
Durante anos, ir ao cinema era um hábito semanal para milhões de pessoas no mundo todo. Hoje, o cenário é outro. Para Michael Eisner, ex-CEO da Disney, essa mudança não é passageira. Ele afirmou que as salas de cinema podem deixar de existir nas próximas duas décadas.
A declaração chamou atenção não apenas pelo tom direto, mas pela experiência de quem comandou um dos maiores estúdios do mundo por mais de 20 anos.
Questionado no programa In Depth with Graham Bensinger se os cinemas ainda têm futuro, Eisner foi objetivo:
“Provavelmente não. Acho que vão sobreviver por mais uns 20 anos, mas em algum momento a casa é mais conveniente.”
Para ele, a principal razão é a mudança de comportamento do público.
Segundo Eisner, houve uma queda drástica na frequência aos cinemas. Ele relembrou que, em outro momento da indústria, cerca de 80 milhões de pessoas iam ao cinema toda semana nos Estados Unidos. Hoje, esse número é muito menor.
Essa transformação alterou completamente o modelo de negócios das salas de exibição.
Só os grandes espetáculos resistem
Outro ponto levantado pelo ex-executivo é o tipo de filme que ainda consegue atrair público para as telonas.
De acordo com ele, apenas grandes produções com efeitos técnicos impressionantes conseguem resultados expressivos nas bilheterias. Já filmes independentes, tanto americanos quanto europeus, enfrentam dificuldades para se manter nos cinemas.
“Os filmes que vão bem nos cinemas são os grandes espetáculos técnicos. Já os filmes independentes sobrevivem na Amazon, Apple ou Netflix. É difícil. Não é um negócio no qual eu entraria hoje.”
Na visão de Eisner, o streaming acabou se tornando o principal espaço para esse tipo de produção. A avaliação do ex-CEO passa por um fator simples: praticidade.
Assistir a um lançamento em casa, com conforto e sem deslocamento, passou a ser uma alternativa cada vez mais comum. Para ele, essa conveniência tende a ganhar ainda mais força com o avanço da tecnologia.
Embora não acredite que o fim das salas aconteça imediatamente, Eisner vê um prazo limitado para o modelo tradicional de exibição.
Eisner e o período à frente da Disney

Michael Eisner comandou a Disney entre 1984 e 2005, período em que o estúdio lançou sucessos que marcaram gerações e expandiu sua atuação no cinema.
Na mesma entrevista, ele também comentou sobre a parceria da Disney com a Miramax e o relacionamento com Harvey Weinstein, classificando o produtor como “um porco” e reconhecendo que trabalhar com ele foi um dos momentos mais difíceis de sua carreira.
“Ele era um verdadeiro porco. Era grosseiro, mas era um intelectual enrustido. Tinha a aparência de um caminhoneiro. Agia como um caminhoneiro. Tinha um ótimo gosto para filmes independentes, e ninguém na Disney queria lidar com ele, exceto eu”.
Ainda assim, foi sua análise sobre o futuro das salas de cinema que mais chamou atenção.
Para Eisner, o setor enfrenta uma mudança estrutural que pode redefinir completamente a forma como o público consome filmes nas próximas décadas.
Fonte: Deadline