Paramount amplia oferta pela Warner Bros. e aumenta disputa com a Netflix

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A disputa pelo controle da Warner Bros. Discovery ganhou um novo capítulo nesta semana. A Paramount anunciou uma versão reforçada de sua proposta pela companhia, elevando a pressão sobre o conselho da WBD e seus acionistas, que avaliam um acordo separado com a Netflix.

Sem alterar o valor-base de US$ 30 por ação em dinheiro, a Paramount apresentou novos mecanismos financeiros para tornar sua oferta mais atrativa e reduzir riscos percebidos pelos investidores.

O movimento acontece em meio a uma intensa disputa pública entre Paramount, Netflix e o grupo liderado por David Ellison, todos interessados nos ativos estratégicos da Warner.

O principal ajuste da nova proposta é a criação de uma chamada “ticking fee”. A Paramount se compromete a pagar US$ 0,25 por ação a cada trimestre caso a transação não seja concluída após 31 de dezembro de 2026.

Segundo a empresa, a medida foi pensada para transmitir segurança quanto ao avanço do processo regulatório e para compensar eventuais atrasos no fechamento do negócio.

A Paramount afirmou que o mecanismo reforça sua confiança na aprovação do acordo pelas autoridades reguladoras.

Rescisão com a Netflix entra no pacote

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Outro ponto central da nova oferta envolve o acordo já firmado entre a Warner Bros. Discovery e a Netflix. A Paramount informou que está disposta a bancar a taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões que seria paga à Netflix caso a WBD decida abandonar esse caminho.

Esse valor vinha sendo citado pelo conselho da Warner como um dos principais entraves para considerar alternativas ao acordo com a gigante do streaming.

Mesmo assim, a WBD já recomendou diversas vezes que seus acionistas rejeitem a tentativa de aquisição considerada hostil pelo grupo de David Ellison, enquanto mantém negociações com a Netflix para a venda de seus estúdios e ativos de streaming.

A Paramount também apresentou soluções para lidar com a estrutura de dívida da Warner Bros. Discovery. A empresa afirmou que eliminará um custo potencial de US$ 1,5 bilhão ligado à troca de títulos de dívida, assumindo integralmente esse valor sem qualquer desconto na taxa de rescisão reversa de US$ 5,8 bilhões que já aceitou pagar caso a aquisição não seja concluída.

Além disso, se os credores atuais não aceitarem estender o vencimento do empréstimo-ponte de US$ 15 bilhões da WBD, a Paramount declarou que suas próprias fontes de financiamento estão prontas para assumir essa extensão, cobrindo eventuais custos adicionais.

Como alternativa, a Warner poderá estruturar um financiamento permanente da forma que considerar mais adequada, desde que a dívida possa ser resgatada a um custo considerado razoável pelo mercado.

Entre a assinatura do acordo e o eventual fechamento, a Paramount também ofereceu maior flexibilidade operacional à Warner Bros. Discovery. A empresa se disse disposta a igualar quaisquer cláusulas operacionais intermediárias semelhantes às previstas no acordo com a Netflix.

Outro ponto citado foi a abertura para discutir soluções contratuais caso o desempenho financeiro da operação de canais lineares da WBD piore além do que a companhia projeta atualmente.

Garantias pessoais

A proposta revisada da Paramount é sustentada por US$ 43,6 bilhões em compromissos de capital próprio, provenientes da família Ellison e da RedBird Capital Partners, além de US$ 54 bilhões em compromissos de dívida liderados por Bank of America, Citigroup e Apollo.

Um dos elementos de maior peso é a garantia pessoal irrevogável de Larry Ellison, no valor de US$ 43,3 bilhões, que cobre tanto o financiamento em ações quanto possíveis pedidos de indenização contra a Paramount.

Enquanto isso, a Warner Bros. Discovery ainda não marcou a assembleia especial prevista para abril, quando os acionistas deverão votar formalmente sobre o acordo com a Netflix. Até lá, a disputa tende a se intensificar, com as empresas ampliando esforços para convencer investidores e reguladores nos Estados Unidos e na Europa.

Fonte: Deadline

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