NFL vira sócia da ESPN após acordo com a Disney

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A relação entre Disney e NFL acaba de entrar em um novo patamar. Depois de anos de parceria comercial e direitos de transmissão, as duas partes oficializaram um acordo que muda o equilíbrio de forças no mercado esportivo americano.

A negociação foi confirmada no fim de semana e coloca a liga de futebol americano como acionista minoritária da ESPN, braço esportivo da Disney. A movimentação acontece em um momento de forte transformação no consumo de esportes, com a TV tradicional perdendo espaço e o streaming ganhando protagonismo.

O detalhe curioso é que, a partir de agora, quando a NFL não gostar da forma como a ESPN cobre a liga, a crítica poderá ser feita internamente. Literalmente.

NFL passa a ter participação na ESPN

Com o acordo fechado, a NFL fica com cerca de 10% da ESPN. Estimativas do mercado apontam que essa fatia representa algo entre US$ 2,2 bilhões e US$ 2,5 bilhões, segundo avaliações de consultorias especializadas.

Em troca, a ESPN assume o controle da NFL Network e do serviço NFL RedZone, famoso pelas transmissões simultâneas dos jogos aos domingos. A ideia é integrar esses conteúdos ao ecossistema da ESPN, principalmente ao serviço direto ao consumidor que a empresa prepara para os próximos meses nos Estados Unidos.

Integração de equipes e novos conteúdos

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Em comunicado conjunto, ESPN e NFL afirmaram:

“A NFL e a ESPN têm o prazer de anunciar a conclusão oficial da venda da NFL Network e de outros ativos de mídia da liga para a ESPN. Com o fechamento, iniciaremos a integração dos funcionários da NFL à ESPN nos próximos meses.”

Segundo pessoas envolvidas no processo, os funcionários da NFL Media passam a fazer parte da ESPN a partir de abril. Já a integração da NFL Network ao streaming da ESPN deve acontecer no início da próxima temporada regular, no segundo semestre.

A expectativa é ampliar a oferta de programas, melhorar o acesso aos conteúdos da NFL Network e desenvolver novas experiências ligadas ao fantasy football.

Movimento segue tendência do mercado

O acordo entre Disney e NFL não é um caso isolado. Nos últimos anos, empresas de mídia e ligas esportivas passaram a dividir investimentos como forma de sustentar custos cada vez mais altos.

A Fox, por exemplo, adquiriu participação na Penske Entertainment, dona da IndyCar e do tradicional circuito de Indianápolis. A emissora também tem participação na United Football League.

A própria ESPN entrou como investidora na Premier Lacrosse League, enquanto a Warner Bros. Discovery participa da liga feminina de basquete Unrivaled.

Essas alianças surgem em um cenário no qual direitos esportivos seguem essenciais para atrair grandes audiências, mesmo com o público migrando para o consumo sob demanda.

Queda de assinantes pressiona modelos tradicionais

Apesar da força da NFL na audiência, os números da TV paga continuam em queda. Projeções indicam que ESPN e ESPN2 devem encerrar 2026 com cerca de 58 milhões de assinantes cada, abaixo do total registrado em 2025.

A NFL Network também enfrenta retração. Dados apontam que o canal passou de mais de 72 milhões de assinantes em 2023 para menos de 47 milhões em 2024.

Esse cenário ajuda a explicar por que a integração com o streaming e a aproximação com a Disney se tornaram estratégicas para a liga.

O acordo também pode influenciar negociações futuras. A NFL tem contratos de direitos válidos até o fim da década, mas conquistou a possibilidade de revisá-los a partir de 2029.

Ter participação na ESPN pode funcionar como um fator de estabilidade, especialmente quando o assunto é o Monday Night Football, um dos principais produtos esportivos da emissora.

Fonte: Variety

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