
Entre passado remoto, presente e um futuro distante, o filme Em um Piscar de Olhos, da Searchlight Pictures, constrói uma história que atravessa milhares de anos para falar sobre sobrevivência humana.
Dirigido por Andrew Stanton, veterano da Pixar responsável por títulos como Procurando Nemo, WALL-E e Procurando Dory, o longa estreou no Festival de Sundance 2026 e venceu o prêmio Alfred P. Sloan, voltado a produções que abordam ciência e tecnologia.
Com elenco formado por Rashida Jones, Daveed Diggs e Kate McKinnon, o filme chegou ao streaming no Disney+ e deixou muita gente tentando entender o significado de um objeto que aparece do início ao fim: uma bolota.
Três épocas, uma mesma conexão
A trama acompanha três linhas do tempo.
A primeira se passa em 45.000 a.C., no fim da era dos neandertais. Hera, Thorn e a filha Lark lutam para sobreviver em um ambiente hostil no que hoje seria o Canadá. Logo nas primeiras cenas, Lark segura uma bolota enquanto surge na tela a frase de Sylvia Plath: “Lembre-se, lembre-se, este é o agora, e o agora e o agora…”

Essa bolota acompanha a família. Em determinado momento, ela vira um colar. Mais tarde, passa para a geração seguinte.
A segunda história acontece no presente. Claire, doutoranda em antropologia, estuda restos mortais de um proto-humano (ancestrais primitivos que antecederam o Homo sapiens), que o filme sugere ser Thorn. Enquanto enfrenta o diagnóstico terminal da mãe, ela inicia um relacionamento com Greg.
Já a terceira linha do tempo se passa cerca de 200 anos no futuro. Coakley, piloto com aprimoramentos de longevidade, viaja pelo espaço em uma missão de habitar um novo planeta para a humanidade.
Ao lado da inteligência artificial ROSCO (traduzido no Brasil como COSRAN), ela tenta salvar a missão quando uma doença ameaça as plantas responsáveis pelo oxigênio da nave.
Mesmo com perdas marcantes em cada período, os personagens encontram maneiras de seguir adiante.
Como a bolota chega ao futuro?

No presente, Greg entrega a Claire um presente inesperado: a bolota que estava na mão do antigo esqueleto estudado por ela. O filme não detalha como o objeto foi transformado em dourado ou preservado dessa forma, mas o importante é o simbolismo.
Claire e Greg têm um filho. Esse filho cresce e se torna o fundador da empresa Elixir, responsável por financiar a missão espacial do futuro. Ele também desenvolve a tecnologia que permite a Coakley viver por séculos.
Antes de partir, o filho recebe dos pais a bolota com um bilhete dizendo para levá-la ao futuro. Mais tarde, o objeto chega às mãos de Coakley e segue viagem pelo espaço.
Quando a nave finalmente alcança o novo planeta habitável KEPLER 16b, Coakley entrega a bolota a V, a primeira criança nascida durante a missão, dizendo que ela representa o amanhã.
O significado do final

A bolota funciona como símbolo de continuidade. Uma semente pequena que atravessa gerações, mudanças tecnológicas e até a possível extinção da Terra.
Na cena final, Coakley participa do funeral de V. Por viver muito mais tempo do que as pessoas ao redor, ela presencia o ciclo completo de várias gerações.
Em seu discurso, ela resume a ideia central do filme:
“Eu realmente não achei que viveria para ver tudo isso acontecer. Achei que seria a última pessoa. Não pensei: ‘E se conseguirmos? E se sobrevivermos?’ Eu não conseguia imaginar ver você crescer. E agora eu vejo você, seus filhos, e os filhos dos seus filhos. Acho que nunca vamos embora de verdade. Que coisa mais linda. Ainda estamos todos aqui.”

A mensagem de Em um Piscar de Olhos é direta: apesar das perdas, conflitos e mudanças, a humanidade segue adiante. Assim como a bolota plantada há milhares de anos, cada geração carrega algo da anterior e entrega algo para a próxima.
No fim, o filme convida o espectador a enxergar o tempo não como uma linha quebrada por tragédias, mas como uma corrente contínua de vidas interligadas.
Com 1 hora e meia de duração e classificação indicativa de 14 anos, Em um Piscar de Olhos está disponível no Disney+.