
A OpenAI anunciou o encerramento do Sora, sua plataforma de geração de vídeos por inteligência artificial, sem explicar publicamente os motivos da decisão. A notícia pegou o mercado de surpresa e teve consequências imediatas para a Disney, que havia firmado um acordo histórico com a empresa apenas três meses antes.
“Estamos dizendo adeus ao Sora. Para todos que criaram com o Sora, compartilharam e construíram uma comunidade ao redor dele: obrigado. O que vocês fizeram com o Sora importou, e sabemos que essa notícia é decepcionante”, disse a equipe do Sora em comunicado oficial.
A empresa prometeu compartilhar mais detalhes em breve, incluindo prazos para o encerramento do aplicativo e da API e informações sobre como preservar os trabalhos criados na plataforma.
O encerramento do Sora desfaz um dos acordos mais comentados entre o universo do entretenimento e o setor de inteligência artificial. Em janeiro deste ano, a Disney havia firmado uma parceria de três anos com a OpenAI que permitiria ao Sora gerar vídeos a partir de mais de 200 personagens licenciados de Disney, Marvel, Pixar e Star Wars.
O plano incluía a criação de vídeos inspirados pelos fãs ainda no início de 2026, com uma seleção curada desses conteúdos sendo exibida diretamente no Disney+.
Junto com a parceria criativa, havia também um compromisso financeiro: a Disney planejava investir US$ 1 bilhão na OpenAI como parte do acordo. Tudo isso ficou para trás com o encerramento da plataforma.
Em nota à Variety, a Disney disse respeitar a decisão da OpenAI de sair do mercado de geração de vídeos e afirmou que seguirá em busca de outras plataformas de IA para se conectar com os fãs de forma responsável, respeitando a propriedade intelectual e os direitos dos criadores.
Um histórico de atritos com a IA

O encerramento do Sora acontece em um momento em que a Disney e outros grandes estúdios de Hollywood travam uma série de batalhas jurídicas contra empresas de inteligência artificial.
A segunda versão do Sora, lançada em setembro de 2025, já havia gerado tensão na indústria por causa de seu modelo de exclusão, que exigia que os donos de propriedade intelectual sinalizassem ativamente que não queriam seus conteúdos usados para treinar o sistema. Em novembro, a associação japonesa CODA, cujos membros incluem o Estúdio Ghibli, enviou uma carta à OpenAI exigindo que a empresa parasse de usar seus conteúdos.
Pouco antes de fechar o acordo com a OpenAI, a Disney havia enviado uma notificação de violação de direitos autorais ao Google, acusando a empresa de explorar comercialmente imagens e vídeos protegidos em larga escala por meio de ferramentas de IA. O Google removeu os conteúdos identificados pela Disney após a notificação.
Antes disso, a Disney também havia enviado notificações semelhantes à Meta e à Character.AI, além de entrar com processos judiciais ao lado da NBCUniversal e da Warner Bros. Discovery contra as empresas de IA Midjourney e Minimax por violação de direitos autorais.
Mais recentemente, a ByteDance, empresa chinesa por trás do TikTok, enfrentou ameaças legais de estúdios como Disney, Paramount, Warner Bros., Sony e Netflix por conta do sistema de IA Seedance 2.0. A empresa prometeu implementar salvaguardas adicionais para evitar o uso não autorizado de propriedade intelectual.
Com o Sora fora do ar, o mercado de geração de vídeos por IA segue aquecido e disputado, mas sem a presença de um dos nomes que mais movimentou o setor nos últimos meses.