Disney+ confirma mudança no app que aproxima a plataforma das redes sociais

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O Disney+ está se movimentando para mudar a forma como as pessoas usam a plataforma no dia a dia. Mais do que apertar o play em um filme ou série, a ideia agora é fazer com que o serviço se torne uma parada frequente, mesmo em momentos rápidos da rotina.

Durante a CES, uma das maiores feiras de tecnologia do mundo, a Disney confirmou que pretende adicionar vídeos verticais ao Disney+ ainda este ano.

O formato, já comum em redes sociais, surge como uma tentativa clara de aumentar o engajamento diário dos assinantes.

Para quem acompanha o Guia Disney+ Brasil, a novidade não chega exatamente como surpresa. Em novembro de 2025, já havíamos mostrado que a empresa estudava microdramas, conteúdos rápidos e até novos usos de tecnologia para transformar a plataforma em algo mais dinâmico. Agora, essas ideias começam a ganhar forma.

Vídeos verticais entram no radar oficial do Disney+

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A confirmação veio durante o Tech + Data Showcase da Disney, evento voltado principalmente ao mercado publicitário. Entre anúncios sobre métricas, dados e ferramentas para anunciantes, o vídeo vertical apareceu como uma das apostas centrais para o futuro da plataforma.

Segundo a empresa, a proposta é testar o formato de maneira gradual, explorando diferentes categorias e tipos de conteúdo. A ideia é criar um feed personalizado e dinâmico, misturando informação e entretenimento, com potencial para transformar o Disney+ em um destino de acesso diário.

Erin Teague, vice-presidente executiva de gestão de produto da Disney Entertainment e da ESPN, explicou que ainda não há um único modelo definido. Os vídeos podem incluir produções originais curtas, trechos reaproveitados de séries e filmes, clipes criados para redes sociais ou até cenas adaptadas de conteúdos longos.

A executiva reforçou que o formato não será jogado de forma aleatória na experiência do usuário. A intenção é integrar o vídeo vertical a comportamentos que o público já tem, evitando uma sensação de algo fora de lugar dentro do aplicativo.

Aprendizados com a ESPN e influência das redes sociais

Antes de chegar ao Disney+, o formato já vinha sendo testado dentro do aplicativo da ESPN nos Estados Unidos, com vídeos verticais pensados como consumo rápido. A experiência serviu como laboratório para entender como o público reage a esse tipo de conteúdo em um ambiente que não nasceu como rede social.

Erin Teague destacou que vídeos verticais funcionam bem como hábitos diários, com consumo curto e direto. Ela também lembrou sua experiência acompanhando o crescimento de plataformas como TikTok e Reels do Instagram, além da evolução do YouTube Shorts, que acabou sendo integrado ao próprio YouTube.

Um dado curioso citado por ela é que grande parte dos vídeos curtos do YouTube já é assistida na sala de estar, não apenas no celular. Isso reforça a ideia de que o consumo vertical não está mais restrito a telas pequenas ou momentos improvisados.

Microdramas e conteúdos rápidos já estavam no plano

Em novembro de 2025, publicamos que a empresa avaliava a entrada em vídeos verticais com microdramas e formatos curtos, especialmente influenciados pelo sucesso desse tipo de conteúdo em países da Ásia.

Na época, Eric Schrier comentou que o formato curto fazia parte dos planos, embora ainda houvesse dúvidas sobre como manter o padrão de qualidade da Disney dentro de produções mais simples e rápidas. A empresa também observava como adaptar esse modelo ao gosto do público fora da Ásia, incluindo o brasileiro.

A confirmação agora feita na CES indica que a fase de observação começa a dar lugar a testes práticos dentro do Disney+.

Um passo a mais rumo a uma plataforma interativa

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A chegada dos vídeos verticais também conversa diretamente com outra ideia já revelada no fim de 2025: transformar o Disney+ em um portal mais interativo, com uso de inteligência artificial e até conteúdos criados pelos próprios usuários.

Na ocasião, Bob Iger falou sobre a possibilidade de o Disney+ ir além do streaming tradicional, funcionando como porta de entrada para todo o ecossistema da empresa. Ele citou vídeos curtos, experiências inspiradas em jogos e ferramentas que permitiriam uma participação mais ativa dos assinantes dentro da plataforma.

O vídeo vertical se encaixa perfeitamente nesse cenário, criando uma ponte entre hábitos já consolidados nas redes sociais e o ambiente controlado do streaming.

Conteúdo ao vivo, esportes e interesse dos anunciantes

Além da experiência do usuário, a aposta no vídeo vertical também tem forte ligação com publicidade. Rita Ferro, chefe global de publicidade da Disney, destacou durante o evento a força dos esportes ao vivo, especialmente dentro da ESPN.

Segundo ela, a ESPN respondeu por 33% de toda a audiência de esportes ao vivo em 2025, um número bem acima dos concorrentes. Datas especiais, como o dia de Natal, concentraram a maior parte das impressões publicitárias justamente em transmissões esportivas.

Esse contexto ajuda a entender por que formatos rápidos, dinâmicos e fáceis de consumir ganham tanto espaço. Eles oferecem novas oportunidades para marcas se conectarem com o público sem depender apenas de longos intervalos comerciais.

O que muda para o assinante

Para o público, a chegada dos vídeos verticais pode representar uma mudança importante na relação com o Disney+. Em vez de acessar a plataforma apenas quando há tempo para um episódio inteiro ou um filme, o assinante pode passar a abrir o aplicativo em pequenos intervalos do dia.

A iniciativa reforça algo que já vinha sendo sinalizado desde 2025: o Disney+ quer se aproximar dos hábitos digitais atuais, misturando entretenimento tradicional com formatos rápidos, personalizados e cada vez mais presentes na rotina.

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