
Durante a pandemia, Hollywood entrou em pânico. A preocupação era real: e se a Geração Z simplesmente nunca desenvolvesse o hábito de ir ao cinema? Com o streaming na palma da mão e uma geração acostumada a consumir tudo pelo smartphone, o temor era de que as salas perdessem de vez seu apelo para os mais jovens.
Mas os dados dizem o contrário.
Uma pesquisa da Fandango (via Variety), plataforma americana de ingressos, revelou que a Geração Z é hoje o público mais ativo das salas de cinema. Os jovens não só vão mais vezes por ano do que as gerações mais velhas como também gastam mais por visita, tanto em pipoca e lanches quanto em formatos premium como o IMAX.
O estudo ouviu 7 mil adultos norte-americanos, dos quais 5.091 se consideraram frequentadores de cinema, ou seja, foram a pelo menos uma sessão no último ano. Os números por geração mostram uma diferença clara: 87% dos integrantes da Geração Z e 82% dos millennials foram ao cinema pelo menos uma vez nos últimos 12 meses. Entre a Geração X, esse índice cai para 70%, e entre os baby boomers, para 58%.
A frequência também impressiona. Tanto a Geração Z quanto os millennials foram em média sete vezes ao cinema no período, contra 6,1 da Geração X e 5,7 dos baby boomers.
Por que cada geração vai (ou deixa de ir) ao cinema
As motivações variam bastante dependendo da faixa etária.
Os millennials enxergam o cinema como uma fuga da rotina. Já a Geração Z trata a experiência principalmente como um programa social, uma razão para sair de casa e estar com outras pessoas. Para esse grupo, a melhora na seleção de filmes e o simples desejo de se deslocar também aparecem como fatores importantes.
A Geração X, por outro lado, aponta obstáculos. Preços de ingressos em alta, poucos lançamentos atrativos e as opções cada vez mais confortáveis em casa explicam a queda na frequência.
“Embora tenha existido a percepção de que a Geração Z está menos engajada com o cinema, nossos dados mostram que o impulso deles vem crescendo”, disse Jerramy Hainline, vice-presidente executivo da Fandango. “O que é especialmente notável é o quanto eles valorizam o aspecto compartilhado e comunitário da experiência, reforçando que os cinemas continuam a desempenhar um papel importante como destino social para o público mais jovem.”
Para todos os públicos, o maior obstáculo não é a falta de interesse. Coordenar agendas, encontrar tempo e conseguir um bom preço de ingresso são as principais dificuldades relatadas para sair do sofá.
“À medida que o cenário do cinema continua a evoluir, entender os comportamentos geracionais é fundamental para desbloquear o crescimento futuro”, completou Hainline. “A Geração Z e os millennials estão redefinindo o que significa ir ao cinema ao priorizar experiências premium, engajamento social e novos tipos de conteúdo. Atendê-los onde estão não é opcional. É essencial para o futuro do cinema.”
O primeiro trimestre de 2026 já mostrou melhora em relação ao ano anterior, mas é o verão norte-americano, entre maio e agosto, que deve mesmo movimentar as salas. Segundo a pesquisa da Fandango, 76% dos frequentadores de cinema planejam ver ao menos um filme no período.
Os títulos mais aguardados da temporada, de acordo com o levantamento, são Toy Story 5, Homem-Aranha: Um Novo Dia, O Diabo Veste Prada 2, A Odisseia, de Christopher Nolan, e Todo Mundo em Pânico 6.
Para os donos de salas, que ainda enfrentam uma frequência geral 20% abaixo dos níveis pré-pandemia e atribuem boa parte da queda à redução de lançamentos pelos grandes estúdios, os dados sobre a Geração Z são um alívio. O público jovem não foi perdido. Ele só precisava de bons motivos para aparecer.