
A segunda temporada de Paradise mal começou e já deixou claro que o equilíbrio dentro do bunker está mais frágil do que nunca.
Depois de três episódios, a série muda o foco e aponta para uma ameaça interna que pode ser ainda mais perigosa do que qualquer conspiração externa. Se na primeira temporada o jogo de poder girava em torno de Samantha “Sinatra” Redmond, agora quem dita o ritmo é Jane Driscoll.
E o que torna isso ainda mais preocupante é que Jane não segue regras.
Jane assume o controle dentro do bunker
Ao longo da primeira temporada, Jane se revelou uma peça silenciosa e eficiente. Agente discreta, ela conseguiu enganar Xavier Collins e agir sem levantar suspeitas enquanto construía sua própria posição dentro do bunker.
O ponto de virada aconteceu quando ela atirou em Samantha. A decisão garantiu sua cobertura diante de Xavier e, ao mesmo tempo, virou o tabuleiro contra a própria chefe.
Na segunda temporada, especialmente no terceiro episódio, fica evidente que a relação entre as duas mudou. Samantha desperta do coma sabendo que está diante de alguém que não pode subestimar.
Não há negociação real entre elas. Quando Samantha pede a versão de Jane sobre os acontecimentos, o gesto soa como uma tentativa de manter alguma estabilidade. Jane, por sua vez, deixa claro que não é uma subordinada obediente.
Enquanto Sinatra aceitar essa nova dinâmica, Jane continua ao seu lado. Caso contrário, tudo pode desmoronar.
Um paralelo entre Jane e Billy

O terceiro episódio também aprofunda outra conexão importante: o passado de Samantha com Billy Pace.
Em flashbacks, vemos que Billy foi o primeiro a executar alguém a mando dela. Ele ensinou como funcionavam esses “acordos”: bastava um nome, uma foto e uma frase-código.
A montagem faz um corte direto para o presente, quando Jane se prepara para matar o presidente Henry Baines após receber sua própria palavra-chave. A cena estabelece um espelhamento claro entre Billy e Jane, mas com uma diferença essencial.
Billy demonstrava conflito. Jane não.
Ela manipula Baines apelando para o ego do presidente e se aproxima o suficiente para executar o ataque sem levantar suspeitas. A frieza com que corta sua garganta confirma o que a temporada vinha sugerindo: Jane não hesita.
A maior ameaça do bunker

O assassinato de mais um presidente mergulha o bunker em um novo estado de tensão. Alianças já estavam abaladas, e agora a estrutura política interna corre risco real de implosão.
Jane se torna o maior problema porque age fora do radar. Diferente de Samantha, figura pública e sempre observada, Jane opera sob a aparência de inocência. Consegue circular por áreas restritas, integrar equipes de proteção e agir a poucos centímetros de seus alvos.
Na temporada anterior, ela não demonstrou reação diante da morte de Billy, que pretendia se casar com ela. Também não apresentou conflito ao considerar matar Presley Collins, uma adolescente indefesa.
Essa ausência de limites claros transforma Jane em um elemento imprevisível. Se agir por interesse próprio, pode acelerar o colapso do bunker. Se continuar cumprindo ordens de Samantha, o resultado pode ser igualmente devastador.
O criador Dan Fogelman mantém a personagem envolta em mistério. Em entrevista à Collider em 2025, Nicole Brydon Bloom comentou que Jane é a única personagem principal sem família ou amigos reais, o que pode indicar um desejo oculto por conexão. Ainda assim, nada garante que isso a torne menos perigosa.
Com Nicole comprometida e os irmãos Collins vulneráveis, Jane passa a ter acesso privilegiado aos pontos mais sensíveis do bunker.
Depois de três episódios, Paradise deixa uma mensagem clara: o maior risco não está fora das paredes subterrâneas. Ele anda pelos corredores, sorri com naturalidade e pode atacar a qualquer momento.