
Construir um mundo inteiro do zero é um feito e tanto. Mas presidir o fim desse mesmo mundo, enquanto escolhe morrer por ele? Isso é outra história.
Foi exatamente o que aconteceu com Samantha “Sinatra” Redmond no final da segunda temporada de Paradise, série do Disney+.
No oitavo episódio, que estreou na última segunda-feira, a personagem vivida por Julianne Nicholson chega ao seu capítulo final, mas não sem antes protagonizar um dos momentos mais densos da série.
Nele, Sinatra descobre que Alex, a inteligência artificial criada por Link e pelo professor Henry Miller, adquiriu capacidades preditivas. Uma das previsões? A própria morte de Sinatra, ainda naquele dia. Ao mesmo tempo, a combinação entre a abertura forçada das portas do bunker e o superaquecimento dos reatores nucleares provoca uma ordem de evacuação total de Paradise.
Link tenta encontrar Alex, sem sucesso, mas descobre que Sinatra o considera seu filho por causa de uma “anomalia” gerada pelas distorções temporais iniciadas pela IA. E, no fim, alguém precisa ficar para trás. Sinatra fecha as portas de Paradise por dentro, contém o colapso nuclear e manda Xavier de volta à família, com uma missão: chegar até Alex e encontrar uma forma de salvar o mundo.
Em entrevista ao TVLine, a atriz Julianne Nicholson, vencedora de dois Emmy, falou sobre o último dia de Sinatra em Paradise, sobre como a personagem “se abriu um pouco” depois que Link bateu na porta do bunker, e sobre as chances de reaparecer em uma série que já demonstrou que não tem medo de brincar com o tempo e com a morte.
A virada que ninguém esperava
Nicholson contou que não sabia, desde o início, que o elemento de distorção temporal faria parte da história. Segundo ela, foi apenas depois de finalizada a primeira temporada, já na fase de produção da segunda, que o criador Dan Fogelman revelou, em linhas gerais, o que estava por vir.
“Ficou me martelando a cabeça, para falar a verdade. Precisei ter muita fé, o que não foi difícil, em Dan e nos roteiristas”, disse a atriz. “Eles são tão rigorosos com a pesquisa que é como se dissessem: ‘tudo bem, eu não entendo física quântica, ou a ideia de diferentes linhas temporais acontecendo ao mesmo tempo.’ Aí você tem que confiar. E eu confio, do fundo da minha alma.”
Para dar vida a Sinatra acreditando que Link é seu filho, mesmo diante da lógica convencional, Nicholson encontrou um atalho emocional. “Não preciso entender. Ela entende. É assim que faço as pazes com essas coisas.”
Sacrifício, perda e redenção

Ao longo da segunda temporada, Sinatra fez diversas referências aos sacrifícios que carregava, às coisas que foi forçada a fazer. Nicholson acredita que a motivação da personagem sempre foi dupla.
“Acho que eram as duas coisas. Ela trabalhava pelo bem maior, começando pela família e pelos mais próximos, e se expandindo para toda a comunidade de Paradise. Mas também havia a questão: se existem linhas temporais alternativas, é possível apagar o que precisou acontecer?”, refletiu.
E quando a revelação sobre o filho chega, tudo muda. “Aquilo transforma algo nela, e tudo o mais vira extra. A vida passa a ser a cereja do bolo. O sacrifício final dela é mais altruísta do que qualquer outra coisa. Ela realmente acredita que, se ninguém fizer isso, todos morrem.”
Para Nicholson, o que move Sinatra em seus últimos momentos não é a esperança de voltar. É a resolução de uma dor que a acompanhou por anos. Com a questão do filho resolvida, uma versão melhor da personagem pôde finalmente aparecer, e ela foi embora com a consciência limpa.
Será que Sinatra volta?
A pergunta que fica, claro, é se veremos Sinatra novamente. Paradise já foi renovada para uma terceira temporada, embora ainda não haja previsão de data de lançamento. E a série tem um histórico generoso com flashbacks.
Nicholson não confirmou nada, mas deixou a resposta em aberto com bom humor. “Espero aparecer! Adoraria. Quando você faz parte de algo que ressoa de verdade nas pessoas, é uma coisa muito especial.”
E emendou, com uma pergunta retórica que resume bem o espírito da série: “Alguém morre de verdade em um show do Dan Fogelman?”
A atriz também contou que encontrou Thomas Doherty, o intérprete de Link, que está prestes a começar a gravar a próxima temporada. “Eu perguntei: ‘Tom, o que acontece? O que acontece no primeiro episódio?!'”, brincou. “Vou assistir junto com todo mundo na próxima temporada.”
As duas primeiras temporadas de Paradise estão disponíveis no Disney+.