
Desde a estreia de Magnum no Disney+, um detalhe específico chamou a atenção do público: o episódio 4, intitulado O Porta, foge completamente do visual adotado no restante da temporada e é exibido quase inteiro em preto e branco.
A escolha não é apenas estética. O capítulo ocupa uma posição central na série e serve para explicar uma das regras mais estranhas daquele universo: por que pessoas com superpoderes são proibidas de atuar em filmes e séries.
Para contar essa história, a produção optou por um formato visual que reforça o peso do que está sendo revelado.
O episódio é um retorno ao passado
O Porta é construído como um grande retorno a eventos anteriores à trama principal. O preto e branco ajuda a deixar claro que o espectador está acompanhando acontecimentos do passado, distintos do presente vivido por Simon Williams.
O foco do episódio é DeMarr Davis, um porteiro que trabalha no Wilcox Club e tem a vida alterada após entrar em contato com um material estranho descartado pela Roxxon.
A substância o transporta para uma dimensão sombria, repleta de portas brancas, algo que ele não consegue explicar ao acordar em casa.
Pouco depois, DeMarr descobre que seu corpo não funciona mais como antes. Seu cachorro simplesmente atravessa seu corpo e desaparece pelo chão, revelando que algo muito sério aconteceu.
O surgimento do Porta e a origem da cláusula

A situação se agrava quando um incêndio prende dezenas de pessoas dentro do clube. DeMarr usa suas novas habilidades para salvar todos, permitindo que atravessem seu corpo e escapem. O ato o transforma em uma figura pública quase da noite para o dia, rendendo a ele o apelido de Porta e o bordão ding dong.
Entre os sobreviventes está Josh Gad, que se aproxima de DeMarr e acaba levando suas habilidades para o cinema. Primeiro como segurança, depois como ator em um filme que explora exatamente seu poder.
O problema surge durante a gravação de uma continuação. Em vez de atravessar Porta e retornar, o astro de Frozen fica preso no vazio interno do personagem e nunca mais é visto. O caso gera repercussão intensa e leva o Departamento de Controle de Danos a monitorar DeMarr permanentemente.
Como resposta, a indústria do entretenimento se organiza e cria a chamada Cláusula Porta, proibindo qualquer pessoa com superpoderes de participar de grandes produções audiovisuais, como forma de evitar novos acidentes.
A simbologia do preto e branco

Além de indicar o retorno ao passado, o preto e branco dialoga diretamente com o visual clássico do personagem nos quadrinhos. Porta é tradicionalmente retratado com um traje escuro, olhos brancos e elementos claros que contrastam com o fundo preto, o que se reflete bem na estética escolhida para o episódio.
A decisão também cria um clima mais seco e desconfortável, adequado à história que está sendo contada.
Diferente do tom mais satírico presente em outros momentos da série, O Porta aborda consequências permanentes, erros irreversíveis e o nascimento de uma regra que define todo aquele universo.
Já vimos isso em WandaVision

O episódio também lembra escolhas anteriores da Marvel em televisão. Assim como os capítulos iniciais de WandaVision, Magnum usa o preto e branco como ferramenta narrativa, embora em contextos bem diferentes.
Nos dois casos, o recurso serve para destacar que o público está entrando em um espaço fora do comum, onde algo deu errado e precisa ser entendido antes que a história siga em frente.
Ao final do episódio, quando a imagem retorna às cores, o espectador já compreende por que Simon Williams enfrenta tantas barreiras para atuar.
O preto e branco não é apenas um detalhe visual, mas a forma encontrada pela série para contar uma das histórias mais importantes de sua temporada.
Todos os episódios de Magnum estão disponíveis no Disney+.