
Quando a Disney anunciou seu novo parque temático em Abu Dhabi, a notícia chamou atenção pelo tamanho do projeto e pelo peso estratégico da iniciativa no Oriente Médio. Agora, em meio ao agravamento da guerra envolvendo o Irã, a principal dúvida passou a ser outra: o plano continua de pé?
Pelo que foi sinalizado até agora, sim. Há indícios de que o projeto da Disney em Yas Island não foi engavetado, mesmo com o cenário atual de tensão na região.
Os confrontos das últimas semanas aumentaram a preocupação em torno de investimentos ligados a turismo e entretenimento em áreas próximas ao conflito. Ainda assim, tanto a Disney quanto a Miral deram sinais de continuidade.
Isso não significa que o caminho esteja livre de obstáculos. Mas, pelo menos neste momento, o parque segue no radar.
Disney e Miral indicam continuidade do projeto

Durante a reunião anual de acionistas da Disney, o novo CEO Josh D’Amaro mencionou que o parque temático em Abu Dhabi, anunciado em maio do ano passado, segue planejado.
O projeto foi revelado quando D’Amaro ainda comandava a divisão Disney Experiences, responsável por parques, cruzeiros e produtos de consumo.
Além disso, a Miral, empresa de Abu Dhabi responsável por destinos imersivos e experiências na região, também voltou a demonstrar apoio público à iniciativa. Em uma publicação no LinkedIn na semana passada, o CEO da companhia, Mohamed Abdalla Al Zaabi, parabenizou Thomas Mazloum por sua nomeação como novo chairman da Disney Experiences e reforçou o entusiasmo com o futuro do projeto.
Na mensagem, ele destacou a colaboração contínua com a liderança da Disney e a visão compartilhada de criar algo extraordinário para a região.
Quando o parque foi anunciado, Bob Iger explicou que a operação não segue o mesmo modelo de propriedade direta dos parques tradicionais da Disney.
Segundo ele, o projeto faz parte de um acordo de licenciamento com a Miral. Em outras palavras, o capital investido é da empresa de Abu Dhabi, enquanto a Disney entra com sua propriedade intelectual e recebe royalties.
Esse detalhe ajuda a entender por que o projeto pode continuar avançando mesmo em um cenário de instabilidade. A estrutura financeira e operacional depende da parceira local, não de uma expansão clássica com investimento direto da Disney.
O parque em Abu Dhabi foi descrito como o mais voltado à tecnologia já idealizado pela empresa até hoje. Se sair do papel, será o sétimo resort da Disney no mundo, ao lado dos complexos já existentes na Califórnia, Flórida, Tóquio, Paris, Hong Kong e Xangai.
Guerra pode afetar ritmo do projeto
Apesar dos sinais de continuidade, a situação na região ainda levanta dúvidas sobre o ritmo dos próximos passos.
Em declaração à Variety, o advogado internacional Joseph Gulino, sócio-gerente da DRRT, afirmou que qualquer marca americana de grande porte provavelmente estaria reavaliando seus investimentos na região diante do atual cenário.
Segundo ele, isso não significa necessariamente cancelamento, mas pode representar ao menos uma desaceleração temporária enquanto empresas tentam entender melhor a situação política e por quanto tempo Abu Dhabi e outras cidades da região podem permanecer sob ameaça.
Por enquanto, esse parece ser o ponto central da discussão. O parque da Disney em Abu Dhabi não foi colocado de lado, mas o contexto atual torna difícil imaginar que um projeto desse porte passe ileso a tanta instabilidade ao redor.