Final de Magnum fez o que nenhuma série da Marvel teve coragem de fazer

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Desde que a Marvel Studios passou a investir pesado em séries para o Disney+, criou-se um padrão difícil de ignorar. Quase todas as produções, boas ou ruins, caminham para um desfecho com confronto grandioso, mesmo quando a história não pede isso. Magnum segue por outro caminho e, justamente por isso, chama atenção.

Ao longo de oito episódios, a minissérie protagonizada por Simon Williams evita o recurso mais comum do universo Marvel na TV: a luta final que resolve tudo.

O resultado é um encerramento discreto, mas satisfatório, focado em escolhas pessoais e consequências, que quebra uma tradição mantida desde WandaVision.

A obsessão das séries da Marvel pela batalha final

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Desde WandaVision, ficou claro que até as produções mais inventivas acabam cedendo à necessidade de um grande embate no último episódio. No caso da série estrelada por Wanda Maximoff, a proposta criativa perdeu força quando a história descambou para um duelo aéreo repleto de efeitos visuais.

Outras séries sofreram ainda mais com essa fórmula. Invasão Secreta, por exemplo, apresentou ideias interessantes que se perderam ao tentar resolver tudo com exibições exageradas de poder. Decisões relevantes, como a revelação sobre James Rhodes e a postura do governo contra alienígenas, ficaram soltas e pouco conectadas ao restante da trama.

Mesmo produções mais bem recebidas não escaparam totalmente disso. O final de Gavião Arqueiro entregou diversão e referências claras a clássicos do cinema, mas muitos espectadores trocariam parte da ação por mais tempo dedicado aos personagens.

Em Demolidor: Renascido, as lutas funcionam, mas ainda parecem mais como obrigação do que escolha criativa.

Final sem luta

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Em Magnum, Simon Williams usa seus poderes apenas uma vez de forma direta no meio da série. No episódio final, apesar de uma demonstração intensa de força, não há confronto tradicional. Não existe vilão derrotado em batalha nem cidade salva da destruição no último segundo.

Esse desfecho pode causar estranhamento. O próprio final passa uma sensação de algo vem depois para o protagonista. Ainda assim, essa ausência funciona a favor da história.

Simon não segue para os Vingadores da Costa Oeste nem aparece como peça confirmada em Vingadores: Doutor Destino ou Guerras Secretas. O que fica é a dúvida sobre as consequências de suas escolhas.

Um herói que não queria ser herói

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Ao longo da série, Simon não busca feitos grandiosos. Seu desejo está ligado à atuação e ao reconhecimento artístico, não ao uso de poderes. As habilidades que possui surgem mais como um obstáculo do que como ferramenta para alcançar seus objetivos.

Quando perde o controle e destrói um estúdio, quase vê sua carreira e suas relações desmoronarem. No fim, decide usar seus poderes não para salvar o mundo, mas para ajudar alguém que considera amigo, mesmo sabendo o preço disso.

Esse amigo é Trevor Slattery, personagem que já havia causado controvérsia no MCU ao ser revelado como um ator fracassado em Homem de Ferro 3. Aqui, Trevor encontra em Simon alguém que valoriza o ofício da atuação tanto quanto ele. Ao tentar salvar Simon, Trevor aceita voltar para a prisão, e o protagonista, após experimentar o sucesso, abre mão de tudo para retribuir o gesto.

Uma lição simples para o MCU no Disney+

Mesmo sem confirmação oficial de uma segunda temporada, Magnum deixa claro que séries de super-heróis não precisam seguir um manual rígido.

O traje clássico do personagem aparece por cerca de um minuto, quase como uma piada interna, enquanto a história escolhe outro tipo de encerramento.

Simon Williams se torna Magnum, mas não por meio de um embate espetacular. Ele usa quem é e o que sabe fazer para libertar Trevor. Não há celebração pública nem triunfo heroico tradicional.

A minissérie mostra que é possível contar uma história interessante dentro do MCU sem depender de fórmulas desgastadas. Ao colocar o foco na pessoa por trás dos poderes, Magnum abre espaço para que produções da Marvel na TV explorem caminhos menos previsíveis e mais alinhados ao que cada história realmente precisa contar.

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