
Mesmo com um cenário longe do ideal para os cinemas, a Disney tem motivos de sobra para comemorar. Enquanto o mercado exibidor como um todo enfrentou dificuldades em 2025, com o número de ingressos vendidos abaixo das estimativas, o estúdio do Mickey conseguiu um feito que não era visto desde antes da pandemia.
A discussão sobre uma possível retomada total das bilheterias aos níveis pré-2020 mudou de tom nos últimos anos. A pergunta deixou de ser “quando isso vai acontecer” e passou a ser “se isso ainda vai acontecer”, especialmente com o streaming ocupando um espaço cada vez maior no consumo de entretenimento.
Ainda assim, a Disney nadou contra a corrente. Em um ano considerado morno para o setor, o estúdio encerrou 2025 como o único grande destaque positivo de Hollywood.
Graças ao desempenho de títulos como Zootopia 2, Lilo & Stitch e Avatar: Fogo e Cinzas, a Disney somou cerca de US$ 6,5 bilhões em bilheteria mundial, um patamar que não era alcançado desde 2019.
Um feito que remete ao auge pré-pandemia
O último ano em que a Disney havia registrado números tão expressivos foi justamente 2019, considerado o mais lucrativo da história do estúdio. Naquele período, lançamentos como Vingadores: Ultimato, Frozen II, Capitã Marvel, Aladdin (live-action), O Rei Leão (live-action), Toy Story 4 e Star Wars: A Ascensão Skywalker levaram a empresa a ultrapassar, pela primeira e única vez, a marca de US$ 10 bilhões em um único ano-calendário.
Embora 2025 fique abaixo desse recorde absoluto, o resultado atual ganha ainda mais peso quando comparado ao restante da indústria. Mesmo uma fusão hipotética entre Warner Bros. e Paramount não teria sido suficiente para alcançar o total arrecadado pela Disney no mesmo período, ficando cerca de US$ 1 bilhão atrás.
Declaração oficial reforça clima de comemoração
Em comunicado à imprensa, Alan Bergman, copresidente da Disney Entertainment, destacou a diversidade de sucessos ao longo do ano.
“Este foi um ano fantástico para o nosso estúdio. Teremos, ao fim do ciclo, três filmes que ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão, vindos de três estúdios diferentes, além de vários outros desempenhos fortes ao longo do ano.”
Bergman também fez questão de agradecer às equipes criativas, de marketing e distribuição, além do público que manteve o hábito de ir ao cinema.
“Isso mostra a força das histórias criadas por nossas equipes e o excelente trabalho de todos os envolvidos. Sou grato ao nosso time e aos talentos incríveis com quem temos a sorte de trabalhar, assim como ao público ao redor do mundo.”
Os 12 filmes da Disney que mais arrecadaram em 2025
A lista de maiores bilheterias da Disney e de seus estúdios controlados em 2025 deixa claro como o faturamento ficou concentrado nos grandes títulos:
- Zootopia 2 – US$ 1,46 bilhão (ainda em exibição)
- Lilo & Stitch – US$ 1,03 bilhão
- Avatar: Fogo e Cinzas – US$ 860 milhões (ainda em exibição)
- Quarteto Fantástico: Primeiros Passos – US$ 521,9 milhões
- Capitão América: Admirável Mundo Novo – US$ 415 milhões
- Thunderbolts – US$ 382,4 milhões
- Branca de Neve– US$ 205 milhões
- Predador: Terras Selvagens – US$ 184,2 milhões
- Elio – US$ 154,3 milhões
- Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda – US$ 153,1 milhões
- Tron: Ares – US$ 145,1 milhões
- Operação Vingança – US$ 96 milhões
O ranking evidencia uma concentração forte no topo, com poucos títulos puxando grande parte da arrecadação total.
Marvel perde força, mas ainda sustenta o calendário
Um ponto que chama atenção é o desempenho abaixo do esperado da Marvel Studios. Antes considerada a grande âncora financeira da Disney, o estúdio viu todos os seus lançamentos de 2025 ficarem abaixo da marca de US$ 1 bilhão, algo que, antes de Vingadores: Ultimato, era tratado quase como regra.
Ainda assim, os filmes da Marvel continuam figurando entre os maiores faturamentos do ano e ajudam a sustentar a presença da Disney no mercado global.
Vale lembrar que Moana 2 e Mufasa: O Rei Leão também tiveram arrecadações consideradas moderadas em 2025, mas ficaram fora da lista por terem sido lançados originalmente em 2024.
Olhando para 2026, o cenário parece ainda mais promissor
Se 2025 já foi um ano forte, 2026 tem tudo para ser ainda mais expressivo. A Disney prepara uma sequência de lançamentos com alto potencial comercial, incluindo:
- O Diabo Veste Prada 2 (maio de 2026)
- O Mandaloriano e Grogu (maio de 2026)
- Toy Story 5 (junho de 2026)
- Moana (live-action, julho de 2026)
- Homem-Aranha: Um Novo Dia (julho de 2026)
- Hexed (novembro de 2026)
- Vingadores: Doutor Destino (dezembro de 2026)
No caso de Homem-Aranha: Um Novo Dia, vale destacar que se trata de uma coprodução entre Sony e Marvel Studios, com divisão estimada de 75% para a Sony e 25% para a Disney tanto nos custos quanto na arrecadação.
Com esse calendário robusto, a expectativa interna é que a Disney ultrapasse com relativa facilidade a marca de US$ 6,5 bilhões, consolidando ainda mais sua posição como o estúdio mais forte da era pós-pandemia.