AVISO: Esse artigo contém spoilers do quarto episódio da segunda temporada de Paradise!

O quarto episódio da segunda temporada de Paradise, intitulado “Uma Missão Sagrada”, trouxe uma das cenas mais fortes da série até agora: Annie, personagem de Shailene Woodley, morre nos braços de Xavier, vivido por Sterling K. Brown, logo após dar à luz.
A sequência surpreendeu o público, especialmente porque a estreia da temporada havia sido totalmente dedicada a ela. No entanto, segundo o produtor executivo John Hoberg, esse desfecho não era o plano inicial.
Em entrevista ao The Direct, Hoberg revelou que a personagem quase teve outro destino. “A intenção não era necessariamente matá-la naquele ponto, fazer com que ela morresse”, afirmou. Ele explicou que, em versões anteriores da história, Annie permanecia viva por mais tempo.
A ideia inicial não era encerrar a personagem

Hoberg contou que o objetivo do primeiro episódio era fazer o público vivenciar aquele novo mundo pelo ponto de vista de alguém com quem pudesse criar um vínculo imediato. “O que realmente queríamos naquele primeiro episódio era que você experimentasse tudo aquilo sob a perspectiva de alguém de quem você se importasse”, disse.
Depois disso, a trama retornaria a Xavier, que começaria a perceber que a realidade era muito mais dura do que imaginava. “Agora ele está entendendo que as regras do jogo são muito diferentes do que ele esperava”, explicou o produtor.
A permanência de Annie foi debatida dentro da equipe. “Houve muitas discussões no começo em que Annie continuava na história, e ela não morria”, revelou Hoberg, confirmando que a decisão foi tomada apenas após novas reflexões sobre o rumo da temporada.
A perda como ponto central da jornada de Xavier
De acordo com Hoberg, a série sempre foi pensada com Xavier como eixo principal. Ele descreveu o personagem como alguém guiado por valores muito firmes, cuja moral precisa ser constantemente testada. “Nosso trabalho como roteiristas é colocar isso à prova repetidas vezes: ele vai ceder? Como ele vai reagir?”, afirmou.
Foi nesse contexto que surgiu a necessidade de impor uma perda profunda ao protagonista. “Houve uma percepção de que realmente precisávamos tirar algo dele”, disse. A intenção era fazer Xavier sentir o que significa ter uma família destruída justamente quando ele tenta reconstruir a própria.
Hoberg reforçou que a decisão não foi tomada apenas para chocar. “Havia um propósito por trás disso, não era simplesmente uma questão de machucar o público”, garantiu. Segundo ele, esse acontecimento fortalece a determinação de Xavier e intensifica sua convicção de que ainda vale a pena acreditar nas pessoas, mesmo em um cenário devastado.
Uma escolha difícil, mas coerente com a proposta

O produtor também comparou a situação com a morte de Billy na primeira temporada, que igualmente pegou muitos de surpresa. “Na primeira temporada também foi um choque para todos nós quando decidimos matar o Billy”, relembrou.
Ele destacou ainda a influência do criador Dan Fogelman nesse tipo de decisão. “Ele é totalmente fiel aos personagens. Se é isso que o personagem precisa atravessar, então é isso que vai acontecer”, explicou.
Assim, Annie se despede de Paradise de forma definitiva. Embora muitos espectadores acreditassem que ela se tornaria peça fixa da temporada, os roteiristas entenderam que sua morte era essencial para aprofundar a trajetória de Xavier. A partir desse ponto, a segunda temporada segue explorando as consequências dessa perda e os novos desafios que surgem para o protagonista.