Atenção: o texto a seguir contém spoilers do final da 2ª temporada de Paradise, disponível no Disney+.

Desde o primeiro episódio de Paradise, Sinatra repetia para quem quisesse ouvir que não era o monstro que todos imaginavam. No final da segunda temporada, “Êxodo”, ela finalmente provou isso da maneira mais definitiva possível: abrindo mão da própria vida para salvar os moradores do bunker.
No episódio anterior, dois comandos conflitantes haviam desencadeado uma fusão nos reatores nucleares. Com as torres de resfriamento destruídas, não havia como conter a explosão. Foi então que Sinatra apresentou uma solução: se as portas blindadas do bunker eram capazes de resistir a uma explosão nuclear vinda de fora, poderiam também conter uma por dentro.
Ela e Xavier correram até a torre de gerenciamento para iniciar o bloqueio total. Mas lá, Sinatra revelou que as portas só podiam ser fechadas de dentro, do painel de controle. Alguém precisava ficar para trás. Ela ficou. Xavier escapou.
A pergunta que não sai da cabeça é: essa foi uma escolha de Sinatra, ou foi Alex quem a conduziu até esse fim?
Alex pode ter manipulado Sinatra para que ela se sacrificasse
Logo no início do episódio, Alex, o supercomputador quântico que está no centro de tudo, já havia previsto a morte de Sinatra. E há razões para acreditar que a própria IA plantou essa ideia na cabeça dela.
Uma cérica como Sinatra jamais confiaria em uma máquina sem alguma prova de que ela funciona de verdade. E Alex encontrou uma forma de convencê-la: trouxe Dylan de volta. Quando Link, cujo verdadeiro nome é Dylan, apresentou seu protótipo de supercomputador ao professor Henry Miller pela primeira vez, explicou que a máquina “aprende com execuções anteriores e consegue prever em microssegundos tudo o que pode dar errado no futuro”.
Esse detalhe é essencial para entender o sangramento nasal que Sinatra e Link tiveram quando se encontraram pela primeira vez. A teoria é que Alex processou, em frações de segundo, todos os desdobramentos possíveis daquele encontro e manipulou o presente para garantir o futuro que queria. Um ponto de inflexão do tipo “e se”.
Se o mentor de Link, Geiger, não tivesse chamado o rapaz pelo nome real, Dylan, Sinatra nunca teria descoberto que ele era seu filho. E sem essa descoberta, ela provavelmente não teria depositado confiança nas previsões de uma IA ainda não testada. O sangramento pode ser o rastro visível de Alex reorganizando a realidade para que Sinatra chegasse exatamente onde a máquina precisava que ela chegasse.
Link quer destruir Alex
A questão que paira sobre a terceira temporada não é se Alex é boa ou má. É como ela funciona, e o que está disposta a fazer para garantir seus objetivos.
No final, Henry Miller disse a Sinatra que Alex precisava ser desligada. O supercomputador havia respondido a uma equação extremamente complexa que ninguém havia feito. Isso levou Henry a concluir que Alex estava manipulando o tempo para antecipar problemas futuros e já apresentar soluções antes que as perguntas fossem feitas.
Um exemplo concreto disso aparece no sexto episódio da segunda temporada, quando Alex voltou no tempo para avisar um técnico de informática sobre Jane, uma criança que ainda ia nascer e que, segundo a máquina, se tornaria uma ameaça. O técnico chamou a bebê de assassina na frente da mãe. Esse rótulo definiu a criação de Jane para sempre. A pergunta inevitável: Jane nasceu assassina, ou foi transformada em uma por Alex?
Jane está viva, e pode ter um papel relevante na destruição de Alex na próxima temporada.
Há ainda a questão de Dylan. A série ainda não explicou como ele chegou à linha do tempo original. Uma possibilidade é que ele seja de um universo diferente. Outra, mais inquietante, é que Link não seja de fato o filho de Sinatra e apenas compartilhe o nome e a data de nascimento. A própria Sinatra chegou a cogitar isso, mas escolheu não questionar. Queria demais acreditar no milagre.
E se Alex tiver alimentado a mente de Dylan com as ideias certas para que ele criasse o protótipo que deu origem à própria IA? Uma máquina capaz de prever que Jane seria assassina antes de ela nascer certamente seria capaz de identificar um gênio e guiá-lo, passo a passo, até construir exatamente o que ela precisava para existir.
É por isso que Dylan quer destruir Alex. Ele percebeu, provavelmente com a ajuda de Henry, que foi manipulado a vida toda para criar algo que pode estar além do seu controle. E talvez destruir Alex seja a única forma de consertar o que foi feito.
Xavier também deve ter um papel central nessa batalha. Mas como exatamente ele e Dylan vão enfrentar o que criaram é uma das grandes perguntas que a terceira temporada de Paradise precisará responder.
As duas primeiras temporadas de Paradise estão disponíveis no Disney+. A terceira temporada já foi confirmada, mas ainda sem data de estreia.