Campanha “Roubar não é inovação” reúne artistas contra big techs e IA

1000155242 Campanha “Roubar não é inovação” reúne artistas contra big techs e IA

Um amplo grupo de artistas, criadores de conteúdo e profissionais do entretenimento lançou uma nova campanha pública contra o uso de obras protegidas por direitos autorais no treinamento de modelos de inteligência artificial. Batizada de “Roubar não é inovação”, a iniciativa mira diretamente grandes empresas de tecnologia e sua forma de operar com conteúdos criativos.

Entre os apoiadores estão atores como Scarlett Johansson e Cate Blanchett, músicos de peso como o R.E.M. e autores conhecidos do mercado editorial.

Ao todo, centenas de nomes da indústria criativa aderiram ao movimento, que já começou a ganhar visibilidade nas redes sociais e em anúncios de grande alcance.

A campanha é organizada pela Human Artistry Campaign, uma coalizão que reúne dezenas de entidades ligadas à criação artística. O grupo defende que o trabalho criativo precisa ser respeitado e protegido, especialmente diante do avanço acelerado da inteligência artificial generativa.

Segundo o manifesto divulgado, grandes empresas de tecnologia estariam utilizando obras de artistas para treinar sistemas de IA sem autorização e sem qualquer compensação, ignorando leis de direitos autorais. Para os organizadores, essa prática ameaça a sustentabilidade do setor criativo como um todo.

Preocupação com empregos e produção criativa

Um dos pontos centrais da campanha é o risco econômico. O grupo afirma que o uso indiscriminado de conteúdos protegidos enfraquece a produção artística, afeta empregos e reduz a capacidade de criadores continuarem trabalhando de forma independente.

A crítica também se estende à competição direta entre obras feitas por pessoas e conteúdos gerados por IA treinada a partir desses mesmos trabalhos. Na visão dos artistas envolvidos, isso cria um ciclo injusto, no qual o material original é usado sem consentimento para gerar produtos que disputam espaço no mercado.

Licenciamento como alternativa

A campanha defende que empresas de tecnologia passem a licenciar formalmente os conteúdos usados no treinamento de seus modelos. Algumas companhias já começaram a adotar esse caminho, firmando acordos pontuais com estúdios e detentores de direitos.

Ao mesmo tempo, ações judiciais seguem em andamento contra plataformas acusadas de usar obras protegidas sem permissão. Esses processos colocam no centro da discussão a interpretação do chamado “uso justo”, argumento frequentemente usado por empresas de IA para justificar suas práticas.

Como parte da mobilização, a campanha vai exibir o slogan “Roubar não é inovação” em peças gráficas, anúncios impressos e conteúdos digitais.

De acordo com os organizadores, o visual escolhido, marcado por ruído e interferência, simboliza um futuro empobrecido caso a criação humana seja substituída por sistemas treinados sem critérios claros.

Para os artistas envolvidos, a discussão vai além da tecnologia em si. O foco está em definir limites, responsabilidades e regras claras para que a inteligência artificial não avance às custas de quem cria.

Com apoio crescente dentro da indústria do entretenimento, a campanha busca pressionar empresas e legisladores a estabelecer novos parâmetros para o uso de obras criativas na era da IA.

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