
Hoje é difícil imaginar a série Uma Mente Excepcional sem Kaitlin Olson no papel de Morgan Gillory. A personagem, uma faxineira com memória fotogtáfica que acaba colaborando com a polícia de Los Angeles, caiu nas graças do público e se tornou um dos maiores acertos recentes da ABC. Mas a verdade é que a atriz quase disse não ao convite.
Baseada na série franco-belga HPI, a produção coloca Morgan como uma figura fora do padrão: brilhante, desorganizada, mãe solteira e longe do perfil clássico de protagonistas de dramas policiais. Ainda assim, esse não era exatamente o tipo de projeto que Olson buscava naquele momento da carreira.
Em entrevista à Esquire, a atriz contou que a decisão nem chegou a ser uma recusa formal. “Não foi exatamente uma rejeição direta”, explicou. “Meu agente praticamente teve que me obrigar a sentar e ler o roteiro. Eu tinha It’s Always Sunny, estava curtindo trabalhar parte do ano e ser mãe no resto.”
Na época, Olson também pensava em desenvolver um projeto próprio e participar de séries pontuais, como Hacks, na qual aparece em poucos episódios. “Na minha cabeça, eu faria algo bem diferente da Dee e queria uma mistura de comédia com drama”, completou.
Outro fator que pesou contra foi o formato. Olson deixou claro que preferia séries curtas de streaming, com cerca de 10 episódios por temporada.
“A ideia de fazer um drama de uma hora na TV aberta simplesmente não me atraía”, admitiu. Segundo ela, foi preciso o agente insistir bastante. “Ele disse: ‘Eu entendo tudo isso, mas não vou desistir até você ler’. E ele estava certo. Eu me apaixonei pela personagem.”
Essa não foi a única vez que a atriz contou essa história. Durante uma participação no podcast Conan O’Brien Needs a Friend, Olson revelou mais detalhes, incluindo o primeiro contato com o criador da série.
“O Drew Goddard escreveu o roteiro, e eu não estava interessada quando me chamaram para almoçar”, disse. “Eu pensei: ‘Drama de uma hora da ABC? Não, obrigada!’ E meu agente respondeu: ‘Não, você vai almoçar com eles.’”
A resistência vinha muito da experiência em It’s Always Sunny in Philadelphia, série em que Olson trabalha há anos com total liberdade criativa. “Eu não tinha interesse em trabalhar para uma emissora. Sou muito mimada pela FX”, explicou. “Eles deixam a gente fazer e dizer qualquer coisa, e eu tenho dificuldade com executivos que não são criativos dizendo o que posso ou não fazer.”
Tudo mudou quando ela leu o texto. “Eu estava cheia de receio. Aí li o roteiro e pensei: ‘Ok, acho que estou dentro’”, concluiu.
O público abraçou a série

A escolha acabou se mostrando certeira. Uma Mente Excepcional rapidamente se destacou na programação da ABC e no Disney+, onde é exibida sob o selo Hulu. Em novembro de 2025, a segunda temporada alcançou 17,23 milhões de espectadores em 35 dias, um aumento de 300% em relação à primeira temporada.
Para Olson, o motivo dessa conexão com o público é simples. Na mesma entrevista à Esquire, ela resumiu o que faz Morgan funcionar tão bem:
“Muita gente se identifica com a Morgan. É bom ver alguém que parece estar com tudo sob controle, mas é meio bagunçada. Uma mãe muito dedicada, mas cheia de falhas na vida real. Ela não se leva tão a sério, não fica exibindo o quanto é inteligente. Isso aproxima.”
Segundo a atriz, a personagem faz o possível para manter os filhos bem, e isso acaba falando mais alto. “Depois que você tem filhos, nada mais importa tanto. Se eles estão bem, você está bem.”
Se depender da recepção do público, aquela quase recusa ficou no passado. Para quem já acompanha ou ainda quer conhecer a série, Uma Mente Excepcional está disponível no Disney+.