
A franquia TRON sempre ocupou um espaço curioso dentro da Disney. Nunca foi um fenômeno de bilheteria, mas construiu ao longo das décadas uma base fiel de fãs, atraídos pelo visual ousado, pela trilha sonora e pelas ideias futuristas.
Quando TRON: O Legado chegou aos cinemas em 2010, o filme acabou ganhando status cult com o tempo, mesmo sem números expressivos nas bilheteiras. A expectativa por um terceiro longa cresceu, alimentada por anos de rumores e projetos que nunca saíram do papel.
Agora, com TRON: Ares lançado em 2025, muitos esperavam uma ligação direta com o longa anterior. No entanto, o próprio diretor de TRON: O Legado tem uma visão bem diferente sobre esse novo capítulo.
Joseph Kosinski vê TRON: Ares como uma história paralela
Em entrevista recente à revista Empire, Joseph Kosinski falou abertamente sobre TRON: Ares e explicou por que não enxerga o filme como uma continuação direta do longa que dirigiu em 2010.
“Eu realmente não vejo como uma sequência”, afirmou o cineasta. Segundo ele, o novo filme até aproveitou elementos de um antigo projeto seu, Tron: Ascension, especialmente em algumas ideias visuais e cenas específicas, mas seguiu um caminho narrativo completamente diferente.
“Para mim, funciona mais como uma história paralela do que como uma sequência”, explicou. Ainda assim, Kosinski fez questão de elogiar a longevidade do universo criado por Steven Lisberger em 1982, destacando que é gratificante ver esse mundo ainda relevante décadas depois.
Um filme distante da visão original do diretor
Durante anos, Kosinski trabalhou no desenvolvimento de Tron: Ascension, que acabou preso em um longo período de indefinições dentro da Disney. Com o tempo, o projeto foi reformulado até se transformar em TRON: Ares, agora com outra proposta e um novo protagonista.
Essa mudança afastou o filme daquilo que o diretor imaginava para uma continuação direta de TRON: O Legado. Mesmo com referências a personagens e eventos do longa de 2010, além de um final que sugere o retorno de Sam e Quorra, Kosinski prefere tratar Ares como algo independente.
Essa leitura ajuda a explicar por que o diretor mantém certa distância criativa do projeto atual, ainda que reconheça elementos reaproveitados de ideias antigas.
Ao relembrar a experiência de dirigir TRON: O Legado, Kosinski destacou algo que considera raro hoje em dia: a liberdade que recebeu da Disney na época.
“Hoje eu percebo como fui sortudo”, comentou. Segundo ele, o estúdio permitiu escolhas arriscadas, como a contratação do Daft Punk para a trilha sonora e a escalação de atores que ainda não eram nomes consolidados em grandes produções.
O diretor também lembrou que aquele foi seu primeiro trabalho em um grande set de filmagem. “A gente não sabia quais eram as regras, então simplesmente fez o filme”, disse, apontando que essa inexperiência acabou contribuindo para a identidade única do longa.
O desempenho de TRON: Ares
Lançado sob direção de Joachim Rønning, TRON: Ares não conseguiu repetir o crescimento cult de seus antecessores. O filme terminou sua passagem pelos cinemas com apenas US$ 142,2 milhões arrecadados mundialmente e uma aprovação morna da crítica, ficando na casa dos 53% no Rotten Tomatoes.
Relatos de bastidores ajudam a explicar o resultado. Uma fonte em outubro afirmou que faltou um direcionamento claro para o projeto. “Não havia uma visão específica, para ser sincero”, disse o insider, questionando o alto investimento em uma franquia que nunca se consolidou comercialmente.
Ainda assim, há quem acredite que o objetivo do filme ia além do cinema. Pessoas próximas à produção afirmam que TRON: Ares também funcionaria como uma vitrine para as atrações da franquia nos parques da Disney, fator que teria pesado na decisão de seguir adiante com o projeto.
TRON: Ares chega ao catálogo do Disney+ no dia 7 de janeiro de 2026, abrindo espaço para que o público avalie por conta própria esse capítulo que, ao menos para Joseph Kosinski, existe mais ao lado do que depois de TRON: O Legado.