
O SXSW (South by Southwest), festival realizado anualmente em Austin, no Texas, é um dos eventos mais importantes para o cinema independente americano. É lá que surgem, ano após ano, os títulos que a indústria passa os meses seguintes tentando colocar nas mãos do público. Filmes como Um Lugar Silencioso, Fale Comigo e O Segredo da Cabana passaram por lá antes de virar fenômenos.
Em março, um dos nomes que mais chamou atenção na seção Midnighters, dedicada ao terror e ao cinema de gênero, foi Monitor. E agora ele tem um destino confirmado.
A Searchlight Pictures, divisão da Disney especializada em filmes independentes e de prestígio, anunciou a aquisição dos direitos de distribuição de Monitor nos Estados Unidos, no Reino Unido e no Sudeste Asiático. O longa, que estreou no SXSW, é o primeiro longa-metragem da dupla de diretores Matt Black e Ryan Polly.
Sobre o que é Monitor
A premissa é das que grudam: após um vídeo perturbador surgir online, algo começa a se espalhar, saltando de tela em tela e atingindo qualquer pessoa que o assista. Sem aviso. Sem escapatória. Quem viu já foi atingido.
Brittany O’Grady interpreta Maggie, uma jovem que trabalha remotamente como moderadora de conteúdo para uma empresa semelhante ao YouTube, removendo os materiais mais violentos e perturbadores antes que cheguem ao público. É exatamente nesse trabalho que o pesadelo começa.
Os diretores filmaram com nove câmeras diferentes, incluindo GoPros, babás eletrônicas, handycams, óculos de visão noturna e webcams de laptops. Boa parte das sequências mais impactantes do filme aparece justamente nessas imagens granuladas de câmeras periféricas.
A recepção no festival foi muito positiva. A sessão de estreia no SXSW foi marcada por gritos da plateia em alguns dos sustos mais perturbadores do filme, e Monitor foi apontado como um dos títulos com potencial para se tornar uma nova grande franquia do terror mainstream.
Uma história que começou com um roubo
Por trás do filme há uma origem inusitada. Oito anos atrás, Black e Polly fizeram um curta-metragem, postaram online e praticamente esqueceram. Quatro anos depois, receberam uma ligação: um roteirista estava desenvolvendo uma versão longa do mesmo conceito, já com estúdio e produtor de peso envolvidos.
O problema é que eles não sabiam de nada. O curta havia sido retirado da internet por outra pessoa e apresentado como ideia original. Os diretores não revelaram o nome do envolvido, mas a situação os motivou a fazer o filme por conta própria.
Eles conseguiram o apoio da Temple Hill, produtora por trás de Smile, e da empresa espanhola Nostromo Pictures, com as filmagens realizadas entre a Espanha e as Ilhas Canárias.
No comunicado divulgado com o anúncio da aquisição, os diretores disseram: “Quando fizemos o curta original de Monitor, oito anos atrás, nunca imaginamos que um dia encontraríamos um lar na Searchlight Pictures. Estamos extremamente animados em fazer parceria com eles para levar esse monstro aos cinemas, onde ele verdadeiramente pertence, numa tela grande. Monitor sempre foi pensado para ser vivido com uma sala cheia de pessoas sendo aterrorizadas juntas.”
O presidente da Searchlight, Matthew Greenfield, comentou a aquisição: “Matt e Ryan criaram um thriller visceral e moderno que toca diretamente no medo coletivo do que pode estar à espreita fora do campo de visão, nas bordas das nossas telas. Mal podemos esperar para levar isso ao público.”
Quando e onde assistir
O plano é lançar Monitor nos cinemas em 2027, com data a ser confirmada. Após a exibição nos cinemas, é esperado que o filme chegue ao Disney+ nas regiões onde a Searchlight detém os direitos de distribuição: Estados Unidos, Reino Unido e Sudeste Asiático.
Para outros países, incluindo o Brasil, a Protagonist Pictures é responsável pelas vendas internacionais, o que significa que a distribuição em outros territórios poderá acontecer por meio de outros serviços de streaming. Por ora, resta aguardar mais detalhes sobre como o filme chegará ao público fora dessas regiões.