
Na madrugada desta segunda-feira, 13 de abril, detectamos que o Disney+ removeu mais um título do catálogo sem aviso ou comunicado. Desta vez, a baixa foi Deserto, thriller de sobrevivência estrelado por Gael García Bernal e Jeffrey Dean Morgan. Com essa exclusão, abril já acumula 15 conteúdos deletados silenciosamente da plataforma.
O filme é mais um título herdado do extinto Star+, onde estava disponível desde o início do serviço, e foi migrado para o Disney+ em junho de 2024. Menos de dois anos depois, saiu de cena da mesma forma que entrou: sem cerimônia.
O filme que foi removido
Deserto (2015) é um thriller de ação e sobrevivência dirigido por Jonás Cuarón, filho do cineasta Alfonso Cuarón, o diretor de Gravidade. A produção é uma parceria entre México e França, e estreou na seção de Apresentações Especiais do Festival Internacional de Toronto (TIFF) em 2015, com distribuição nos cinemas em 2016.
O longa foi selecionado como representante oficial do México na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional na 89ª edição da premiação, mas não chegou à lista de indicados.
A premissa é direta e implacável: um grupo de migrantes mexicanos tenta cruzar ilegalmente a fronteira com os Estados Unidos em busca de uma vida melhor. Quando o caminhão que os transportava quebra no meio do nada, eles partem a pé pelo deserto árido e hostil.
O que começa como uma jornada de esperança vira uma caçada quando o grupo cruza o caminho de um atirador solitário e seu cão, um vigilante que decide fazer justiça com as próprias mãos.

Jonás Cuarón constrói uma narrativa minimalista, quase sem diálogos, apostando na adrenalina da perseguição e na tensão constante. A fotografia usa o deserto como um personagem à parte: calor extremo, falta de água, terreno traiçoeiro e nenhum lugar para se esconder. O próprio diretor definiu o projeto como uma espécie de “Gravidade com os pés no chão”, uma história de sobrevivência extrema contra o ambiente e contra o ser humano.
Gael García Bernal interpreta Moises, um migrante experiente que tenta liderar e proteger o grupo. Jeffrey Dean Morgan vive Sam, um vigilante armado e racista que patrulha a fronteira por conta própria.

O filme não esconde seu ponto de vista: o espectador é colocado ao lado dos migrantes, e a brutalidade do antagonista é mostrada sem filtro. Por isso, quando Deserto ganhou distribuição nos cinemas em 2016, em plena campanha presidencial americana, o filme foi lido como um retrato urgente e politicamente carregado do debate sobre imigração, xenofobia e vigilantes de fronteira nos Estados Unidos.
Com a remoção do Disney+, Deserto segue o mesmo caminho de outros títulos excluídos nas últimas semanas: fora do catálogo e, por ora, sem destino alternativo confirmado em outras plataformas de streaming no Brasil.