Disney+ apaga série sobre um dos maiores gênios e vilões da música pop

Phil-Spector Disney+ apaga série sobre um dos maiores gênios e vilões da música pop

O Disney+ vive um período de limpeza constante no catálogo. Sem avisos, sem comunicados, sem despedidas. Os conteúdos simplesmente somem. Só em abril, a plataforma já retirou 15 títulos do ar. Se a conta começar em março, o número sobe para 23 remoções, entre elas algumas bem estranhas, como a segunda temporada inteira de Law & Order: Organized Crime, que desapareceu sem nenhuma explicação oficial.

A maioria desses títulos tem algo em comum: eram do extinto Star+, serviço que foi encerrado e teve seu acervo migrado para o Disney+. Mas migrado não significa garantido. Como o histórico recente mostra, essa migração muitas vezes tem prazo de validade.

A nova baixa é a docussérie Spector. A minissérie havia estreado no Star+ em abril de 2023 e, após o encerramento do serviço, foi transferida para o Disney+ em junho de 2024. Agora, sem aviso, deixou de estar disponível.

No momento desta publicação, Spector não está em nenhum outro serviço de streaming no Brasil. Quem quiser assistir vai ter que aguardar o dia em que alguma plataforma resolver licenciar esse conteúdo.

Quem era Phil Spector

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Para quem não conhece o nome, Phil Spector (1939-2021) foi um dos produtores musicais mais influentes da história do pop americano. Nos anos 1960, ele revolucionou a forma de gravar música com a técnica que ficou conhecida como “Wall of Sound”, um arranjo denso e orquestral que transformou para sempre o som das rádios.

Da sua produção saíram clássicos como Be My Baby (The Ronettes), You’ve Lost That Loving Feeling (Righteous Brothers) e River Deep – Mountain High, com Ike & Tina Turner. Ele também trabalhou no álbum Let It Be, dos Beatles. Aos 21 anos, já era milionário.

A queda foi tão vertiginosa quanto a ascensão. A partir dos anos 1970, Spector se tornou recluso, instável e violento, com histórico de abuso de álcool, drogas e comportamento ameaçador com armas. A segunda esposa, Ronnie Spector, das Ronettes, chegou a denunciar os abusos que sofreu durante o casamento.

Em 3 de fevereiro de 2003, aos 63 anos, ele matou a atriz Lana Clarkson com um tiro dentro do seu castelo em Alhambra, Califórnia. O primeiro julgamento, em 2007, terminou em nulidade. Em 2009, Spector foi condenado por homicídio em segundo grau. Morreu na prisão em 2021, aos 81 anos, vítima de complicações da Covid-19.

O que a série traz

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Spector (2022) é uma produção da Showtime Documentary Films dividida em quatro episódios de aproximadamente 50 a 55 minutos cada. O tom é jornalístico e equilibrado: nem defesa nem condenação fácil, mas uma tentativa de entender quem foi esse homem e o que o levou ao crime.

A série não se reduz ao assassinato de Lana Clarkson. Ela vai fundo na infância de Spector, marcada pela morte do pai, que tirou a própria vida, quando ele tinha apenas 9 anos, e reconstrói a trajetória do produtor de forma não linear, sem glamourizar a violência.

Um dos pontos fortes é o espaço dado à própria Lana Clarkson, frequentemente reduzida nos noticiários à condição de “atriz de filmes B”. A série trata de recuperar sua história com dignidade: a luta na carreira, o trabalho como hostess no House of Blues na noite em que foi morta.

O material de arquivo é farto. Entre os destaques está um áudio de uma entrevista exclusiva gravada com Spector em 2003, semanas antes do crime, que ajuda a compor um retrato perturbador de sua personalidade naquele período.

Entre os entrevistados estão Nicole Spector (filha de Phil e também produtora executiva da série), o compositor Jeff Barry, LaLa Brooks (The Crystals), Darlene Love, conhecida por Christmas (Baby Please Come Home), o jornalista britânico Mick Brown, que entrevistou Spector longamente em 2003, além de familiares de Lana Clarkson, detetives da LAPD, advogados (incluindo Linda Kenney Baden, da defesa) e colegas da indústria musical.

Não há entrevistas novas com Ronnie Spector, mas material de arquivo com ela aparece ao longo dos episódios.

Para quem acompanha o catálogo do Disney+ de perto, a tendência é preocupante. E a pergunta que fica é a mesma de sempre: qual será o próximo título a ser removido sem aviso? Veja abaixo a imagem e a sinopse que constavam no streaming:

Spector – Temporada 1

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Logo nas primeiras horas de 3 de fevereiro de 2003, uma ligação para o Departamento de Polícia de Alhambra relata o tiro fatal em uma mulher na casa do lendário produtor musical Phil Spector. A mulher era Lana Clarkson, uma carismática atriz de cinema que ele conheceu naquela noite. Como os destinos dessas duas pessoas se entrelaçaram? E o que realmente aconteceu naquela noite fatídica?

Através das lentes deste crime notório e do circo histérico da mídia que se seguiu, esta grande série documental de quatro partes descasca as camadas para contar a história de Lana Clarkson e o homem que foi condenado por seu assassinato. Uma tentativa de reexaminar a vida de uma das figuras culturais mais importantes, porém enigmáticas, do século 20 – e uma era passada de Hollywood e da indústria da música – de uma maneira que nunca foi feita antes.

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