Por que Venom virou um caso à parte na carreira de Tom Hardy

Tom-Hardy Por que Venom virou um caso à parte na carreira de Tom Hardy

Tom Hardy nunca foi um ator de escolhas óbvias. Desde os primeiros trabalhos na televisão até papéis de maior visibilidade no cinema, ele sempre demonstrou disposição para mergulhar de cabeça em projetos arriscados, mesmo quando o resultado divide opiniões. Isso fica especialmente claro em um de seus filmes mais estranhos dentro da ficção científica recente.

Lançado em 2018 após anos de desenvolvimento conturbado, Venom marcou um ponto curioso na carreira de Hardy. O longa surgiu muito tempo depois da primeira tentativa de levar o personagem aos cinemas, ainda na era de Homem-Aranha 3, e acabou seguindo um caminho próprio, separado de qualquer ligação direta com Peter Parker.

Em Venom, Hardy interpreta Eddie Brock, um jornalista impulsivo que vê sua carreira e sua vida pessoal desmoronarem quase ao mesmo tempo. Expulso de Nova York e tentando se reerguer em San Francisco, ele acaba se envolvendo em uma investigação que o coloca frente a frente com uma criatura alienígena.

O encontro muda tudo. O simbionte Venom se liga a Eddie, e o filme abandona qualquer tentativa de ser um drama convencional para assumir um tom inesperado. A partir daí, a história passa a funcionar quase como uma parceria improvável, com dois personagens dividindo o mesmo corpo e brigando por controle.

É nesse ponto que o longa abraça o absurdo sem pedir licença.

Boa parte do que torna Venom memorável vem da entrega de Tom Hardy. O ator transforma Eddie Brock em alguém constantemente à beira do colapso, alternando entre desespero, humor físico e diálogos internos caóticos com a criatura.

Cenas como Eddie tentando se acalmar dentro de um tanque de lagostas ou discutindo em voz alta com uma entidade invisível seriam difíceis de vender com outro intérprete. Hardy trata tudo com convicção total, o que dá coerência ao exagero.

Mesmo com críticas divididas na época do lançamento, o filme encontrou um público fiel justamente por não tentar se levar a sério demais.

Fugindo da regra

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Enquanto outras produções derivadas de personagens da Marvel fora do eixo principal tiveram dificuldade em encontrar identidade, Venom seguiu um caminho próprio. O longa aposta em humor estranho, situações constrangedoras e uma relação quase afetiva entre Eddie e o simbionte.

No fundo, o filme funciona menos como uma história de origem tradicional e mais como um retrato de convivência forçada. Eddie perde quase tudo, mas ganha algo inesperado no processo, mesmo que isso venha na forma de uma voz alienígena faminta.

Envolvimento além da atuação

Após o primeiro filme, Tom Hardy se envolveu ainda mais com a franquia. Ele colaborou diretamente nos roteiros das continuações, Venom: Tempo de Carnificina e Venom: A Última Rodada, ajudando a definir o tom que encerrou a trilogia.

Essa participação criativa contribuiu para manter a identidade dos filmes e reforçou a ideia de que Hardy não tratou o personagem como um simples trabalho contratado, mas como algo que merecia dedicação total.

Venom talvez nunca tenha sido unanimidade, mas isso nunca pareceu ser o objetivo. O longa abraça o esquisito, exagera quando pode e constrói uma experiência que se sustenta muito mais pela energia do protagonista do que por qualquer estrutura tradicional.

Dentro da filmografia de Tom Hardy, essa ficção científica torta ajuda a explicar por que ele segue sendo uma presença tão singular em Hollywood. Mesmo quando o filme é estranho demais para alguns, ele sempre parece totalmente comprometido em fazer funcionar.

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