo que parece ter sido alterado em menos de oito meses desde que o filme foi apresentado ao público.

O anúncio original descrevia a história de “um menino adolescente atrapalhado e sua mãe controladora” que descobrem que o que o torna diferente pode ser magia.

Em entrevista ao The New York Times de novembro de 2025, durante o lançamento de Zootopia 2, o diretor Jared Bush ainda descrevia o protagonista no masculino:

“Ele é levado para um mundo de magia e percebe, oh, esse é o povo dele. A mãe, que também está tentando se entender, está ligada a ele. Então é uma comédia de mãe e filho.”

Na CinemaCon, a personagem chegou com nome, voz e gênero diferentes.

Quem é Billie Doe

A protagonista agora se chama Billie Doe, uma jovem impulsiva que descobre habilidades mágicas secretas. Ao soltá-las, ela e sua mãe bruxa são arrastadas para fora dos subúrbios e dentro de um vasto reino chamado “Hexe”.

A voz de Billie será de Hailee Steinfeld, conhecida por dublar Gwen Stacy nos filmes animados do Aranhaverso. A mãe, Alice, fica com Rashida Jones, atriz famosa pela série Parks and Recreation.

Na apresentação em Las Vegas, os presentes viram uma cena de Billie sendo submetida a um teste de personalidade por um livro e uma pena com sotaque britânico, que a convidam a entrar no mundo mágico.

Vale lembrar dois pontos importantes: até onde se sabe, Hexed não é um filme musical e Billie não é uma princesa. Há também rumores de que o filme teria um vilão, mas não está confirmado se esse elemento foi mantido.

A direção fica com Josie Trinidad, que trabalhou no departamento de história de Zootopia e WiFi Ralph: Quebrando a Internet, ao lado de Jason Hand, um dos diretores de Moana 2. Roy Conli e Juan Pablo Reyes Lancaster-Jones produzem o filme, com Jared Bush na produção executiva.

Por que os fãs estão desconfiados

Elio-Pixar-1 Hexed: o menino bruxo virou menina e muita gente ainda não aceitou

Uma das hipóteses que circulam é que a mudança de gênero do protagonista pode ter sido motivada pelo desempenho fraco de Elio, da Pixar, cujo personagem principal era um menino de 11 anos.

O filme não foi bem nas bilheterias. Só que, justamente por isso, muitos fãs estavam animados com a proposta original de Hexed: um menino bruxo, numa dinâmica incomum de mãe e filho.

“Eu estava tão animada para que isso fosse sobre um MENINO bruxo! Agora vamos ter mais um filme de amadurecimento feminino, como se já não tivéssemos uma infinidade de filmes de princesas,” escreveu uma pessoa no Instagram.

Outro ponto de atrito é a comparação com A Casa Coruja, série cancelada da Disney sobre uma garota que descobre um mundo de magia ao lado de uma mãe cética. A semelhança temática não passou despercebida.

“Se ao menos a gente tivesse uma série com duas temporadas sobre uma garota que quer se tornar bruxa e é levada para um reino mágico longe da sua mãe controladora e solteira. Ah, espera…”, ironizou um usuário nas redes.

A Casa Coruja não é a única referência possível. A premissa dialoga com o isekai adolescente, um subgênero bastante popular. Mas a questão do estilo visual é o que mais divide as opiniões.

O problema com a arte conceitual

Os designs de Billie e Alice revelados na CinemaCon seguem a estética 3D que a Disney vem usando desde O Galinho Chicken Little, há duas décadas. É difícil não sentir o contraste com as imagens originalmente divulgadas pela artista espanhola Lorelay Bove, que tinham cores saturadas, pinceladas expressivas e um ar completamente diferente do CGI padrão do estúdio.

Hexed-Castelo Hexed: o menino bruxo virou menina e muita gente ainda não aceitou

Arte conceitual, por natureza, é um espaço de exploração. Artistas conceituais têm a função de visualizar possibilidades e abrir caminhos criativos. Designs iniciais costumam ser exagerados ou experimentais justamente para expandir o horizonte criativo do projeto. Não é novidade que o produto final divirja do que foi apresentado nessa fase.

Dito isso, considerando que a Disney não lança uma animação 2D desde O Ursinho Pooh, em 2011, seria improvável que Hexed quebrasse essa tradição.

Mas foram exatamente as cores e o estilo não-CGI do material inicial que geraram tanto entusiasmo quando o filme foi anunciado.

Talvez o estúdio devesse guardar a arte conceitual para depois que o filme estreia, evitando criar expectativas que o produto final não vai conseguir suprir.

Hexed é o 65º longa-metragem animado da Disney e chega aos cinemas em 24 de novembro de 2026.

Deixe um comentário