Cara de Um, Focinho de Outro é a peça que faltava na famosa Teoria Pixar

Teoria-Pixar-Cara-de-Um-Focinho-de-Outro Cara de Um, Focinho de Outro é a peça que faltava na famosa Teoria Pixar

Poucas ideias criadas por fãs sobreviveram tanto tempo no imaginário do público quanto a chamada Teoria Pixar. Há anos, muita gente tenta encaixar quase todos os filmes do estúdio dentro de uma mesma linha do tempo, ligando personagens, eventos, objetos e pistas espalhadas ao longo das animações.

A cada novo lançamento, essa conversa volta e, em alguns casos, a conexão parece mais forçada. Em outros, certos detalhes deixam espaço para uma interpretação bem mais convincente.

Agora, Cara de Um, Focinho de Outro pode ter feito mais do que apenas esconder referências divertidas no meio da história.

Isso porque a nova produção aponta diretamente para elementos que lembram outras obras da Pixar, indo além daquela piscadinha rápida que o estúdio costuma fazer para os fãs mais atentos.

O que é a Teoria Pixar?

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A Teoria Pixar sugere que os filmes do estúdio acontecem dentro de um mesmo universo, ainda que em períodos diferentes. Dentro dessa ideia, o mundo apresentado em O Bom Dinossauro abriria caminho para uma realidade alternativa em que humanos e dinossauros evoluem lado a lado.

A partir daí, animais, brinquedos e máquinas passariam a desenvolver consciência, até chegar a um futuro em que os monstros de Monstros S.A. surgiriam como resultado dessa transformação do planeta.

É uma leitura ampla, cheia de conexões, e que sempre reaparece quando a Pixar lança algo novo.

No caso de Cara de Um, Focinho de Outro, a história parece se encaixar de forma especialmente natural nessa linha de raciocínio. Isso acontece porque o filme gira em torno de tecnologia e estudos ligados à comunicação entre humanos e animais, uma peça importante para quem tenta ligar produções como Ratatouille e Procurando Nemo dentro do mesmo universo.

Além disso, há referências pontuais que reforçam essa sensação. No começo do filme, a jovem Mabel, dublada por Piper Curda, tenta libertar uma tartaruga chamada Crush, nome que imediatamente remete ao personagem de Procurando Nemo. Também aparecem pássaros que lembram bastante os vistos no curta Coisas de Pássaros.

Esses detalhes, sozinhos, poderiam ser apenas easter eggs. Só que o filme vai além.

O momento que mais fortaleceu a discussão acontece perto do fim, quando a Dra. Sam, personagem de Kathy Najimy, conta a Mabel que seu projeto foi cancelado, mas diz que ainda tem outras ideias em mente.

É aí que aparecem diagramas com invenções que lembram várias produções da Pixar. Entre elas, estão uma coleira de cachorro falante, como a de Up: Altas Aventuras, uma fonte de energia parecida com a de Monstros S.A., um robô de limpeza que lembra WALL-E e até um companheiro felino que remete a Lightyear.

Essa sequência sugere que a Dra. Sam e sua equipe poderiam estar por trás de tecnologias vistas em outros filmes. Dentro da lógica de um universo compartilhado, isso abriria uma conexão bem mais direta entre Cara de Um, Focinho de Outro e outras histórias da Pixar.

É justamente esse ponto que faz o filme parecer diferente de outros casos, já que não se trata apenas de um objeto escondido ao fundo ou de um nome jogado em cena.

Mesmo com toda a empolgação dos fãs, vale lembrar que criadores da Pixar já contestaram essa ideia em outras ocasiões. Em uma matéria da Business Insider, profissionais do estúdio explicaram que cada filme nasce com equipes, diretores e objetivos próprios, o que enfraquece a noção de um grande universo único planejado desde o início.

A própria Pixar já brincou com isso. Em Toy Story 4, por exemplo, há uma referência mostrando a mãe de Bonnie lendo um livro chamado Além do Infinito: Desmascarando a Teoria Maluca de um Universo Compartilhado.

Ainda assim, Cara de Um, Focinho de Outro ajuda a manter essa ideia acesa de um jeito raro. Mesmo sem confirmar nada oficialmente, o filme aproxima várias ideias, objetos e possibilidades em uma mesma cena, dando aos fãs material suficiente para defender que pelo menos parte desse universo realmente pode estar conectada.

No fim, talvez essa seja justamente a graça da Teoria Pixar. Ela pode nunca ser oficializada, mas continua crescendo sempre que um novo detalhe parece encaixar bem demais para ser ignorado.

Cara de Um, Focinho de Outro está em cartaz nos cinemas.

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