
O lançamento de As Marvels em 2023 aconteceu em um momento pouco favorável para Hollywood. Greves, mudanças no calendário e um cenário instável para grandes franquias acabaram moldando a trajetória do filme de forma decisiva, tanto nos cinemas quanto na percepção do público.
Mesmo sendo uma continuação direta de Capitã Marvel, que ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão nas bilheterias, o longa acabou tendo um caminho bem diferente. A recepção foi ruim em termos comerciais, apesar de avaliações razoáveis da crítica especializada.
Agora, algum tempo depois da estreia, a diretora Nia DaCosta voltou a falar abertamente sobre a experiência e deixou claro que, apesar dos resultados, não guarda arrependimentos sobre o processo.
Durante a divulgação de seus novos projetos, Hedda e Extermínio: O Templo dos Ossos, Nia DaCosta comentou sobre As Marvels em entrevista ao Deadline. Segundo ela, o barulho em torno da produção acabou criando uma percepção difícil de contornar.
“É curioso, porque a máquina da Marvel sempre gera muito comentário. Mas, olhando para trás, todo mundo tentou fazer o melhor. Todos queriam fazer um ótimo filme, e fico muito feliz pelas relações que construímos”, afirmou.
DaCosta também destacou que, apesar das críticas e do desempenho nas bilheteiras, os laços profissionais permaneceram intactos. “Visitei o set dos Vingadores no último verão, foi divertido reencontrar os produtores, ver os irmãos Russo e amigos que estavam no filme. Foi muito bom saber que essas relações continuam fortes, independentemente de como tudo terminou”, contou.
Para a cineasta, o saldo pessoal segue positivo. “Quando olho para trás, vejo que todos tentaram fazer a coisa certa. E é isso”, concluiu.
Greves, mudanças e um lançamento enfraquecido

As Marvels chegou aos cinemas no fim de 2023, em meio às greves do SAG-AFTRA, sindicato que representa atores e outros profissionais da indústria, o que impediu o elenco de participar da divulgação tradicional. A ausência de entrevistas, tapetes vermelhos e ações promocionais pesou bastante no alcance do filme.
Além disso, o longa apostou fortemente em personagens que ganharam destaque no Disney+, como Ms. Marvel e Monica Rambeau. Para parte do público, isso acabou criando uma barreira, especialmente entre quem não acompanhou as séries.
Outro ponto frequentemente citado foi a dificuldade dos trailers em vender o filme como um grande evento do MCU, algo que sempre foi uma das forças do estúdio.
Alterações internas
Assim como outras produções recentes da Marvel Studios, As Marvels passou por mudanças internas e refilmagens ao longo do processo. Esse tipo de ajuste sempre fez parte da estratégia do estúdio, mas nos últimos anos os resultados têm sido questionados.
No caso específico do longa, essas decisões contribuíram para um custo elevado, resultando em um prejuízo estimado em cerca de US$ 237 milhões. O desempenho final foi de aproximadamente US$ 206 milhões arrecadados mundialmente, um número muito abaixo do esperado para a franquia.
Com isso, muitos espectadores optaram por esperar o lançamento digital ou no streaming, reduzindo ainda mais o fôlego do filme nos cinemas.
Personagens sem retorno confirmado
Atualmente disponível no Disney+, As Marvels encerra sua história deixando várias pontas em aberto. O destino de Carol Danvers, Kamala Khan e Monica Rambeau ainda não foi confirmado oficialmente dentro do MCU.
Embora nenhuma das três esteja anunciada em Vingadores: Doutor Destino, há rumores de que todas devem retornar em algum momento. Monica permanece presa em um universo ligado aos X-Men, enquanto Carol tende a se reunir aos Vingadores. Já Kamala Khan é apontada como peça-chave na formação dos Campeões, ao lado de Kate Bishop.
Por enquanto, o estúdio mantém silêncio, e o próximo capítulo dessas personagens segue em aberto para o público.